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Eletroacupuntura pode ajudar contra dor causada pela quimioterapia
Estudo de fase 3 apresentado na ASCO investiga técnica como alternativa não farmacológica para neuropatia periférica em pacientes com câncer
Agulhas conectadas a um estimulador elétrico de baixa intensidade podem potencializar efeitos terapêuticos de combate à dor em pacientes oncológicos| Imagem: Shutterstock
A eletroacupuntura pode se tornar uma nova aliada no tratamento da neuropatia periférica induzida por quimioterapia (NPIQ), uma das complicações mais comuns e incapacitantes enfrentadas por pacientes com câncer, aponta um estudo publicado na edição de junho do Journal of Clinical Oncology.
Os dados iniciais do estudo – um ensaio clínico randomizado de fase 3 conduzido nos Estados Unidos – foram apresentados durante a reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), realizada entre 29 de maio e 2 de junho em Chicago (EUA), na sessão sobre Cuidados de Suporte e Medicina Integrativa.
Causada por determinados quimioterápicos e dosagens, a NPIQ pode provocar dor, formigamento, perda de sensibilidade e limitações funcionais, sintomas que podem persistir por meses ou anos, mesmo após o fim do tratamento.
Apesar da alta incidência e de afetar significativamente a qualidade de vida dos pacientes oncológicos, ainda são poucas as alternativas eficazes para seu controle.
Durante a estudo, os pesquisadores buscaram avaliar se a eletroacupuntura – técnica que potencializa a acupuntura tradicional ao conectar correntes elétricas de baixa intensidade às agulhas inseridas nos pontos de acupuntura – seria mais eficaz do que a acupuntura simulada para aliviar a dor neuropática persistente após o tratamento quimioterápico.
A acupuntura é uma das chamadas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), retratadas em reportagem do Science Arena publicada em 2024, sobre como abordagens integrativas podem ser aliadas da oncologia, desde que baseadas em evidências para o manejo dos efeitos adversos do câncer e de seu tratamento.
No Brasil, a técnica faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), implementada pelo Ministério da Saúde com o objetivo de incorporar e implementar tais práticas no Sistema Único de Saúde (SUS), na perspectiva da prevenção de agravos e da promoção e recuperação da saúde, voltada ao cuidado continuado, humanizado e integral em saúde.
Alternativa não farmacológica
Para a pesquisa, foram recrutados 255 pacientes que haviam concluído a quimioterapia há pelo menos três meses e apresentavam dor neuropática moderada a intensa. A amostra incluiu pacientes com diversidade racial e étnica e histórico de cânceres de mama, colorretal e de ovário, entre outros tumores.
Durante a pesquisa, foram realizadas dez sessões ao longo de oito semanas, seguidas de um período de acompanhamento. Os resultados iniciais mostraram uma elevada carga de sintomas, evidenciando a magnitude do problema e a necessidade de novas estratégias de cuidado.
Segundo os pesquisadores, o perfil dos participantes representa adequadamente a população afetada pela neuropatia induzida por quimioterapia, fortalecendo o potencial de aplicação dos resultados na prática clínica.
Embora as análises de eficácia ainda não tenham sido divulgadas, o estudo reforça a relevância de investigar novas estratégias terapêuticas que possam complementar ou reduzir a dependência de medicamentos para controle da dor em pacientes oncológicos.
De acordo com os resultados preliminares do estudo, a eletroacupuntura poderá se consolidar como uma alternativa não farmacológica para o controle da dor neuropática e para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com diferentes tipos de câncer.
Ainda conforme o estudo, caso os resultados sejam positivos, a intervenção poderá ampliar o conjunto de abordagens integrativas baseadas em evidências disponíveis para o manejo dos efeitos tardios do tratamento oncológico.
As análises de desfecho serão relatadas posteriormente, mas a expectativa é que indiquem se a eletroacupuntura pode oferecer benefícios clínicos relevantes para pacientes sem evidência da doença ou com a doença estável.
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