SOBRE
#Notícias
16.06.2026 Oncologia

Eletroacupuntura pode ajudar contra dor causada pela quimioterapia

Estudo de fase 3 apresentado na ASCO investiga técnica como alternativa não farmacológica para neuropatia periférica em pacientes com câncer

Sessão de eletroacupuntura com diversas agulhas de acupuntura inseridas na pele em pontos específicos na região das costas de uma pessoa deitada Agulhas conectadas a um estimulador elétrico de baixa intensidade podem potencializar efeitos terapêuticos de combate à dor em pacientes oncológicos| Imagem: Shutterstock

A eletroacupuntura pode se tornar uma nova aliada no tratamento da neuropatia periférica induzida por quimioterapia (NPIQ), uma das complicações mais comuns e incapacitantes enfrentadas por pacientes com câncer, aponta um estudo publicado na edição de junho do Journal of Clinical Oncology.

Os dados iniciais do estudo – um ensaio clínico randomizado de fase 3 conduzido nos Estados Unidos – foram apresentados durante a reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), realizada entre 29 de maio e 2 de junho em Chicago (EUA), na sessão sobre Cuidados de Suporte e Medicina Integrativa.

Causada por determinados quimioterápicos e dosagens, a NPIQ pode provocar dor, formigamento, perda de sensibilidade e limitações funcionais, sintomas que podem persistir por meses ou anos, mesmo após o fim do tratamento.

Apesar da alta incidência e de afetar significativamente a qualidade de vida dos pacientes oncológicos, ainda são poucas as alternativas eficazes para seu controle.

Durante a estudo, os pesquisadores buscaram avaliar se a eletroacupuntura – técnica que potencializa a acupuntura tradicional ao conectar correntes elétricas de baixa intensidade às agulhas inseridas nos pontos de acupuntura – seria mais eficaz do que a acupuntura simulada para aliviar a dor neuropática persistente após o tratamento quimioterápico.

A acupuntura é uma das chamadas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), retratadas em reportagem do Science Arena publicada em 2024, sobre como abordagens integrativas podem ser aliadas da oncologia, desde que baseadas em evidências para o manejo dos efeitos adversos do câncer e de seu tratamento. 

No Brasil, a técnica faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), implementada pelo Ministério da Saúde com o objetivo de incorporar e implementar tais práticas no Sistema Único de Saúde (SUS), na perspectiva da prevenção de agravos e da promoção e recuperação da saúde, voltada ao cuidado continuado, humanizado e integral em saúde.  

Alternativa não farmacológica

Para a pesquisa, foram recrutados 255 pacientes que haviam concluído a quimioterapia há pelo menos três meses e apresentavam dor neuropática moderada a intensa. A amostra incluiu pacientes com diversidade racial e étnica e histórico de cânceres de mama, colorretal e de ovário, entre outros tumores. 

Durante a pesquisa, foram realizadas dez sessões ao longo de oito semanas, seguidas de um período de acompanhamento. Os resultados iniciais mostraram uma elevada carga de sintomas, evidenciando a magnitude do problema e a necessidade de novas estratégias de cuidado

Segundo os pesquisadores, o perfil dos participantes representa adequadamente a população afetada pela neuropatia induzida por quimioterapia, fortalecendo o potencial de aplicação dos resultados na prática clínica

Embora as análises de eficácia ainda não tenham sido divulgadas, o estudo reforça a relevância de investigar novas estratégias terapêuticas que possam complementar ou reduzir a dependência de medicamentos para controle da dor em pacientes oncológicos.

De acordo com os resultados preliminares do estudo, a eletroacupuntura poderá se consolidar como uma alternativa não farmacológica para o controle da dor neuropática e para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com diferentes tipos de câncer.

Ainda conforme o estudo, caso os resultados sejam positivos, a intervenção poderá ampliar o conjunto de abordagens integrativas baseadas em evidências disponíveis para o manejo dos efeitos tardios do tratamento oncológico.

As análises de desfecho serão relatadas posteriormente, mas a expectativa é que indiquem se a eletroacupuntura pode oferecer benefícios clínicos relevantes para pacientes sem evidência da doença ou com a doença estável.

* É permitida a republicação das reportagens e artigos em meios digitais de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND.
O texto não deve ser editado e a autoria deve ser atribuída, incluindo a fonte (Science Arena).

Notícias

0 Comentários
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments
Receba nossa newsletter

Newsletter

Receba nossos conteúdos por e-mail. Preencha os dados abaixo para assinar nossa newsletter

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!
Cadastre-se na Newsletter do Science Arena