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Para inovar, pesquisadores precisam validar hipóteses além da ciência

Camila Hernandes Pinheiro, diretora de inovação do Einstein, explica a diferença entre invenção e inovação e como transformar pesquisa em negócio

Foto em close-up mostra a mão de uma pessoa, com manga de camisa jeans, escrevendo com caneta laranja sobre uma superfície de vidro transparente. Ao fundo, anotações em azul, laranja e rosa organizam palavras como "Talent", "Growth" e "Leadership" dentro de círculos e setas, remetendo a uma sessão de brainstorming corporativo. Passar da invenção à inovação exige transformar ideias em estratégia de negócio, explica Camila Hernandes Pinheiro, diretora de Alianças e Novos Negócios em Inovação do Einstein Hospital Israelita | Imagem: Unsplash

No ecossistema científico tradicional, o sucesso costuma ser medido pela publicação de artigos em periódicos de prestígio, um fluxo essencial para o avanço teórico do conhecimento, mas que nem sempre se traduz em impacto econômico e social direto. É nessa fronteira que se distinguem dois conceitos frequentemente confundidos: invenção e inovação.

A diferença foi um dos temas discutidos por Camila Hernandes Pinheiro, diretora de Alianças e Novos Negócios em Inovação do Einstein Hospital Israelita, em uma live do Science Arena.

A diferença entre invenção e inovação

Segundo Pinheiro, criar algo inédito em laboratório, como uma nova molécula, uma técnica, um protótipo, constitui uma invenção. A inovação, por sua vez, só ocorre quando essa descoberta é implementada na prática e se transforma em um produto, serviço ou processo capaz de resolver um problema concreto do mercado ou da sociedade.

“Uma coisa é a invenção, você criar algo novo; outra é a inovação, que é de fato implementar aquilo na prática e resolver alguma dor real”, diz Camila Hernandes Pinheiro.

Essa transição, afirma a diretora, exige do cientista uma mudança de mentalidade e o desenvolvimento de competências que vão além do rigor metodológico convencional.

Ciência e mercado mais próximos

Superar o distanciamento histórico e os preconceitos culturais entre a academia e o mercado corporativo é o primeiro grande teste para o pesquisador. Validar hipóteses na arena de negócios significa sair do isolamento da bancada para dialogar com demandas externas.

No setor da saúde, por exemplo, essa validação passa por ouvir médicos, gestores hospitalares e usuários finais, para avaliar se uma tecnologia proposta atende a uma necessidade real do sistema de saúde, se tem viabilidade técnica em escala industrial e se é sustentável do ponto de vista econômico.

“É possível que ao longo da dissertação, da tese de doutorado, o pesquisador se depare com resultados que podem ter o potencial de gerar um novo medicamento, um novo método diagnóstico”, afirma Pinheiro.

Outro passo importante na trajetória de quem quer tirar ideias do laboratório é o conhecimento sobre os processos de propriedade intelectual. Parte do empreendedorismo científico está em saber identificar o momento certo de proteger uma descoberta por meio de patentes — uma decisão estratégica para evitar o licenciamento por terceiros ou uma divulgação precoce que inviabilize negócios com parceiros e financiadores.

Para Pinheiro, o ecossistema científico brasileiro tem capital humano, pessoas talentosas e boas ideias, mas em muitos casos falta o olhar de negócio. É por isso, segundo ela, que iniciativas de capacitação voltadas a startups de base científica cumprem um papel importante na formação do cientista-empreendedor, oferecendo mentoria estruturada para transformar teses e dissertações em produtos inovadores — sem abrir mão da excelência científica e do rigor ético que os fundamentam desde a origem.

Etapas para transformar pesquisa em negócio

1. Diferenciar invenção de inovação: reconhecer que uma descoberta só se torna inovação quando resolve um problema real do mercado ou da sociedade.

2. Dialogar com o mercado: ouvir médicos, gestores e usuários finais para validar necessidade, viabilidade técnica e sustentabilidade econômica da tecnologia.

3. Proteger a propriedade intelectual: identificar o momento certo de patentear uma descoberta, evitando divulgação precoce ou licenciamento por terceiros.

4. Buscar mentoria estruturada: participar de programas de capacitação para startups de base científica, que ajudam a transformar teses e dissertações em produtos viáveis.

Para conhecer mais caminhos para empreender a partir da ciência, assista à conversa completa com Camila Hernandes Pinheiro.

* É permitida a republicação das reportagens e artigos em meios digitais de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND.
O texto não deve ser editado e a autoria deve ser atribuída, incluindo a fonte (Science Arena).

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