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Edifícios inacabados na China ampliam emissões de carbono e riscos à saúde, aponta estudo
Pesquisa quantifica desperdício de 485 milhões de toneladas de materiais, aumento de 9,6% na intensidade de carbono do setor e 2,6 milhões de anos de vida perdidos por incapacidade associados à crise imobiliária chinesa
Edifícios inacabados deixam de ser apenas símbolos de desaceleração econômica para funcionar como vetores de poluição, ineficiência e risco à saúde pública | Imagem: Wayee Tan/Unsplash
A crise imobiliária da China gera consequências que vão além do colapso financeiro: os edifícios inacabados que se acumulam no país tornaram-se ativos obsoletos, incapazes de cumprir sua função habitacional e, ao mesmo tempo, responsáveis por custos substanciais ao meio ambiente e à saúde pública. Esses projetos não entregam nenhum serviço funcional: nem moradia nem uso econômico.
Um estudo publicado na revista científica Cell One Earth, desenvolvido por pesquisadores de China, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Austrália, analisou o volume de obras paralisadas nos últimos anos e estimou o desperdício associado a esses empreendimentos. Os resultados quantificam um problema de proporções significativas.
O que são DALYs?
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Significado da sigla
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DALY significa Disability-Adjusted Life Year — em português, ano de vida ajustado por incapacidade.
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Para que é usada?
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É uma métrica utilizada em saúde pública para quantificar o impacto de doenças, lesões e fatores de risco sobre a população.
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Métrica
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Um DALY equivale à perda de um ano de vida plena — seja por morte prematura, seja por viver com uma incapacidade ou condição crônica.
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Comparação
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A métrica permite comparar o peso de diferentes condições de saúde em uma mesma unidade, facilitando a avaliação de políticas públicas e a alocação de recursos em saúde.
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Poluição gera perdas
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No estudo sobre a crise imobiliária chinesa, os 2,6 milhões de DALYs estimados representam o impacto da poluição do ar — gerada pelas obras paralisadas — sobre a saúde da população das regiões afetadas.
Materiais consumidos, benefícios ausentes
Segundo os autores, 485 milhões de toneladas de materiais (como cimento e aço, além de energia) foram consumidas em construções que não chegaram a ser concluídas, gerando uso intensivo de recursos sem retorno social proporcional.
Esse processo contribui diretamente para um aumento de 9,6% na intensidade de carbono do setor da construção civil, já reconhecido como uma das maiores fontes de emissão de gases de efeito estufa globais.
O impacto climático, destacam os pesquisadores, ocorre independentemente da conclusão das obras.
Saúde em risco
Os efeitos não se limitam ao clima. O estudo aponta que o desperdício de materiais e energia está associado à deterioração da qualidade do ar, fator reconhecido como risco relevante para doenças cardiovasculares e respiratórias. A pesquisa estima 2,6 milhões de DALYs (Disability-Adjusted Life Years, ou anos de vida ajustados por incapacidade) associados à poluição gerada pelas obras paralisadas.
A presença de obras abandonadas em áreas urbanas tende a agravar condições já sensíveis: degradação do ambiente construído, sensação de insegurança e estresse socioeconômico entre as populações afetadas. O cenário acumula cerca de US$ 347 bilhões (R$ 1,7 bilhão) em perdas econômicas.
Projetos inacabados se concentram em subúrbios novos, amplificando desigualdades e a escassez de serviços urbanos.
Como os pesquisadores mediram o impacto
Para obter esses resultados, os pesquisadores cruzaram dados sobre atividade imobiliária, consumo de materiais e emissões do setor, considerando tanto o ciclo de construção quanto os impactos indiretos decorrentes da interrupção das obras.
Essa abordagem permitiu dimensionar não apenas o desperdício físico, mas seus desdobramentos ambientais e sociais ao longo do tempo.
O estudo argumenta que a crise imobiliária chinesa revela um problema estrutural mais amplo: modelos de desenvolvimento urbano descolados de planejamento sustentável e estabilidade econômica tendem a gerar externalidades ambientais e sociais significativas.
Edifícios inacabados deixam de ser apenas símbolos de desaceleração econômica e passam a funcionar como vetores de poluição, ineficiência e risco à saúde pública — um dado que aponta para a necessidade de reorientação nos modelos de desenvolvimento do setor.
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