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01.05.2026 Formação

Médicos-cientistas no Brasil: carreira essencial ainda enfrenta obstáculos estruturais

Pesquisa aponta benefícios diretos para pacientes, mas revela obstáculos estruturais que dificultam a consolidação dessa carreira no país

Profissionais de saúde trabalham em laboratório, combinando atividades clínicas e de pesquisa científica. Cena ilustra a rotina de médicos-cientistas, entre experimentos, registros e análise de dados. “É preciso reconhecer o médico-cientista como uma figura estratégica, com bolsas de transição e integração real entre universidades e hospitais”, afirma Beatriz Barreto-Duarte, médica e pesquisadora da Fiocruz | Imagem: Unsplash

Nas áreas da saúde e da pesquisa científica, existem profissionais que combinam os repertórios dos dois campos: os médicos-cientistas. Profissionais que se dividem entre as duas carreiras podem proporcionar diferentes contribuições à população. 

No entanto, quem decide seguir esse caminho no Brasil costuma enfrentar vários desafios, tornando essa jornada bastante árdua. 

Um estudo publicado na revista PLOS Global Public Health em 2025 mostra como esses profissionais podem oferecer diversos benefícios, usando evidências científicas para melhorar o atendimento a pacientes.  

Em entrevista ao Science Arena, uma das autoras do estudo, a médica e pesquisadora Beatriz Barreto-Duarte, do Laboratório de Pesquisa Clínica e Translacional da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia, disse que os “médicos-cientistas desempenham um papel estratégico ao transformar observações do cotidiano clínico em perguntas de pesquisa capazes de orientar políticas públicas mais efetivas”.

Em meio à sua carreira dupla, Barreto-Duarte também encara desafios para realizar as suas atividades de maneira sustentável. 

Aliás, para mulheres, as dificuldades podem ser ainda maiores. A pesquisa na PLOS Global Public Health indica que o grupo feminino é acometido tanto por falta de políticas de apoio quanto por complicações para conciliar o trabalho com a maternidade. 

A falta de tempo protegido

Beatriz Barreto-Duarte relatou ao Science Arena os problemas que enfrenta como uma profissional que escolheu conciliar as duas carreiras. Assim, quando se trata dos desafios pessoais e institucionais para manter as atividades dos dois campos – o clínico e a pesquisa –, ela citou a falta de tempo protegido como um dos maiores obstáculos. 

A ausência desse período, que deveria ser voltado para o descanso e o restabelecimento da energia, leva o profissional a elevados níveis de exaustão. 

Ela explicou que, no Brasil, o horário do médico acaba sendo consumido pela assistência. 

Com isso, não há um tempo adequado para a pesquisa que, por sua vez, acaba comprometendo momentos essenciais para o relaxamento, como o período noturno e os finais de semana.

Falta de incentivo

Ainda quando se trata dos desafios de equilibrar as atividades das duas carreiras, Barreto-Duarte destacou a falta de infraestrutura e pouco incentivo institucional voltado a esses profissionais. “Ainda tratamos o médico-pesquisador como exceção, não como parte essencial do sistema de saúde”, disse.

“O médico-cientista precisa de carreira formal, tempo protegido e financiamento contínuo, como já ocorre em outros países. Hoje, dependemos de editais curtos e incertos”, complementou. 

“Ciência de qualidade exige constância. É preciso reconhecer o médico-cientista como uma figura estratégica, com bolsas de transição e integração real entre universidades, hospitais e o Sistema Único de Saúde (SUS)”.

Ainda, de acordo com a médica, o investimento na formação de médicos-cientistas é crucial para o desenvolvimento de um sistema de saúde mais inteligente e responsivo. 

Para ler o conteúdo completo sobre as dificuldades na carreira de médicos-cientistas, veja a entrevista nesta matéria do Science Arena.

* É permitida a republicação das reportagens e artigos em meios digitais de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND.
O texto não deve ser editado e a autoria deve ser atribuída, incluindo a fonte (Science Arena).

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