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	<title>#comunicação | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
	<lastBuildDate>Mon, 20 Jul 2026 14:03:00 +0000</lastBuildDate>
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	<title>#comunicação | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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		<title>Escrita científica e IA: como preservar pensamento crítico e autoria?</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/live-desafios-e-oportunidades-uso-de-ia-na-escrita-cientifica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 15:32:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#escrita científica]]></category>
		<category><![CDATA[#inteligência artificial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Live gratuita do Science Arena, em 27 de julho, discute os desafios e os limites do uso de IA na escrita científica </p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/live-desafios-e-oportunidades-uso-de-ia-na-escrita-cientifica/">Escrita científica e IA: como preservar pensamento crítico e autoria?</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <strong>escrita de um artigo científico </strong>vai muito além da escolha das palavras. Para apresentar uma pesquisa de forma clara e convincente, é preciso compreender os resultados, organizar os argumentos e posicionar os achados diante do conhecimento já produzido na área.</p>



<p>Esse processo costuma trazer dificuldades mesmo para pesquisadores experientes. Como selecionar os resultados mais relevantes? Por onde começar a redação? Como construir uma discussão que não apenas repita os dados, mas demonstre de que maneira o estudo confirma, amplia ou questiona trabalhos anteriores?</p>



<p>Essas são algumas das questões que serão abordadas no próximo encontro virtual do <strong>Science Arena</strong>, que acontece no dia <strong>27 de julho, das 18h30 às 19h30</strong>, com transmissão online e gratuita pelo Zoom.</p>



<p>A convidada é <strong>Érika Rangel</strong>, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita e professora livre-docente da disciplina de Nefrologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).</p>



<p>A live será realizada via <strong>Zoom</strong>, mediante <strong>inscrição gratuita</strong>. Os participantes também poderão enviar perguntas durante a transmissão.</p>



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</div>



<h2 class="wp-block-heading">O que será discutido na live?</h2>



<p>Ao longo do encontro virtual do Science Arena, serão abordados temas como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Por onde começar a escrever um artigo científico;</li>



<li>Por que a transição dos resultados para a discussão é uma etapa crítica;</li>



<li>Diferenças entre a escrita de artigos científicos e de propostas de financiamento;</li>



<li>Como a IA pode ajudar na organização, revisão e aprimoramento dos textos;</li>



<li>Quais tarefas não devem ser transferidas para ferramentas de IA;</li>



<li>Como preservar pensamento crítico, criatividade e autoria intelectual;</li>



<li>Cuidados éticos, privacidade e transparência no uso da IA;</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading">Dos resultados à discussão científica</h2>



<p>Durante o encontro, Érika Rangel abordará os principais desafios envolvidos na redação de artigos científicos e propostas de financiamento: desde a estruturação do texto e a apresentação dos resultados até a construção de uma discussão consistente, capaz de evidenciar a contribuição da pesquisa.</p>



<p>“Se você tem seus resultados prontos, se você tem clareza dos seus achados, seu artigo está praticamente meio caminho andado”, afirma Rangel. </p>



<p>Um dos momentos mais desafiadores, porém, é a passagem dos resultados para a discussão. É nessa etapa que o pesquisador precisa comparar seus achados com a literatura, identificar aproximações e divergências e explicar por que determinado resultado acrescenta algo novo ao conhecimento existente.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/07/erika-rangel-einstein.jpg" alt="Mulher de cabelos loiros posa em um ambiente interno iluminado, com fundo desfocado e elementos de vegetação. A imagem mostra um retrato em plano médio" class="wp-image-9374" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/07/erika-rangel-einstein.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/07/erika-rangel-einstein-800x533.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/07/erika-rangel-einstein-400x267.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/07/erika-rangel-einstein-768x512.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/07/erika-rangel-einstein-150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Érika Rangel, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita e professora da Unifesp, discutirá como a inteligência artificial pode apoiar a escrita científica sem substituir o pensamento crítico, a criatividade e a autoria do pesquisador | Imagem: Arquivo Einstein</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Qual deve ser o papel da inteligência artificial?</h2>



<p>A conversa também discutirá como ferramentas de inteligência artificial (IA) podem ser incorporadas à escrita científica.</p>



<p>Recursos de IA já são utilizados para organizar textos, revisar a gramática, melhorar a clareza de determinados trechos, apoiar levantamentos iniciais da literatura e auxiliar na criação de elementos visuais. Essas aplicações podem reduzir barreiras linguísticas e facilitar etapas operacionais da redação.</p>



<p>O desafio é impedir que a ferramenta assuma tarefas que pertencem ao pesquisador, como interpretar resultados, elaborar hipóteses, avaliar o desenho metodológico, analisar limitações e construir argumentos científicos.</p>



<p>“O pesquisador continua sendo o especialista. É ele que vai interpretar os resultados, fazer a discussão científica, elaborar hipóteses, julgar o desenho metodológico e conhecer as limitações do estudo. Essa avaliação crítica não pode sair do pesquisador”, ressalta Rangel.</p>



<p>Também serão abordados dilemas éticos associados ao uso dessas ferramentas. Entre eles estão a necessidade de declarar sua utilização, a proteção de dados e manuscritos ainda não publicados e os riscos de submeter a sistemas de IA materiais confidenciais.</p>



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</div>



<h2 class="wp-block-heading">Por que não perder esta live gratuita?</h2>



<p>O encontro é voltado a estudantes de pós-graduação, pesquisadores em início de carreira, professores, orientadores e profissionais de diferentes áreas interessados em aprimorar a comunicação de seus trabalhos científicos.</p>



<p>Além de discutir princípios fundamentais da escrita acadêmica, a live pretende ajudar os participantes a refletir sobre decisões práticas: como organizar o processo de redação, como reconhecer as partes que exigem maior elaboração intelectual e como usar a inteligência artificial sem comprometer a qualidade, a originalidade e a integridade da pesquisa.</p>



<p>A discussão parte da experiência de Érika Rangel nas ciências da saúde, tanto como pesquisadora quanto como professora de escrita científica. Os desafios abordados, no entanto, são comuns a diferentes campos do conhecimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Serviço</h2>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>📅 27 de julho de 2026 (segunda-feira) <br>⏰ 18h30 às 19h30 (horário de Brasília) <br>📍 Transmissão online via Zoom </p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Participantes</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Bruno de Pierro — mediador:</strong> jornalista e editor-chefe do Science Arena;</li>



<li><strong>Érika Rangel — convidada:</strong> pesquisadora do Einstein Hospital Israelita, professora da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).</li>
</ul>



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<p>Ou copie e cole o endereço em seu navegador:</p>



<p><a href="https://einstein.zoom.us/webinar/register/WN_RP15WPNxRW2Jlsu8psbfYQ#/registration">https://einstein.zoom.us/webinar/register/WN_RP15WPNxRW2Jlsu8psbfYQ#/registration</a></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quando a ciência ataca quem tem razão</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/quando-a-ciencia-ataca-quem-tem-razao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Indicada]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#ética]]></category>
		<category><![CDATA[#história]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Matt Kaplan, jornalista de The Economist, documenta como paradigmas científicos resistem a ser derrubados e o que isso custa a pesquisadores que ousam questionar o consenso</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE RECOMENDO?</strong></h2>



<p>O livro<em> </em><a href="https://us.macmillan.com/books/9781250372277/itoldyouso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>I Told You So: Scientists Who Were Ridiculed, Exiled, and Imprisoned for Being Right</em></a>, publicado em 2024 pela St. Martin’s Press e escrito por <a href="https://us.macmillan.com/author/mattkaplan" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Matt Kaplan</a>, correspondente de ciência da revista <em>The Economist</em> e ex-pesquisador em paleontologia pela Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA). </p>



<p>O livro foi escrito a partir de dezenas de entrevistas com cientistas ativos e da reconstituição de casos históricos que atravessam quatro séculos de medicina, biologia e paleontologia.</p>



<p>O texto reconstrói o que deveria ser elementar no mundo científico, a ideia de que novos dados podem derrubar consensos, e demonstra, caso a caso, por que isso raramente acontece sem custo pessoal para quem propõe os dados.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>POR QUE ESTE LIVRO É RELEVANTE?</strong></h2>



<p><em>I Told You So</em> tem ambição histórica. Kaplan não se limita a reportar que cientistas foram perseguidos: ele diagnostica o mecanismo. O argumento central é que a resistência a ideias novas não é um defeito ocasional do sistema científico, mas uma consequência estrutural de como paradigmas são construídos, defendidos e financiados.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O caso de Ignaz Semmelweis abre o livro e ancora toda a argumentação. Em 1847, o médico húngaro demonstrou que médicos estavam transmitindo a febre puerperal às parturientes por não lavar as mãos antes dos partos. </p></blockquote></figure>



<p>Semmelweis foi demitido, internado à força em um hospício e morreu sem ver sua hipótese aceita. O que Kaplan mostra é que a resistência ao seu trabalho não veio de ignorância: veio de médicos que compreenderam perfeitamente o que ele estava dizendo e que não podiam aceitar ser, eles próprios, os vetores da doença.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="790" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-790x1200.jpg" alt="Capa do livro I Told You So, de Matt Kaplan, sobre fundo preto. Um feixe de luz amarela parte do canto superior esquerdo em direção ao centro da imagem, iluminando o título em letras vermelhas grandes e, no canto inferior direito, a figura de um cientista de época vestido com manto, segurando um instrumento e apoiado em um globo terrestre. O subtítulo, em letras brancas, diz &quot;Scientists Who Were Ridiculed, Exiled, and Imprisoned for Being Right&quot;. O nome do autor aparece em amarelo na base da capa." class="wp-image-9195" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-790x1200.jpg 790w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-526x800.jpg 526w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-263x400.jpg 263w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-768x1167.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-99x150.jpg 99w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-150x228.jpg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa.jpg 987w" sizes="(max-width: 790px) 100vw, 790px" /><figcaption class="wp-element-caption">Capa de I Told You So: Scientists Who Were Ridiculed, Exiled, and Imprisoned for Being Right (2024), de Matt Kaplan | Imagem: St. Martin&#8217;s Press</figcaption></figure>



<p>O livro também documenta o caso de Mary Schweitzer, paleontóloga que, nos anos 1990, identificou estruturas compatíveis com células vermelhas do sangue em um osso fossilizado de <em>Tyrannosaurus rex </em>com 80 milhões de anos.&nbsp;</p>



<p>A descoberta contrariava o dogma de que tecidos moles não sobrevivem à fossilização. Schweitzer foi atacada por colegas durante duas décadas. Só em 2017, após publicar resultados obtidos em condições hermeticamente controladas, o campo começou a rever sua posição. Ela é hoje considerada a fundadora da paleontologia molecular.</p>



<p>O livro documenta ainda como vieses institucionais se perpetuam: financiamentos negados a pesquisadores que desafiam o consenso, periódicos que rejeitam artigos por razões pessoais e orientadores que instalam nos alunos as mesmas certezas que eles próprios herdaram.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Nós herdamos certas crenças de nossos orientadores”, diz o paleontólogo Johan Lindgren, da Universidade de Lund, ao autor. “E é difícil mudar essa mentalidade herdada.”</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE FAZ DESTE LIVRO UMA LEITURA IMPERDÍVEL?</strong></h2>



<p>Há dois momentos especiais no livro. O primeiro é a cena de abertura. Em 2012, Kaplan presencia um grupo de pesquisadores seniores cercando a doutoranda Alison Moyer — orientanda de Schweitzer — e atacando verbalmente seu pôster em um congresso de paleontologia de vertebrados.&nbsp;</p>



<p>Ela havia questionado se as estruturas identificadas como melanossomos em penas fósseis poderiam ser, na verdade, bactérias. Era uma pergunta cientificamente fundamentada. O campo respondeu com fúria. A cena é perturbadora porque Kaplan estava lá, com o crachá de repórter virado para dentro do bolso, e não desvia o olhar.</p>



<p>O segundo é a trajetória de Alexander Gordon, médico escocês que em 1795, quase meio século antes de Semmelweis, publicou evidências detalhadas de que parteiras e médicos estavam transmitindo a febre puerperal de paciente a paciente. Gordon criou tabelas de contágio com nomes, datas e sequências de transmissão.&nbsp;</p>



<p>Então, publicou, junto com os dados, os nomes das profissionais que identificou como vetores involuntários. A população de Aberdeen se voltou contra ele. Ele fugiu para a Marinha e morreu de tuberculose em alto-mar, aos 47 anos, sem que qualquer de suas conclusões fosse levada a sério.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O livro não é pessimista, tampouco oferece consolo fácil. </p></blockquote></figure>



<p>Kaplan conclui que entender como a ciência falhou no passado é o único caminho para que ela falhe menos no futuro e que o intervalo entre a descoberta e a aceitação tem consequências concretas, medidas em vidas que poderiam ter sido salvas.</p>
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		<item>
		<title>Pesquisadores experientes são parcela expressiva dos autores em revistas predatórias</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/pesquisadores-experientes-sao-parcela-expressiva-dos-autores-em-revistas-predatorias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 May 2026 19:46:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#ética]]></category>
		<category><![CDATA[#revistas predatórias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pressão produtivista e brechas no Qualis favorecem periódicos que dispensam revisão por pares e garantem publicação rápida</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Entre janeiro de 2024 e novembro de 2025, um periódico científico brasileiro publicou 7.138 artigos, média de 300 manuscritos por mês. O alto volume, a cobrança de taxa de publicação e uma política agressiva de solicitação de submissões por e-mail são características que, segundo Jesús Mena-Chalco, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), <strong>enquadram o periódico como predatório</strong>. O nome da revista não é divulgado nesta reportagem a pedido do próprio pesquisador, por temor de represálias.</p>



<p><a href="https://www.linkedin.com/posts/jes%C3%BAs-p-mena-chalco-94b54137_quem-publica-em-revistas-cient%C3%ADficas-predat%C3%B3rias-activity-7400477378218557441-3aU0/?utm_source=share&amp;utm_medium=member_android&amp;rcm=ACoAAAUCQ8kBUmr7zX2o3JZ03MFRP1QRSoL1YPA" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O dado mais relevante da análise de Mena-Chalco</a>, porém, não é o volume de artigos publicados: é o <strong>perfil de quem os assina</strong>. Doutores respondem por cerca de 35% dos autores do periódico, percentual superior ao de mestres (17%) e graduados (12%). </p>



<p>Mais ainda: 82% dos manuscritos publicados tinham ao menos um doutor entre os autores. “Eles não são inexperientes”, resume o professor da UFABC.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como verificar se uma revista é predatória</strong></h2>



<p>Definir com precisão o que é uma <strong>revista predatória</strong> não é tarefa simples. Uma das primeiras respostas da comunidade científica foi criar “listas de bloqueio”, mas a abordagem tem limitações. “Quais são os critérios e quem os define? Em algumas dessas listas, é possível encontrar talvez uma revista de um país emergente, que pode não ser o melhor periódico ou não ter o melhor site, mas não está tentando enganar ninguém”, afirma Lorraine Estelle, colaboradora da iniciativa <a href="https://thinkchecksubmit.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Think.Check.Submit</strong></a>.</p>



<p>A iniciativa optou por um caminho diferente: um <strong>guia de perguntas</strong> para auxiliar pesquisadores a <strong>avaliar um periódico antes de submeter o manuscrito</strong>. Se a resposta for sim à maioria das questões, a probabilidade de se tratar de uma revista predatória é baixa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>CHECKLIST da Think.Check.Submit</strong></h2>



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    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Pergunta 1</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Você ou algum dos seus colegas conhece a revista?</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Pergunta 2</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>É fácil identificar e contactar a editoria do periódico?</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Pergunta 3</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>A revista explica claramente como funciona o processo de revisão por pares?</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Pergunta 4</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Os artigos são indexados ou arquivados em serviços e bancos de dados?</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Pergunta 5</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>É clara a política de cobrança de taxas?</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Pergunta 6</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>São fornecidas diretrizes para autores no site do periódico?</p>
            </dd>
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        <div class="ac-item">
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                <h3>Pergunta 7</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>A editora é membro de iniciativas ou órgãos da área de publicações científicas?</p>
            </dd>
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<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Sempre pensamos que pesquisadores em início de carreira podem ser mais vulneráveis. Mas já tive alguns casos de acadêmicos de alto escalão que entraram em contato e disseram: ‘Fui enganado. Eu publiquei em uma revista predatória&#8221;, afirma Estelle.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Perfil dos autores contraria percepção dominante</strong></h2>



<p>A ideia de que revistas predatórias atraem principalmente <strong>pesquisadores novatos </strong>tem respaldo em literatura científica, mas é contestada por estudos mais recentes.&nbsp;</p>



<p><a href="https://asistdl.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/asi.23265" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um artigo de 2015 que analisou 324 manuscritos</a> em sete periódicos considerados predatórios concluiu que a maioria dos autores era formada por “pesquisadores jovens e inexperientes de países em desenvolvimento”. Análises posteriores chegaram a conclusões distintas.</p>



<p>Outro estudo, que <a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-018-2750-6" target="_blank" rel="noreferrer noopener">examinou mais de 2 milhões de publicações brasileiras entre 2000 e 2015 </a>cruzando dados da plataforma Lattes com informações de listas e índices bibliométricos, como o Directory of Open Access Journals (DOAJ), o Journal Citation Reports (JCR) e o Scimago Journal &amp; Country Rank (SJR), identificou <strong>participação relevante de cientistas experientes</strong> nos periódicos predatórios. </p>



<p>A conclusão: quanto maior o intervalo entre a defesa do doutorado e a data de publicação, maior a probabilidade de o artigo ter sido veiculado em um periódico fraudulento.</p>



<p>Marcelo Perlin, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coautor deste último estudo, reconhece que ainda é difícil traçar um perfil preciso dos autores que publicam em revistas predatórias, mas aponta <strong>pressão e incentivos como fatores centrais</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“No Brasil, pesquisadores experientes muitas vezes estão sob forte pressão para manter índices de produção elevados para garantir bolsas de produtividade e recursos, ao mesmo tempo em que lidam com alta carga burocrática e de ensino. O periódico predatório — que oferece publicação rápida e garantida — pode acabar servindo como uma válvula de escape para manter as métricas exigidas pelo sistema&#8221;, analisa Perlin.</p></blockquote></figure>



<p>Mena-Chalco, da UFABC, aponta que a pressão começa já na pós-graduação. “Em vários programas de pós-graduação, para ser efetivada a defesa, é preciso demonstrar que publicou numa revista”, explica. “Em geral, publicar em revistas de impacto toma tempo e não é de primeira. Então, frente a essa pressão e à facilidade de publicação em revistas predatórias, as pessoas submetem manuscritos a periódicos desse tipo.”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Riscos para a ciência e lacunas na regulação</strong></h2>



<p>A taxa proporcional de publicações predatórias no Brasil ainda é baixa. No estudo de Perlin, não chegava a 1% do total de publicações nacionais. Mas Fhillipe Campos, pesquisador do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), alerta que o problema não deve ser medido apenas em volume.&nbsp;</p>



<p>“Por exemplo, a <strong>ausência de revisão por pares</strong> [etapa essencial na avaliação de manuscritos, dispensada pela maior parte dos periódicos predatórios] representa risco direto à integridade da produção científica”, ele alerta.&nbsp;</p>



<p>“Pode ocorrer que algumas poucas revistas predatórias mobilizem muitos artigos justamente pela característica de facilidade de aceitação de artigos. Isso pode ser um problema”, acrescenta André Appel, também do IBICT.</p>



<p>A regulação do setor é essencialmente autorregulada pela comunidade científica, segundo Campos. No Brasil, o <strong>Qualis</strong> — sistema de avaliação de periódicos mantido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) — deveria funcionar como filtro de qualidade. Mas o mecanismo apresentou falhas.&nbsp;</p>



<p>O modelo histórico do Qualis priorizava o volume de publicações e utilizava bases de dados bibliométricos, como o Scopus e o Google Acadêmico, para aferir impacto. Periódicos predatórios que publicam muitos artigos podiam, assim, acumular métricas favoráveis.</p>



<p>A própria revista analisada por Mena-Chalco é exemplo disso: segundo informações divulgadas no site do periódico, a publicação recebeu classificação A2, segundo maior estrato do Qualis, na avaliação referente ao quadriênio 2017-2020.</p>



<p>Consultada pela reportagem, a Capes reconheceu que o modelo histórico se baseava em práticas do passado, referentes a cada ciclo de avaliação, e admitiu a dificuldade crescente de separar periódicos legítimos dos predatórios, dado que “revistas de um mesmo grupo editorial têm comportamentos bastante distintos em termos de práticas editoriais”.<strong>A partir de 2025, o modelo foi reformulado</strong>. O novo Qualis foca na <strong>qualidade dos artigos</strong>, e não mais dos periódicos. Publicações em revistas com características predatórias, como promessa de publicação rápida, ausência de informações sobre revisão por pares e marketing agressivo, passam a ser classificadas automaticamente no estrato C, o mais baixo.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/pesquisadores-experientes-sao-parcela-expressiva-dos-autores-em-revistas-predatorias/">Pesquisadores experientes são parcela expressiva dos autores em revistas predatórias</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<item>
		<title>Artigos assinados por mulheres levam mais tempo para serem aprovados na revisão por pares</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/artigos-assinados-por-mulheres-levam-mais-tempo-para-serem-aprovados-na-revisao-por-pares/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 19:35:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#equidade]]></category>
		<category><![CDATA[#revisão por pares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisa com mais de 7 milhões de publicações em biomedicina e ciências da vida quantifica diferença de até 14,6% no tempo de revisão entre autoras e autores</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/artigos-assinados-por-mulheres-levam-mais-tempo-para-serem-aprovados-na-revisao-por-pares/">Artigos assinados por mulheres levam mais tempo para serem aprovados na revisão por pares</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Manuscritos submetidos por <strong>mulheres</strong> nas áreas de <strong>biomedicina</strong> e <strong>ciências da vida</strong> permanecem na <strong>revisão por pares</strong> por mais tempo do que aqueles enviados por autores homens. A diferença média varia de <strong>7,4% a 14,6%</strong> — e configura mais uma das <strong>barreiras estruturais enfrentadas por pesquisadoras </strong>no ambiente acadêmico.&nbsp;</p>



<p>A constatação é de um <a href="https://journals.plos.org/plosbiology/article?id=10.1371/journal.pbio.3003574" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo publicado em janeiro de 2026</a> no periódico <a href="https://journals.plos.org/plosbiology/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>PLOS Biology</em></a><em>,</em> que analisou dados de mais de 7 milhões de artigos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A desigualdade em números</strong></h2>



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    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
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                <h3>Diferença no tempo de revisão</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Artigos assinados por mulheres levam entre 7,4% e 14,6% mais tempo para ser aprovados na revisão por pares do que os de autoria masculina, em biomedicina e ciências da vida.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
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                <h3>Primeira autoria: dias em revisão</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Quando a primeira autora é mulher, o artigo fica em média 101 dias sob revisão — contra 94 dias quando o primeiro autor é homem.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
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                <h3>Autoria exclusiva: dias em revisão</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Artigos assinados exclusivamente por mulheres ficam em revisão por 99 dias em média, ante 90 dias para os de autoria integralmente masculina.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Escala da pesquisa</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>O estudo partiu de 36 milhões de artigos indexados no PubMed. Após excluir publicações com dados incompletos, a análise se concentrou em 7,75 milhões de artigos distribuídos em 8.860 periódicos de biomedicina e ciências da vida.</p>
            </dd>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como o estudo foi conduzido</strong></h2>



<p>A pesquisa partiu de um banco com mais de 36 milhões de artigos indexados no <strong>PubMed</strong>, repositório mantido pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, que reúne publicações em ciências da vida e biomedicina.&nbsp;</p>



<p><strong>Cerca de 7 milhões de artigos</strong> foram efetivamente analisados após a exclusão de publicações com dados incompletos, como ausência de datas de submissão ou aceite.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Para medir o tempo de revisão, os autores consideraram o intervalo entre a submissão do artigo e sua aprovação final. Nesse período, os manuscritos passam por avaliação editorial, revisão externa por pares, pedidos de revisão e resposta dos autores, ciclo que pode se repetir diversas vezes.</p></blockquote></figure>



<p>A escolha pelas áreas de ciências da vida e biomedicina também foi estratégica: <strong>cerca de 36% de todos os artigos científicos publicados anualmente no mundo</strong> pertencem a esses campos, o que torna os resultados especialmente representativos.</p>



<p>O estudo foi coordenado por David Alvarez-Ponce, professor associado do Departamento de Biologia da <a href="https://www.unr.edu/biology" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Universidade de Nevada, Reno</a> (EUA), com formação em biologia evolutiva e ciências da computação. </p>



<p>O interesse pelo tema surgiu após contato com pesquisas semelhantes no campo da economia: <a href="https://www.econstor.eu/handle/10419/282857" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um desses estudos, publicado em 2023</a>, analisou mais de 26 mil artigos em 32 periódicos de economia e finanças e identificou que trabalhos de autoria feminina passavam por mais rodadas de revisão.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os números da desigualdade</strong></h2>



<p>Os dados revelam diferenças consistentes a depender da posição de autoria. Artigos em que mulheres figuram como <strong>primeiras autoras</strong> ficaram em revisão por cerca de <strong>101 dias,</strong> contra 94 dias quando o primeiro autor era homem.&nbsp;</p>



<p>Já artigos com autoria <strong>exclusivamente feminina</strong> permaneceram cerca de <strong>99 dias</strong> em revisão, ante 90 dias para artigos de autoria exclusivamente masculina.</p>



<p>&#8220;Cientistas estão se tornando cada vez mais conscientes de diferenças de gênero. Eles estão começando a pesquisar sobre o assunto. Esse tema está revelando algumas diferenças, como que em algumas situações as mulheres podem ser discriminadas, em outras talvez não, ou não tanto&#8221; escreveram os autores.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O estudo não investigou as causas do fenômeno. Isso exigiria uma análise detalhada de cada etapa do processo editorial. Uma hipótese levantada pelos autores é que pesquisadoras acumulam mais responsabilidades domésticas e educativas, o que poderia reduzir sua disponibilidade para responder rapidamente a pedidos de revisores e editores.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pesquisadoras brasileiras confirmam o cenário</strong></h2>



<p>Marcia Barbosa, reitora da <a href="https://www.ufrgs.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)</a> e membro titular da <a href="https://www.abc.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Academia Brasileira de Ciências (ABC)</a>, afirma que os resultados do estudo não a surpreendem. </p>



<p>Ela mesma já vivenciou demoras excessivas na revisão de seus artigos.</p>



<p>A física, que acompanha de perto o debate sobre <strong>equidade de gênero na ciência</strong> desde os primeiros anos de carreira, acredita que soluções pontuais — como revisão cega ou estabelecimento de prazos máximos para avaliação — têm valor, mas não são suficientes.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;A mudança macroscópica passa por ensinar as questões de gênero em escolas e universidades de uma maneira organizada&#8221;, afirma Marcia Barbosa.</p></blockquote></figure>



<p>Letícia de Oliveira, neurocientista da Universidade Federal Fluminense (UFF) e presidente da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), também relata ter sentido lentidão na revisão de artigos que submeteu.</p>



<p>Para Oliveira, o problema é sintoma de dois obstáculos maiores: a dificuldade de mulheres alcançarem posições de prestígio na hierarquia científica e sua sub-representação em determinadas áreas, especialmente em tecnologia.&nbsp;</p>



<p>Ela cita um <a href="https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0189136" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo publicado em 2018</a> que avaliou periódicos de alta qualidade listados no <em>Nature Index</em>: quanto maior o fator de impacto de uma revista, menor a chance de mulheres figurarem em posições de destaque na autoria.</p>



<p>&#8220;Nós temos dificuldade de publicar em posições chaves, não é só o tempo requerido para a publicação. O problema também é conseguir publicações em revistas de impacto&#8221;, diz Oliveira.</p>
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		<item>
		<title>Colaboração entre pesquisadores: saiba como driblar os desafios na comunicação e fortalecer laços</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/colaboracao-entre-pesquisadores-saiba-como-driblar-os-desafios-na-comunicacao-e-fortalecer-lacos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 15:03:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[#colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A conexão com um profissional de outra área envolve não só competências técnicas, mas também habilidades interpessoais</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O processo de uma pesquisa científica envolve diversas etapas. Muitos projetos exigem a colaboração com pesquisadores de outras áreas, algo capaz de enriquecer um trabalho, ainda mais em meio a assuntos complexos e globais.&nbsp;</p>



<p>Ao entrar em contato com outros profissionais, muitos acadêmicos podem encontrar um desafio: a dificuldade na comunicação. No entanto, esse problema pode ser resolvido com algumas técnicas para que o trabalho seja desenvolvido de maneira eficiente.&nbsp;</p>



<p>Além disso, a busca pela conexão com o outro requer habilidades interpessoais, a fim de estabelecer uma relação saudável com o colaborador.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A necessidade de uma boa relação humana</strong></h2>



<p><a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/colaboracao-interdisciplinar-ciencia-e-tambem-sobre-encontros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em entrevista ao Science Arena</a>, a pesquisadora Lis Leão, do Einstein Hospital Israelita e referência em estudos sobre natureza, saúde e bem-estar, destacou que quando um pesquisador encontra outra pessoa para auxiliar em sua pesquisa, é preciso que o interesse seja genuíno.</p>



<p>“Você precisa ir atrás também da informação do outro que está compondo a sua equipe, para entender um pouco o que ele faz”, disse Lis. “Tem uma mistura de proficiência técnica e, também, de habilidades interpessoais”, acrescentou. De acordo com a pesquisadora, o “contrato científico” é decorrente do relacionamento, e não o contrário.&nbsp;</p>



<p>Para uma melhor compreensão, ela exemplificou: na Europa, é comum o lançamento de editais por parte dos pesquisadores para, em seguida, colocá-los em plataformas para que alguém demonstre interesse pela área. No entanto, essa interação espontânea não acontece facilmente, por conta da necessidade de um relacionamento prévio entre as pessoas. “Você tem que ter uma relação de confiança”, ressaltou.</p>



<p>Confira na íntegra a entrevista de Lis Leão ao Science Arena:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Colaboração na ciência: como construir pontes entre áreas | Science Arena Encontros – Ep. 4" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/nQrq00eG6XM?list=PLB_rcPiqiMPzCD3pOBdwEsLEdwBN2yr7x" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A importância de uma linguagem comum</strong></h2>



<p>Quando o pesquisador cria uma conexão com outro profissional, é importante que se estabeleça uma linguagem em comum. Isso porque muitos termos técnicos podem aparecer em uma conversa e, assim, prejudicar o entendimento.&nbsp;</p>



<p>Nesse caso, Lis orienta o uso de metáforas para que uma boa comunicação seja desenvolvida. A pesquisadora ilustra: quando deseja falar sobre o cuidado com as pessoas e o planeta, ela pergunta para um cientista de dados que está colaborando com o trabalho como ele costuma cuidar das informações que coleta.</p>



<p>“Assim, eu chego em um lugar que é mais fácil de conversar, porque você vai explicar como cuida dos dados e eu vou tentar entender algumas coisas”, acrescentou.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vibrar pelas conquistas do outro</strong></h2>



<p>A relação com colaboradores vai além da realização dos objetivos de pesquisa de cada um.  Outro elemento essencial é o fortalecimento dos laços. Uma maneira de realizar esse processo é vibrar pela conquista do colega quando, por exemplo, ele publica uma pesquisa. “Todo mundo que está na ciência sabe como é para conquistar as coisas”, destacou Lis.Para ler o conteúdo completo sobre a importância de construir e manter laços com pesquisadores de outras áreas científicas, <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/colaboracao-interdisciplinar-ciencia-e-tambem-sobre-encontros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">veja a entrevista nesta matéria do Science Arena</a>.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/colaboracao-entre-pesquisadores-saiba-como-driblar-os-desafios-na-comunicacao-e-fortalecer-lacos/">Colaboração entre pesquisadores: saiba como driblar os desafios na comunicação e fortalecer laços</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Guia coloca a comunicação no centro do processo científico</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/guia-coloca-a-comunicacao-no-centro-do-processo-cientifico/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/guia-coloca-a-comunicacao-no-centro-do-processo-cientifico/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 19:22:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lançado em acesso aberto, livro apresenta ferramentas práticas para integrar a comunicação ao processo científico, com foco em objetivos, públicos e impacto social</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/guia-coloca-a-comunicacao-no-centro-do-processo-cientifico/">Guia coloca a comunicação no centro do processo científico</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Comunicar ciência vai além de publicar artigos ou divulgar descobertas nas redes sociais. Trata-se de uma dimensão essencial da prática científica, capaz de tornar o conhecimento mais significativo e socialmente relevante.</p>



<p>Disponível em acesso aberto pela Taylor &amp; Francis, o livro <a href="https://www.taylorfrancis.com/books/oa-mono/10.4324/9781003493938/science-communication-scientists-john-besley-anthony-dudo-laura-lindenfeld-todd-newman-xia-zheng" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Science Communication for Scientists – Linking Strategy with Creativity, Practice and Respect</em></a> sistematiza essa mudança de perspectiva ao defender a comunicação como componente central do processo científico, e não como uma etapa posterior à pesquisa.<br><br>A obra é assinada por Laura Lindenfeld, John C. Besley, Xia Zheng, Anthony Dudo e Todd P. Newman, pesquisadores reconhecidos internacionalmente no campo da comunicação pública da ciência. </p>



<p>Na introdução, os autores argumentam que muitos dos avanços científicos que moldaram a vida contemporânea só se concretizaram porque ideias e descobertas puderam circular e ser apropriadas socialmente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Crise de confiança reforça papel estratégico da comunicação</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="722" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/03/science-communication.png" alt="Capa do livro Science Communication for Scientists – Linking Strategy with Creativity, Practice and Respect, publicado pela Taylor &amp; Francis" class="wp-image-8067" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/03/science-communication.png 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/03/science-communication-800x481.png 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/03/science-communication-400x241.png 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/03/science-communication-768x462.png 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/03/science-communication-150x90.png 150w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Livro Science Communication for Scientists – Linking Strategy with Creativity, Practice and Respect, publicado pela Taylor &#038; Francis em acesso aberto, propõe integrar comunicação científica ao próprio processo de pesquisa</figcaption></figure>



<p>O livro reconhece que a comunidade científica enfrenta crescentes desafios de credibilidade e influência. Em um cenário marcado por desinformação e distanciamento entre ciência e políticas públicas, comunicar ciência de forma estratégica deixou de ser acessório e passou a ser necessidade estrutural.</p>



<p>A publicação critica abordagens limitadas e reativas — como releases, posts em redes ou divulgação pontual — e propõe um modelo integrado à própria prática científica. O objetivo não é apenas ampliar o alcance da pesquisa, mas também gerar impacto positivo e engajamento com a sociedade.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>“Comunicação científica não é o mesmo que educação científica. [&#8230;] Uma diferença importante é que a educação enfatiza os impactos nos estudantes — enquanto a comunicação também enfatiza os impactos sobre os comunicadores&#8221;, afirmam os autores.</em></p></blockquote></figure>



<p>Na primeira parte do livro, os autores discutem os fundamentos estratégicos da comunicação científica. Refletem sobre por que, para quem e com quais objetivos comunicar, reforçando que não existe comunicação neutra ou genérica.</p>



<p>Já na segunda parte, o foco recai sobre competências essenciais: projetar mensagens eficazes, criar narrativas envolventes e empregar recursos visuais para aumentar a compreensão. A ideia central é que forma e conteúdo são indissociáveis na promoção do engajamento público.</p>



<p>A terceira parte explora os diversos canais — desde interações presenciais e redes sociais até o diálogo com jornalistas, gestores públicos e equipes interdisciplinares. O guia inclui também orientações para comunicação em contextos colaborativos e na organização de eventos científicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Transdisciplinaridade e inclusão na produção científica</strong></h2>



<p>O livro destaca a distinção entre interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. Enquanto a primeira envolve cientistas de diferentes áreas, a segunda inclui a colaboração direta com comunidades e partes interessadas fora do universo acadêmico.</p>



<p>Essa abordagem demanda atenção especial à dinâmica da comunicação, já que envolve atores com repertórios e expectativas diversos. Modelos como a Pesquisa Participativa Baseada na Comunidade (CPBR) são apresentados como exemplos de cooperação eficaz e ética.</p>



<p>Um dos grandes diferenciais da obra é a inclusão de exercícios testados em sala de aula. Os leitores são convidados a analisar campanhas reais — de ciência cidadã a ações sobre vacinação e mudanças climáticas — e refletir sobre coerência entre mensagem, público e missão institucional.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>“Muitas vezes esquecemos que nós, como seres humanos, somos os que estão no mundo fazendo o trabalho, o que envolve interagir com pessoas que podem ou não valorizar o que fazemos”, escrevem os autores.</em></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Comunicação baseada no diálogo e construção coletiva</strong></h2>



<p>Um dos eixos centrais do livro é a defesa de modelos de comunicação científica fundamentados no diálogo, em contraste com abordagens unidirecionais focadas apenas na transmissão de informação. Para os autores, comunicar ciência significa criar oportunidades sustentadas de escuta e troca com públicos diversos — e não apenas falar “para” as pessoas.</p>



<p>Essa mudança de perspectiva exige reconhecer que diferentes públicos têm valores, saberes e prioridades legítimas, que precisam ser considerados na formulação das mensagens. Ao se abrir para o diálogo, o cientista não apenas transmite conhecimento, mas também aprende com os interlocutores, criando conexões mais significativas e duradouras.</p>



<p>O livro também ressalta a importância da colaboração entre cientistas e comunicadores profissionais, como jornalistas e assessores de comunicação pública. Uma comunicação científica consistente e de qualidade, argumentam os autores, depende da disposição dos pesquisadores em desenvolver competências comunicacionais e em trabalhar de forma integrada com esses profissionais.</p>



<p>Ao lembrar que as palavras comunicação e comunidade compartilham a mesma origem, o livro encerra com um chamado à construção coletiva. Comunicar ciência é criar espaços de pertencimento, troca e cooperação, fortalecer uma comunidade científica mais aberta, diversa, cooperativa — e preparada para os desafios do presente.</p>
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		<title>Editoras científicas como &#8220;curadoras de contexto&#8221; na era da IA</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/editoras-cientificas-como-curadoras-de-contexto-na-era-da-ia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 18:14:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#computação]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#editoras científicas]]></category>
		<category><![CDATA[#inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[#redes neurais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Publicações devem transformar artigos estáticos em “objetos de conhecimento” acessíveis a máquinas, defende consultor em mercado editorial</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se nas últimas duas décadas a <strong>acessibilidade dos papers</strong> foi um debate central para <strong>editoras científicas</strong>, o cenário parece agora estar mudando. Para <strong>Steve Smith</strong>, fundador da consultoria <a href="https://www.stem-kp.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener">STEM Knowledge Partners</a>, nos Estados Unidos, a questão atual gira em torno de <strong>como ferramentas computacionais exigem a reinvenção do modelo editorial científico</strong>.</p>



<p>Em <a href="https://www.researchinformation.info/analysis-opinion/from-access-to-answers-knowledge-as-a-service/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma análise publicada no portal <em>Research Information</em></a>, o especialista em <strong>mercado editorial científico </strong>propõe que o setor supere o modelo focado em conteúdo “estático” e migre para o que ele define como &#8220;<strong>conhecimento computacional</strong>&#8221; — informações estruturadas, conectadas e contextualizadas para serem reutilizadas em larga escala por máquinas.</p>



<p>No artigo, Smith argumenta que a consolidação de ferramentas de <strong>inteligência artificial</strong> (IA) como o ChatGPT, capazes de analisar rapidamente grandes volumes de publicações científicas, exige que editoras repensem seus produtos.</p>



<p>Ele defende que o conhecimento científico não pode mais ser apresentado apenas como artigos estáticos disponíveis em PDF, mas sim como <strong>objetos de conhecimento</strong>,ou seja, produtos consistentes compostos por imagens, legendas, detalhes metodológicos e proveniência de dados, todos estruturados para análises confiáveis feitas por ferramentas computacionais.</p>



<p>“O que está emergindo é um modelo de ‘<strong>conhecimento como serviço</strong>”, escreve Smith, referindo-se ao conceito conhecido como <strong>knowledge-as-a-service</strong>. Trata-se, explica o autor, de uma forma de <strong>entregar o significado essencial e estruturado da pesquisa</strong>, e não apenas seus resultados formatados.</p>



<p>Nesse modelo, dados e informações são processados, muitas vezes com auxílio de IA e aprendizado de máquina (como redes neurais), a fim de responder a perguntas, resolver problemas complexos e apoiar a tomada de decisão em tempo real.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A última era da publicação científica foi marcada pela publicação de artigos científicos e dados de pesquisa em acesso aberto. “A nova era buscará conectar ‘salas’: articular pessoas, máquinas e significados por meio de uma infraestrutura confiável”, avalia Smith.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Riscos de ficar para trás</strong></h2>



<p>O consultor alerta que, sem adaptação, editoras científicas podem perder protagonismo — como já ocorreu em outras circunstâncias. Ele cita o caso da plataforma <strong>Google Acadêmico</strong> (Google Scholar), que integrou modelos de citação desenvolvidos por publicações científicas.</p>



<p>Também menciona a ascensão do site <strong>Sci-Hub</strong>, usado por muitos cientistas para contornar paywalls das editoras.</p>



<p>“A oportunidade do ‘conhecimento como serviço’ pode seguir a mesma trajetória se as editoras não agirem”, resume Smith no artigo.</p>



<p>Para viabilizar o chamado “conhecimento como serviço”, Smith propõe três requisitos fundamentais:</p>



<h3 class="wp-block-heading" style="font-size:15px">Interoperabilidade de sistemas digitais</h3>



<p>A construção e incorporação de sistemas digitais compatíveis e interconectados é essencial, segundo Smith. Se existir uma variedade de interfaces de programação sem compatibilidade entre elas, haverá fragmentação.</p>



<p>O objetivo de consolidar objetos de conhecimento confiáveis com proveniência acessível não será alcançado sem essa interoperabilidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading" style="font-size:15px">Governança confiável</h3>



<p>Quando máquinas (as ferramentas de IA) se tornarem consumidoras importantes de conteúdo científico, a reputação de grandes publicações não será mais a forma central de assegurar a confiabilidade do conhecimento veiculado.</p>



<p>Nesse cenário, a verificação de proveniência será valiosa, e o desenvolvimento de políticas de governança se torna crucial. Smith aponta a necessidade de transparência sobre como máquinas consomem conteúdo, como dados são atualizados ou deletados e como a fonte do conteúdo é checada.</p>



<h3 class="wp-block-heading" style="font-size:15px">Transparência sobre preços e direitos</h3>



<p>A terceira etapa envolvida no estabelecimento do conhecimento como serviço é a transparência sobre preços e direitos. A partir de políticas comprometidas em fornecer informações claras para clientes, editoras científicas poderão gerar confiança naqueles que pagam por seus serviços nesse novo modelo de negócio.</p>



<p>Embora considere a transformação digital como fator fundante para as mudanças de mercado no mundo das publicações científicas, o especialista ressalta as limitações atuais das ferramentas de IA.</p>



<p>Inteligências artificiais podem acessar grandes volumes de conteúdo rapidamente, mas ainda têm dificuldades em compreender materiais de forma completamente adequada e inter-relacionada, observa Smith.</p>



<p>Para ele, cabe às editoras científicas, definidas por Smith como &#8220;curadoras de contexto&#8221;, gerar as conexões entre diferentes conteúdos, consolidando o modelo de conhecimento como serviço.</p>
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		<title>Rita Lobo: “A ciência tem impacto quando chega à mesa das pessoas”</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/rita-lobo-a-ciencia-tem-impacto-quando-chega-a-mesa-das-pessoas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jan 2026 22:16:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#alimentos]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[#transdisciplinaridade]]></category>
		<category><![CDATA[#ultraprocessados]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chef e apresentadora fala sobre parceria com cientistas e criação de estratégias contra má alimentação no Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A chef e apresentadora de TV<strong> Rita Lobo</strong> é um dos nomes mais reconhecidos da <strong>culinária brasileira</strong>, mas sua atuação há muito transcendeu o preparo de receitas saborosas. Criadora do <em>Panelinha</em>, iniciativa multiplataforma dedicada a melhorar a alimentação das pessoas, Rita se tornou uma voz importante na <strong>comunicação de saúde pública no Brasil</strong>, atuando como <strong>interlocutora entre o rigor acadêmico e a mesa da população</strong>.</p>



<p>Embora não seja cientista de formação, a chef colabora há mais de uma década com o <a href="https://www.fsp.usp.br/nupens/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde</a> (<strong>Nupens</strong>) da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), coordenado por <strong>Carlos Monteiro</strong>.</p>



<p>A parceria, formalizada em 2014, ajudou a <strong>transformar evidências científicas</strong> — como a classificação de alimentos por grau de processamento — em <strong>ferramentas práticas para enfrentar o avanço dos ultraprocessados</strong> (formulações industriais com aditivos químicos e excesso de sal, açúcar e gordura).</p>



<p>Essa colaboração é um exemplo do que os filósofos da ciência Silvio Funtowicz e Jerome Ravetz chamam de “<strong>comunidade ampliada de pares</strong>”, na qual <strong>cientistas e outros atores sociais trabalham juntos para lidar com problemas complexos</strong>, tais como insegurança alimentar e o aumento da obesidade no mundo.</p>



<p>Da <strong>união entre a pesquisa epidemiológica e a experiência em falar de culinária para um grande público </strong>surgiram projetos de grande impacto, como os livros <em>Cozinha a quatro mãos</em> e <em>Comida de Bebê</em>, além de séries de TV que promovem a dieta brasileira.</p>



<p>Filha de uma antropóloga e de um engenheiro, ambos professores universitários, Rita não apenas “traduz” o conhecimento técnico, mas o tensiona com <strong>questões do mundo real</strong>, como a <strong>divisão do trabalho doméstico</strong> e a <strong>organização da alimentação</strong>.</p>



<p>Esse trabalho a levou a espaços tradicionalmente reservados à academia, como congressos internacionais e o lançamento da <a href="https://www.thelancet.com/series-do/ultra-processed-food" target="_blank" rel="noreferrer noopener">série sobre ultraprocessados da revista <em>The Lancet</em></a>. Nesses fóruns, a profissional defende a “<strong>comida de verdade</strong>” e sustenta que cozinhar é um aprendizado libertador e um instrumento de transformação social.</p>



<p>Na entrevista a seguir, Rita Lobo fala sobre suas parcerias com pesquisadores, os desafios de transitar no meio acadêmico e explica por que a cozinha é, em última instância, um elo direto com a saúde pública.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena: Como você vê hoje a sua atuação em congressos científicos e a parceria de mais de uma década com o Nupens da USP?</strong></h2>



<p><strong>Rita Lobo:</strong> O Nupens tem um convênio formal com o Panelinha para criar conteúdo baseadoemevidências científicas. Tudo começou em 2014, com a publicação do <em>Guia Alimentar para a População Brasileira</em>, que indicava meu livro <em>Panelinha</em> como referência para uma alimentação saudável.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>O professor Carlos Monteiro, da USP, e eu entendemos que poderíamos unir o conceito científico com a prática da cozinha.</p></blockquote></figure>



<p>Enquanto a ciência traz o conceito, o Panelinha mostra como executar no dia a dia. Nosso objetivo é criar conteúdos baseados em evidências e que levem as pessoas de volta para a cozinha, tirando os ultraprocessados da mesa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>De que maneira a base científica aparece nos projetos práticos que você desenvolve?</strong></h2>



<p>Olho para os dados que a ciência aponta e busco soluções práticas. Por exemplo, ao notar que o consumo de hortaliças estava caindo no Brasil, criei o projeto “<em>O que tem na geladeira?</em>”, com 200 receitas baseadas nos 30 legumes e verduras mais populares do país.</p>



<p>Outro exemplo é o livro &#8220;<em>Comida de Bebê</em>&#8220;: percebemos que a introdução alimentar é uma janela de oportunidade para melhorar a dieta da casa toda. Mostramos que comida de bebê não é papinha, é &#8220;pê-efinho&#8221;.</p>



<p>Os pais aprendem que o que o bebê come é o que os adultos também deveriam comer: cereais, leguminosas, hortaliças e carnes e ovos.</p>



<p><strong>Você menciona o &#8220;pê-efe&#8221; (prato feito) quase como uma fórmula. Como a ciência ajudou a refinar esse conceito?</strong></p>



<p>Aprendo muito com meus livros: cada projeto é como um mestrado para mim! O “prato feito” é uma fórmula, já que é possível propor combinações nutricionalmente equivalentes, mantendo os quatro grupos alimentares.</p>



<p>Ele combina de forma balanceada quatro grupos que deveríamos consumir todos os dias: hortaliças (legumes e verduras), cereais, raízes e tubérculos (como arroz, batata, farinha de mandioca etc.), leguminosas (todos os tipos de feijão) e carnes e ovos, para quem consome, claro.</p>



<p>De um lado do prato, hortaliças, do outro, arroz e feijão e carne. Um prato de homus, tabule e berinjela recheada, em termos nutricionais, equivale a um pê-efe.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="512" height="640" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/rita-lobo-lancet-1.png" alt="Encontro presencial após evento científico, com participantes conversando informalmente em um auditório, sob projeção da revista The Lancet ao fundo" class="wp-image-7540" style="aspect-ratio:3/2;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/rita-lobo-lancet-1.png 512w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/rita-lobo-lancet-1-320x400.png 320w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/rita-lobo-lancet-1-120x150.png 120w" sizes="auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px" /><figcaption class="wp-element-caption">Rita Lobo (no centro da imagem) conversa com pesquisadores durante o lançamento da série da revista The Lancet sobre alimentos ultraprocessados e saúde humana, em evento realizado em Londres, no Reino Unido, em novembro de 2025 | Imagem: Arquivo Panelinha </figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em seus discursos, você enfatiza que a alimentação saudável é indissociável da divisão de tarefas na casa. Por que esse recorte é tão central?</strong></h2>



<p>Porque ultraprocessados também são uma questão de gênero. Nesse sentido, trago o olhar da cozinha, da prática, e ajudo a pautar discussões que vão além dos nutrientes.</p>



<p>No Brasil, a responsabilidade pela alimentação ainda recai majoritariamente sobre as mulheres. Se essa mulher trabalha, estuda e ainda tem que dar conta da cozinha sozinha, ela vai acabar recorrendo ao &#8220;macarrão com nuggets&#8221; por pura sobrecarga.</p>



<p>Defendo que a alimentação não é assunto de &#8220;dona de casa&#8221;, é assunto da casa. Sem divisão de tarefas (planejar, cozinhar, comprar, limpar), não há comida de verdade na mesa.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Eu reforço, nos congressos científicos e médicos dos quais participo, que a cozinha é o elo direto com a saúde pública.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como tem sido a recepção do seu trabalho em congressos médicos?</strong></h2>



<p>Eu tento dar uma &#8220;chacoalhada&#8221; nesses eventos. E é necessário. Recentemente, em um congresso com auditório cheio de médicos, apenas uma pessoa soube definir conceitualmente o que era um alimento ultraprocessado. <del></del></p>



<p>Meu papel é mostrar que cozinhar é uma ferramenta de saúde, não é dom nem arte; é um aprendizado libertador que dá autonomia para uma vida mais saudável.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/carlos-monteiro-usp-1200x800.jpg" alt="Professor Carlos Monteiro, da USP, em palco escuro, usando paletó e camisa social clara, fala ao público com gestos expressivos enquanto segura anotações na mão" class="wp-image-7547" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/carlos-monteiro-usp-1200x800.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/carlos-monteiro-usp-800x533.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/carlos-monteiro-usp-400x267.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/carlos-monteiro-usp-768x512.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/carlos-monteiro-usp-1536x1024.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/carlos-monteiro-usp-150x100.jpg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/carlos-monteiro-usp.jpg 1620w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Parceiro de Rita Lobo na promoção da alimentação saudável, o médico epidemiologista Carlos Monteiro, da USP, é o criador da classificação Nova, que separa os alimentos em grupos que vão dos não ou minimamente processados aos ultraprocessados; considerado um dos cientistas mais importantes do mundo, Monteiro foi reconhecido pelo jornal estadunidense <em>The Washington Post </em>como uma das pessoas mais influentes de 2025 | Imagem: Marcos Santos / USP Imagens</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A classificação dos alimentos por grau de processamento ainda gera resistência no meio acadêmico ou médico?</strong></h2>



<p>Sim, porque ela incomoda narrativas estabelecidas. Há profissionais da saúde que focam apenas em macronutrientes, dizendo para comer mais proteína e tirar carboidrato, ignorando se essa proteína vem de um iogurte ultraprocessado cheio de adoçante e conservante.</p>



<p>A ciência mostra que o corpo às vezes nem entende aquilo como alimento. É um conflito de visões entre olhar para o alimento ou apenas para o nutriente. A classificação dos alimentos por grau de processamento está conseguindo quebrar paradigmas na nutrição mundial.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Que conselho você daria para pesquisadores em início de carreira que desejam causar mais impacto na sociedade?</strong></h2>



<p>Invistam na forma de explicar a sua pesquisa. Hoje existem ferramentas que ajudam a comunicar melhor e a tirar o &#8220;tom acadêmico&#8221; para alcançar mais pessoas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Minha parceria com o Nupens-USP deu certo porque houve um alinhamento ético: eles têm a evidência e eu tenho habilidades de comunicação e a convicção de nunca fazer publicidade para ultraprocessados.</p></blockquote></figure>



<p>Se a orientação é comer comida de verdade, alguém precisa ensinar como ela chega à mesa; a ciência e a cozinha precisam caminhar juntas para mudar a saúde pública.</p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Existe mesmo uma crise de confiança na ciência?</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/comunicacao-e-crise-de-confianca-na-ciencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Dec 2025 21:36:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#credibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[#cultura científica]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=7428</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em editorial, The Lancet sugere que confiança pública na ciência é relativamente alta, mas divulgação científica ainda é ponto crítico </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em <a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(25)02371-2/fulltext" target="_blank" rel="noreferrer noopener">editorial publicado no dia 29 de novembro</a> na revista <em>The Lancet</em>, <strong>Richard Horton</strong>, editor-chefe do periódico, lançou uma <strong>pergunta provocativa</strong> — e a utilizou para virar de ponta-cabeça uma narrativa que se consolidou no debate público: <strong>a ideia de que vivemos uma erosão crescente da confiança na ciência</strong>.</p>



<p>Segundo ele, embora exemplos como movimentos antivacina, negacionismo climático e teorias conspiratórias sobre a pandemia de covid-19 pareçam confirmar esse diagnóstico, os dados mais recentes sugerem exatamente o contrário.</p>



<p>Horton destaca resultados de duas pesquisas amplas – conduzidas, respectivamente, nos Estados Unidos e em 68 países – que indicam <strong>níveis elevados e estáveis de confiança pública na ciência</strong> e nos cientistas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>O problema, enfatiza o editor, não é a <strong>credibilidade da ciência</strong> em si — mas a forma como os próprios cientistas estão comunicando seus <strong>processos</strong>, suas <strong>incertezas</strong> e suas <strong>limitações</strong>.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dados que desafiam o senso comum</strong></h2>



<p>A primeira evidência apresentada no editorial da <em>Lancet </em>é o <a href="https://www.pewresearch.org/science/2024/11/14/public-trust-in-scientists-and-views-on-their-role-in-policymaking/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">levantamento realizado em outubro de 2024 pelo Pew Research Center</a> com <strong>9.593 adultos dos EUA</strong>.</p>



<p>O resultado surpreende:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>76%</strong> dos entrevistados afirmaram ter “grande” ou “razoável” confiança de que os cientistas agem no melhor interesse do público.</li>



<li>O número representa um <strong>aumento de três pontos em relação a 2023</strong> e sinaliza uma recuperação após o desgaste observado durante a pandemia.</li>
</ul>



<p>Em 2020, auge da crise sanitária, a confiança havia atingido <strong>87%</strong>, caindo nos anos seguintes. No entanto, conforme Horton ressalta, o movimento agora é ascendente — e especialmente rápido entre republicanos – grupo que apresentou maior deterioração no período.</p>



<p>Os cientistas continuam também a superar outras categorias profissionais, como jornalistas, políticos, líderes empresariais e religiosos.</p>



<p>Em atributos individuais, pesquisadores são vistos como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Inteligentes (89%);</li>



<li>Honestos (65%);</li>



<li>Comprometidos com a solução de problemas reais (65%).</li>
</ul>



<p>O editorial reforça que <strong>esse fenômeno não é uma particularidade dos EUA</strong>. Horton cita outro estudo, coordenado por Victoria Cologna e colegas, <a href="https://www.nature.com/articles/s41562-024-02090-5" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicado na <em>Nature Human Behaviour</em> em janeiro de 2025</a>, que investigou atitudes em <strong>68 países</strong> (dentre eles o Brasil), com mais de <strong>71 mil respondentes</strong>.</p>



<p>O resultado é categórico: a confiança global nos cientistas foi classificada como <strong>“moderadamente alta”</strong>, com média <strong>3,62</strong> em uma escala de 1 a 5. Nenhum país registrou nível “muito baixo” de confiança.</p>



<p>Além disso, <strong>75%</strong> dos participantes concordaram que o método científico é a melhor forma de verificar hipóteses — sinal claro de apoio às bases do pensamento científico.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Para Horton, essas evidências contrariam a ideia disseminada — inclusive dentro da comunidade acadêmica — de que o público se afastou da ciência.</p></blockquote></figure>



<p>Ao contrário, os dados mostram uma atitude predominantemente favorável, com nuances culturais, sociais e políticas que merecem atenção, mas não sustentam um diagnóstico de “crise”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O verdadeiro ponto fraco: divulgação científica</strong></h2>



<p>Se a confiança nos cientistas permanece alta, por que persiste a sensação de distanciamento entre ciência e sociedade? Horton identifica um ponto sensível revelado no estudo do Pew Research Center: <strong>apenas 45% dos americanos consideram os cientistas bons comunicadores</strong> — uma queda significativa em relação a 2019.</p>



<p>É neste ponto que o editorial assinado por Horton muda de tom e passa a discutir a <strong>urgência de repensar como a ciência se comunica</strong>. Inspirado pelo livro “<a href="https://www.penguin.co.uk/books/452042/in-a-flight-of-starlings-by-parisi-giorgio/9781802060881" target="_blank" rel="noreferrer noopener">In a Flight of Starlings</a>” (Penguin Press, 2023), escrito pelo físico italiano e Nobel <a href="https://www.nobelprize.org/prizes/physics/2021/parisi/facts/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Giorgio Parisi</a>, Horton argumenta que <strong>comunicar resultados não é o suficiente</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Giorgio Parisi propõe algo mais ambicioso: <strong>mostrar o processo científico</strong>, com suas incertezas, impasses e surpresas.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Principais aspectos sobre comunicação abordados no editorial da <em>Lancet</em></strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Transparência do processo científico:</strong> Parisi defende que cientistas não devem apenas divulgar conclusões, mas explicar como chegaram a elas — e Horton endossa essa visão.</li>



<li><strong>Valorização do inesperado:</strong> O livro de Parisi mostra que o avanço científico é frequentemente guiado por descobertas imprevistas; relatá-las aproxima o público da dinâmica real da ciência.</li>



<li><strong>Reconhecimento de limitações:</strong> Cientistas podem parecer arrogantes quando transmitem certezas absolutas; assumir incertezas fortalece a credibilidade.</li>



<li><strong>Ciência como cultura, não apenas técnica:</strong> Parisi insiste que a ciência deve ser defendida não só pelos benefícios práticos, mas por seu papel cultural, como forma de enxergar e interpretar o mundo.</li>



<li><strong>Risco da “ciência como magia”:</strong> Quando a ciência é apresentada como algo inacessível, o público tende a buscar explicações alternativas — muitas vezes irracionais.</li>



<li><strong>Exemplo pessoal como narrativa:</strong> Parisi usa episódios de sua própria trajetória para explicar conceitos complexos; Horton sugere que mais cientistas adotem estratégias semelhantes para reduzir a distância com o público.</li>
</ul>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1110" height="666" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel.jpg" alt="O físico Giorgio Parisi aparece na imagem usando um terno escuro, discursando atrás de um púlpito transparente decorado com rosas amarelas. Ao fundo, vê se um painel escuro e um arranjo de flores amarelas e azuis desfocado" class="wp-image-7429" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel.jpg 1110w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel-800x480.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel-400x240.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel-768x461.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel-150x90.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1110px) 100vw, 1110px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mencionado no editorial de Richard Horton na The Lancet, o físico italiano Giorgio Parisi – em seu livro “In a Flight of Starlings”, de 2023 – critica os cientistas por, às vezes, parecerem arrogantes e superiores ao não reconhecerem as limitações da ciência | Imagem: © Nobel Prize Outreach. Photo: Laura Sbarbori  </figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que essa discussão importa?</strong></h2>



<p>O editorial de Horton é, ao mesmo tempo, uma crítica à narrativa de “crise de confiança” e um alerta para um problema real: a divulgação científica ao grande público continua insuficiente para acompanhar as expectativas e os modos de consumo de informação no século XXI.</p>



<p>Ao analisar pesquisas robustas e referências intelectuais contemporâneas, Horton mostra que a confiança existe — o que falta é <strong>aproximação</strong>, <strong>clareza</strong>, <strong>humildade epistemológica</strong> e capacidade de<strong> construir pontes entre ciência e sociedade</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os estudos citados no editorial da <em>Lancet</em></strong>:</h2>



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    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
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                <h3>Pew Research Center (2024)</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Pesquisa com 9.593 adultos nos EUA. Conclusão: confiança pública em cientistas é alta e está em recuperação após a pandemia. Diferenças partidárias persistem, mas com tendência de recomposição. Atributos de inteligência, honestidade e orientação ao bem público são amplamente reconhecidos.</p>
            </dd>
        </div>

        
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                <h3>Cologna et al., Nature Human Behaviour (2025)</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Estudo em 68 países com mais de 71 mil pessoas. Confiança global em cientistas foi “moderadamente alta”. Competência recebeu a nota mais elevada; abertura, a mais baixa, mas ainda positiva. A maioria considera o método científico a melhor forma de testar hipóteses.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Giorgio Parisi, In a Flight of Starlings (2023)</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Livro que inspira a discussão final. Defende maior transparência metodológica e crítica ao tom de superioridade ocasional da comunicação científica. Posiciona a ciência como parte essencial da cultura, e não apenas como geradora de tecnologias úteis.</p>
            </dd>
        </div>

        
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		<title>“Causos” da ciência revelam o lado humano da pesquisa</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/livro-ciencia-em-cena-peter-schulz-unicamp/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/livro-ciencia-em-cena-peter-schulz-unicamp/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 19:55:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#física]]></category>
		<category><![CDATA[#história da ciência]]></category>
		<category><![CDATA[#livro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=7276</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em livro recém-lançado, Peter Schulz discute como o fazer científico envolve risco, criatividade e aventuras, aproximando ciência e sociedade</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/livro-ciencia-em-cena-peter-schulz-unicamp/">“Causos” da ciência revelam o lado humano da pesquisa</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O físico <strong>Peter Schulz</strong>, professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), acaba de lançar o livro <strong><a href="https://facciolieditorial.com.br/produto/ciencia-em-cena/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ciência em cena: quem faz, como se faz, onde se faz</a></strong> (Faccioli Editorial, 2025). Ex-docente do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), Schulz atualmente é professor titular da Faculdade de Ciências Aplicadas (que foi dirigida por ele entre 2013 e 2017) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</p>



<p><em>Ciência em cena </em>é organizado em 39 capítulos e <a href="https://livraria.bookinfometadados.com.br/categoria/SCI/034000/produto/9786583721013/ciencia-em-cena" target="_blank" rel="noreferrer noopener">está disponível para venda neste link</a>.</p>



<p>No dia <strong>12 de novembro</strong>, às <strong>13h30</strong>, acontece o <strong>lançamento oficial do livro</strong> durante a Semana Cultural da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, em Limeira (SP).</p>



<p>A obra, de 272 páginas, convida o público a encarar a ciência como uma <strong>grande aventura humana</strong> — feita de descobertas, impasses e boas histórias.</p>



<p>“As descobertas e os desenvolvimentos da ciência são, antes de mais nada, grandes aventuras, envolvendo um monte de gente, cientistas e não cientistas, que trabalham em diferentes lugares usando inúmeros instrumentos”, escreve Schulz na introdução do livro.</p>



<p>À <a href="https://agencia.fapesp.br/fisico-lanca-livro-sobre-personagens-instrumentos-e-bastidores-da-ciencia/56290" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência FAPESP</a>, completou: “O público muitas vezes só tem acesso ao que chamamos de ciência como resultado de um trabalho impessoal ou atribuído a uns poucos ‘gênios’, que são os únicos lembrados.”</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="797" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/livro-ciencia-em-cena-peter-schulz-1200x797.jpeg" alt="Fotografia do livro “Ciência em Cena”, de Peter Schulz, apoiado em uma estante com outros títulos ao fundo. A capa é azul com elementos gráficos circulares em tons de roxo e laranja, destacando as palavras Quem faz, Como se faz, Onde se faz." class="wp-image-7283" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/livro-ciencia-em-cena-peter-schulz-1200x797.jpeg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/livro-ciencia-em-cena-peter-schulz-800x531.jpeg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/livro-ciencia-em-cena-peter-schulz-400x266.jpeg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/livro-ciencia-em-cena-peter-schulz-768x510.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/livro-ciencia-em-cena-peter-schulz-150x100.jpeg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/livro-ciencia-em-cena-peter-schulz.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Imagem: Bruno de Pierro</figcaption></figure>



<p>Schulz também é um estudioso da comunicação científica, e chegou a tratar do assunto em entrevista ao <strong>Science Arena</strong> em 2023. Na conversa, <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/caminhos-para-repensar-a-avaliacao-de-artigos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">falou dos desafios para tornar a revisão por pares mais aberta e transparente</a>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Com mais de três décadas de docência e sólida trajetória na divulgação científica, Schulz reúne episódios e “causos” que revelam o <strong>funcionamento da ciência</strong> de modo acessível e envolvente.</p></blockquote></figure>



<p>O autor, que já colaborou para o <em><a href="https://jornal.unicamp.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jornal da Unicamp</a></em>, propõe um olhar que alia rigor, humor e emoção – mostrando que <strong>a ciência não acontece apenas nos laboratórios</strong>, mas também nas relações, controvérsias e conversas entre pessoas que buscam compreender o mundo.</p>



<p>“Peter tem rara habilidade, comparável à magia dos filmes da Disney, de proporcionar leituras com diferentes níveis de profundidade, todas igualmente prazerosas”, escreveu, no prefácio do livro, o físico <strong>Marcelo Knobel</strong>, diretor executivo da <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/evento-discute-papel-da-ciencia-para-enfrentar-desafios-globais-urgentes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Academia Mundial de Ciências para o Avanço da Ciência nos Países em Desenvolvimento</a> (TWAS).</p>



<p>Entre 2017 e 2021, período em que Knobel foi reitor da Unicamp, Schulz esteve à frente da Diretoria de Assessoria de Comunicação da universidade. “[Schulz] conseguiu reestruturar o órgão e liderar a equipe na realização de projetos verdadeiramente incríveis, que deixaram um legado duradouro”, disse Knobel.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A ciência como aventura humana</strong></h2>



<p>Em <em>Ciência em cena</em>, a busca pelo conhecimento é mostrada como uma <strong>jornada humana</strong> repleta de tentativas, erros, descobertas e colaboração.</p>



<p>Schulz se dedica a falar dos bastidores da pesquisa: revela como a ciência se faz na prática — com pessoas reais, limitações e contextos históricos específicos.</p>



<p>Os “causos” científicos, como se refere o autor, são pequenas histórias que ajudam a entender como se definem conceitos fundamentais, como a unidade de medida em metro, ou como tecnologias e instrumentos moldam a compreensão do universo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="998" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/peter-schulz-unicamp-1200x998.jpeg" alt="" class="wp-image-7277" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/peter-schulz-unicamp-1200x998.jpeg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/peter-schulz-unicamp-800x666.jpeg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/peter-schulz-unicamp-400x333.jpeg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/peter-schulz-unicamp-768x639.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/peter-schulz-unicamp-150x125.jpeg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/10/peter-schulz-unicamp.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">O físico Peter Schulz, professor da Unicamp e autor do livro recém-lançado <em>Ciência em cena: quem faz, como se faz, onde se faz</em> (Faccioli Editorial, 2025): “As descobertas e os desenvolvimentos da ciência são, antes de mais nada, grandes aventuras” | Imagem: Felipe Bezerra/Unicamp</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O prazer da leitura livre</strong></h2>



<p>Schulz convida o leitor e a leitora a escolherem o próprio percurso — ler na ordem que quiserem, fazer anotações e explorar as notas de rodapé como parte da experiência.</p>



<p>Os 39 capítulos do livro são organizados em seis partes:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Algumas aventuras na ciência;</li>



<li>Algumas pessoas da ciência;</li>



<li>Lugares da ciência;</li>



<li>Os instrumentos da ciência;</li>



<li>Como a ciência funciona;</li>



<li>A ciência e o público.</li>
</ul>



<p>“A ciência é uma atividade humana com características e procedimentos próprios, que se modificaram com o passar do tempo. Nesse conjunto estão a comunicação entre cientistas, a organização da atividade e os projetos de pesquisa”, escreve o autor.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>“A ciência também não está livre de polêmicas, e suas verdades não são absolutas; algumas descobertas festejadas podem ser, com novas evidências, completamente abandonadas&#8221;, reflete Schulz. </p></blockquote></figure>



<p>Com linguagem acessível e estilo narrativo fluido, <em>Ciência em cena</em> busca despertar a curiosidade sobre o fazer científico e aproximar o público das histórias que dão vida ao conhecimento.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/livro-ciencia-em-cena-peter-schulz-unicamp/">“Causos” da ciência revelam o lado humano da pesquisa</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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