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	<title>Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>Science Arena</title>
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		<title>Harald Gaski: &#8220;Povos indígenas também podem ter periódicos de excelência&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 19:53:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[#publicação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ex-editor da única revista científica escrita inteiramente em língua indígena indexada no DOAJ discute preservação linguística, decolonização acadêmica e os limites do reconhecimento internacional</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/harald-gaski-povos-indigenas-tambem-podem-ter-periodicos-de-excelencia/">Harald Gaski: &#8220;Povos indígenas também podem ter periódicos de excelência&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Pode parecer pura estupidez criar uma <strong>revista em uma língua indígena</strong> muito pequena, falada por apenas cerca de 30 mil a 50 mil pessoas, e depois distribuí-la mundialmente.” A provocação é de <strong>Harald Gaski </strong>e resume o paradoxo que define o trabalho de sua vida.&nbsp;</p>



<p>Nascido em 1955 em Tana (Deatnu), no extremo norte da <strong>Noruega</strong>, Gaski é um dos mais influentes intelectuais <strong>sami</strong> da atualidade, responsável por <strong>ajudar a consolidar a literatura de seu povo</strong> como um <strong>campo reconhecido dentro e fora da academia</strong>.</p>



<p>Professor de <strong>literatura sami</strong> aposentado, Gaski lecionou na<a href="https://en.uit.no/startsida" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Universidade Ártica da Noruega (UiT)</a> e na<a href="https://samas.no/en" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Universidade de Ciências Aplicadas Sami (Sámi allaskuvla)</a>, onde desenvolveu pesquisas comparando <strong>escritos do povo sami </strong>com os de outros povos indígenas e traduziu poemas sami para o norueguês e o inglês. </p>



<p>Autor de obras de referência sobre literatura sami, como estudos sobre poesia épica e coletâneas de provérbios, ele também recebeu o prêmio de língua sami Gollegiella, principal reconhecimento nórdico a quem promove e desenvolve os idiomas sami.</p>



<p>Em 2020, Gaski assumiu como editor-chefe da<a href="https://site.uit.no/aigecala/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Sámi dieđalaš áigečála</a>, a Revista Científica Sami, periódico interdisciplinar publicado integralmente em línguas sami e mantido pela UiT em parceria com a universidade Sámi allaskuvla. </p>



<p>Em 2025, ao se aposentar, deixou a revista com uma conquista inédita: a indexação no<a href="https://doaj.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> DOAJ (Diretório de Periódicos de Acesso Aberto)</a>, tornando-a a única publicação de todo o diretório escrita exclusivamente em uma língua indígena, e reafirmando sua ambição de situar o conhecimento produzido em sami como parte do debate científico global.</p>



<p>Em entrevista exclusiva ao <strong>Science Arena</strong> por videochamada, Gaski falou sobre preservação linguística, os limites do reconhecimento institucional e <strong>o que significa fazer ciência em um idioma que o mundo ocidental insiste em ignorar</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é o DOAJ e por que a indexação importa?</strong></h2>



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                <h3>O que é?</h3>
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            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>O Diretório de Periódicos de Acesso Aberto (DOAJ) é um índice internacional que reúne revistas científicas revisadas por pares e publicadas em acesso aberto. A inclusão é voluntária e exige critérios rigorosos de qualidade editorial.</p>
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                <h3>Maior visibilidade</h3>
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                <p>Estar no DOAJ aumenta a visibilidade de um periódico para pesquisadores, bibliotecas e financiadores ao redor do mundo, ampliando o alcance do conhecimento produzido.</p>
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                <h3>Marco histórico</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>A Revista Científica Sami (Sámi dieđalaš áigečála) é, desde maio de 2025, a única publicação do diretório escrita integralmente em uma língua indígena — o que a torna um marco na história das publicações científicas em idiomas minoritários.</p>
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                <h3>Língua Sami</h3>
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            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>A língua Sami é falada por entre 30 mil e 50 mil pessoas no norte da Europa (Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia), e é uma das poucas línguas indígenas com produção acadêmica ativa e formalizada.</p>
            </dd>
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                <h3>Referência</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Para pesquisadores de outros povos indígenas, a indexação do periódico Sami pode servir como referência e incentivo para a criação de publicações científicas em seus próprios idiomas.</p>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – Quando a Revista Científica Sami foi criada e quais eram os principais objetivos?</strong></h2>



<p><strong>Harald Gaski – </strong>Foi criada em 1994. Nesse momento, o governo norueguês foi pressionado ou queria apoiar a criação do periódico. No final da década de 1960, houve uma grande revitalização das culturas indígenas em todo o mundo. Houve a criação do Conselho Mundial dos Povos Indígenas em meados da década de 1970, por exemplo.&nbsp;</p>



<p>Esse momento também foi marcado por um forte componente cultural. Parte da cultura, claro, também era representada pela academia, pelas universidades, pelos estudantes e assim por diante, como no resto do mundo.&nbsp;</p>



<p>Como a língua tem sido uma parte tão importante da cultura Sami, era relevante disponibilizar uma educação melhor em Sami para os estudantes. As autoridades foram pressionadas e tiveram que começar a apoiar cada vez mais a educação Sami, com a ideia de ter educação formal desde o jardim de infância até o nível universitário.&nbsp;</p>



<p>Assim, durante esse processo, vimos a necessidade de ter uma revista acadêmica exclusivamente em Sami. A Universidade Ártica da Noruega e a Universidade de Ciências Aplicadas Sami colaboraram na criação da revista.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A ideia era ter uma publicação exclusivamente com ensaios e artigos na língua desse povo. Portanto, os textos precisavam ser escritos originalmente em Sami, não traduzidos para o idioma. Isso porque a ideia era apoiar o fortalecimento da língua.</p></blockquote></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/harald-gaski-retrato.jpeg" alt="Homem branco de cabelos brancos e óculos de armação preta, aparentando entre 65 e 75 anos, de braços cruzados e expressão séria. Veste traje tradicional Sami azul com detalhes em vermelho e broche dourado no peito. Ao fundo, árvores sem folhas e céu com tons rosados de entardecer ártico." class="wp-image-8594" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/harald-gaski-retrato.jpeg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/harald-gaski-retrato-800x533.jpeg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/harald-gaski-retrato-400x267.jpeg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/harald-gaski-retrato-768x512.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/harald-gaski-retrato-150x100.jpeg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">&#8220;Eu queria aprender a escrever melhor na minha própria língua&#8221;, diz Harald Gaski, professor de literatura Sami aposentado e ex-editor da Revista Científica Sami | Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Podemos dizer que há também um fator político desta iniciativa?</strong></h2>



<p>Todos os processos de revitalização dos povos indígenas têm sido pautados por política, cultura e pesquisa, ou melhor, por uma conexão mais estreita do que se vê no mundo ocidental. E não estou dizendo que pesquisas tenham sido politizadas ou algo do tipo, mas o apoio de políticos às atividades culturais e à educação tem sido fundamental. Portanto, foi natural que eles também apoiassem iniciativas como esta revista.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual a relevância de ter uma publicação como a Revista Científica Sami, que é direcionada majoritariamente a uma população restrita, em uma base global como o DOAJ?</strong></h2>



<p>Pode parecer pura estupidez criar uma revista em uma língua indígena muito pequena, falada por apenas cerca de 30 a 50 mil pessoas, e depois distribuí-la mundialmente. Mas a ideia é, na verdade, um pouco político-cultural.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>É importante ter um periódico indígena reconhecido nesse nível, porque isso contribui na representatividade de povos indígenas e mostra que essas populações também podem ter periódicos acadêmicos nesse grau de excelência.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A Revista Científica Sami e sua inclusão no DOAJ podem ser consideradas uma forma de decolonização no meio das publicações científicas?</strong></h2>



<p>Essa é a esperança, mas eu sou uma pessoa muito modesta, então não acho que haverá uma revolução por causa desse periódico ou dessa inclusão.&nbsp;</p>



<p>Eu acredito que essa adição no DOAJ torna o periódico mais visível, e algumas pessoas podem se perguntar: &#8220;Por que este periódico faz parte desse diretório com uma escala mundial? Deve haver algo de especial nele&#8221;, e talvez elas queiram pesquisar mais a respeito.</p>



<p>Outro ponto é que essa visibilidade pode ter um impacto em outros países, para que outros povos indígenas possam dizer: &#8220;Vejam, este periódico está incluído no DOAJ e escrevem em seu próprio idioma. Então, por que não podemos fazer o mesmo?&#8221;. Mas, claro, o problema é que não há muita verba. Precisamos de muito apoio.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual o papel dos diferentes atores que participam na criação de uma revista como essa?</strong></h2>



<p>O ideal seria que os próprios povos indígenas estivessem na liderança e contassem com recursos para financiar seus projetos. Assim, poderíamos ter total autonomia. Mas essa não é a realidade da maioria dos povos indígenas.&nbsp;</p>



<p>Ainda precisamos de algum tipo de apoio, vindo de algum lugar. Minha esperança é que demonstrar que este periódico Sami funciona bem, e atende a todos os requisitos para ser considerado uma publicação acadêmica, seja uma boa prova para universidades e autoridades de que isso é possível.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Você conhece outras iniciativas parecidas com a Revista Científica Sami?</strong></h2>



<p>Tem a <a href="https://journals.sagepub.com/home/ALN" target="_blank" rel="noreferrer noopener">AlterNative</a>. Eu fiz parte do conselho editorial por um tempo e discutimos a ideia de ter pelo menos um artigo em cada edição em uma língua indígena. Essa é outra maneira de fazermos isso. </p>



<p>[Oficialmente, <a href="https://journals.sagepub.com/overview-metric/ALN?" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a AlterNative afirma em seu site</a> que a revista &#8220;publica artigos em inglês, mas também aceita submissões em línguas indígenas, bem como artigos que já foram publicados em uma língua indígena e traduzidos para o inglês&#8221;.]</p>



<p>Por outro lado, também podemos problematizar essa ideia.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Periódicos sempre trabalharam com a forma escrita, e a maioria das culturas indígenas é oral. Então, outra opção seria ter um podcast em que as pessoas poderiam discutir assuntos de forma mais oral caso não se sintam seguras para escrever. </p></blockquote></figure>



<p>Essa poderia ser uma alternativa, outra possibilidade de disseminar informações sobre os povos indígenas.</p>



<p>Eu ainda gostaria de ver revistas, livros e editoras indígenas no mesmo nível daquelas que existem no mundo ocidental. Isso poderia ajudar a superar visões depreciativas sobre os povos indígenas.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/harald-gaski-povos-indigenas-tambem-podem-ter-periodicos-de-excelencia/">Harald Gaski: &#8220;Povos indígenas também podem ter periódicos de excelência&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Adotar tecnologias emergentes no início da carreira pode aumentar visibilidade e impacto científico</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/adotar-tecnologias-emergentes-no-inicio-da-carreira-pode-aumentar-visibilidade-e-impacto-cientifico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreiras]]></category>
		<category><![CDATA[#metodologia]]></category>
		<category><![CDATA[#novas tecnologias]]></category>
		<category><![CDATA[#pioneirismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Editorial lista orientações práticas para pesquisadores que querem ganhar visibilidade apostando cedo em métodos e tecnologias ainda pouco explorados</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/adotar-tecnologias-emergentes-no-inicio-da-carreira-pode-aumentar-visibilidade-e-impacto-cientifico/">Adotar tecnologias emergentes no início da carreira pode aumentar visibilidade e impacto científico</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Adotar precocemente <strong>novas tecnologias em áreas emergentes</strong> pode ser uma estratégia decisiva para <strong>pesquisadores em início de carreira</strong>. <a href="https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/08164622.2024.2410881" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É o argumento central de um editorial escrito por Nathan Efron</a>, professor emérito do Departamento de Optometria e Ciências da Visão da Universidade Tecnológica de Queensland (QUT), na Austrália.</p>



<p>O texto, publicado na revista <em>Clinical and Experimental Optometry</em>, analisa as <strong>vantagens e os riscos do comportamento de “early adopter”</strong> (quando o cientista aposta cedo em métodos inovadores) e seus desdobramentos no meio acadêmico.</p>



<p>De acordo com Efron, entrar em um campo ainda pouco explorado aumenta as chances de produzir resultados originais, publicar com mais rapidez e se tornar referência em determinado tema. Em contextos emergentes, há menos concorrência direta e <strong>mais espaço para descobertas pioneiras</strong>.</p>



<p>“As maiores recompensas para quem adota novas tecnologias precocemente são reservadas para aqueles que as inventam”, explica o autor. “No entanto, essa oportunidade raramente surge”, escreveu.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Efron sustenta seus argumentos recorrendo à própria trajetória acadêmica. Ele destaca a adoção precoce de técnicas e instrumentos então em desenvolvimento, que posteriormente se consolidaram como amplamente utilizados em sua área. </p></blockquote></figure>



<p>Ao se engajar nessas fases iniciais, não apenas contribuiu para o aprimoramento das ferramentas, como também conseguiu publicar <strong>trabalhos de alto impacto</strong> em um momento em que o campo ainda estava em expansão.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Novas tecnologias, novas perguntas</strong></h2>



<p>O professor da QUT também aponta que novas tecnologias frequentemente abrem caminho para <strong>perguntas científicas inéditas</strong>. Métodos emergentes — como, no passado, ferramentas avançadas de análise de dados — têm permitido investigar fenômenos antes inacessíveis.&nbsp;</p>



<p>Para jovens pesquisadores, isso representa a oportunidade de construir linhas de pesquisa originais em áreas ainda em desenvolvimento.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Um aspecto importante de ser um dos primeiros a adotar uma nova tecnologia ou método é que sua pesquisa inicial deve definir uma referência normativa básica, com a qual todas as observações futuras possam ser comparadas”, afirma.</p></blockquote></figure>



<p>Na prática, isso significa que os primeiros estudos ajudam a estabelecer parâmetros e padrões que orientarão pesquisas posteriores, reforçando o <strong>papel estratégico</strong> de quem chega antes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Orientações práticas para jovens pesquisadores</strong></h2>



<p>Com base em sua experiência, Efron elenca orientações para quem deseja seguir esse caminho:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Buscar colaboração com grupos que estejam na fronteira do conhecimento;</li>



<li>Combinar novas abordagens com fundamentos teóricos sólidos;</li>



<li>Monitorar tendências e inovações metodológicas na área de atuação;</li>



<li>Estar disposto a aprender ferramentas ainda não consolidadas;</li>



<li>Avaliar o potencial de crescimento de uma tecnologia ou campo emergente;</li>



<li>Manter-se atualizado por meio de leituras frequentes, networking e participação em conferências;</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Riscos também existem</strong></h2>



<p>Apesar das vantagens, <strong>o autor alerta que ser um “early adopter” envolve riscos</strong>. Nem toda tecnologia promissora se consolida, o que pode resultar em investimento de tempo e esforço em abordagens que não ganham espaço na comunidade científica.&nbsp;</p>



<p>Além disso, Efron reconhece que trabalhar com métodos ainda em desenvolvimento pode exigir maior <strong>tempo de adaptação</strong> e lidar com <a href="https://www.sciencearena.org/video/ia-na-pesquisa-como-fazer-ciencia-em-tempos-de-incertezas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>incertezas técnicas</strong></a>, o que pode atrasar resultados ou dificultar publicações iniciais.</p>



<p>Ainda assim, o pesquisador avalia que, especialmente no início da carreira, os <strong>benefícios potenciais tendem a superar os riscos</strong>.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Apostar no novo (com estratégia e senso crítico) pode ser um diferencial importante em um ambiente acadêmico cada vez mais competitivo.</p></blockquote></figure>



<p>“Leiam bastante, participem de conferências e estejam atentos às tecnologias novas e emergentes”, recomenda Efron. “Se tiverem a intuição de que uma aplicação tem potencial, deem um voto de confiança para se tornarem pioneiros na adoção.”</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/adotar-tecnologias-emergentes-no-inicio-da-carreira-pode-aumentar-visibilidade-e-impacto-cientifico/">Adotar tecnologias emergentes no início da carreira pode aumentar visibilidade e impacto científico</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Oficinas ensinam pesquisadores a comunicar ciência para o público</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/oficinas-ensinam-pesquisadores-a-comunicar-ciencia-para-o-publico/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/carreiras/oficinas-ensinam-pesquisadores-a-comunicar-ciencia-para-o-publico/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Apr 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreiras]]></category>
		<category><![CDATA[#América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Oficinas de divulgação científica no Equador formam pesquisadores em redes sociais, apresentações e gestão de privilégios</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/oficinas-ensinam-pesquisadores-a-comunicar-ciencia-para-o-publico/">Oficinas ensinam pesquisadores a comunicar ciência para o público</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desenvolver <strong>habilidades de comunicação científica </strong>ainda é um desafio para pesquisadores. São raros os cursos voltados à prática da divulgação, sobretudo na América Latina. Como resultado, <strong>muitos cientistas têm dificuldade para criar iniciativas que envolvam o público em suas pesquisas</strong> e atender as demandas das agências de fomento.&nbsp;</p>



<p>Para enfrentar esse problema, um grupo de pesquisadores do Equador e dos Estados Unidos organizou <strong>oficinas de comunicação científica</strong> para ajudar acadêmicos a desenvolver habilidades de autorreflexão, preparar apresentações para públicos não especializados e produzir conteúdo para redes sociais. <a href="https://jcom.sissa.it/article/pubid/JCOM_2405_2025_N01/?" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Os resultados foram publicados em setembro de 2025 no Journal of Science Communication (JCOM)</a>.</p>



<p>Ao todo, 12 pesquisadores das áreas de <strong>saúde pública</strong>, <strong>planejamento urbano</strong>, <strong>educação</strong> e <strong>comunicação</strong> participaram da iniciativa. O desafio comum a todos era encontrar formas de melhorar o desenho de espaços públicos na cidade andina de Cuenca, no Equador, a partir da análise de hábitos de atividade física de adolescentes de 12 a 17 anos em parques e áreas públicas da região. As oficinas adotaram a metodologia de <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Action_learning" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aprendizagem pela ação</a>, adaptada ao ambiente de trabalho das equipes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Formato das oficinas</strong></h2>



<p>Dois instrutores conduziram os encontros, oferecendo recursos e propondo <strong>atividades alinhadas a desafios concretos do cotidiano dos participantes</strong>, que tinham de aplicar na prática os conhecimentos e habilidades desenvolvidos ao longo da formação.&nbsp;</p>



<p>As oficinas ocorreram em formato híbrido, com sessões presenciais e online, para estimular a <strong>aprendizagem ativa</strong> e garantir flexibilidade. Cada encontro, com quatro horas de duração, combinou exposições teóricas e atividades orientadas, previamente elaboradas por um dos coordenadores da iniciativa.</p>



<p>A primeira oficina ocorreu ainda na fase de pré-planejamento do projeto, antes do início do recrutamento do público-alvo. O objetivo foi <strong>capacitar os pesquisadores a construírem relações mais éticas com os participantes</strong> e demais atores envolvidos.&nbsp;</p>



<p>Uma das atividades buscou fortalecer o vínculo entre os pesquisadores e estimular a consciência sobre diferentes camadas de privilégios.&nbsp;</p>



<p>Os instrutores os fizeram refletir sobre seus contextos sociais, culturais e pessoais, de modo a desenvolver estratégias de gestão de privilégios que favorecessem relações mais éticas e equitativas em colaborações com colegas e com o público.</p>



<p>A segunda oficina treinou os pesquisadores em técnicas de apresentação e produção de conteúdo para as redes sociais, com foco em formatos mais atraentes para públicos amplos. Foram apresentadas estratégias utilizadas em ambientes empresariais e de empreendedorismo para apresentar ideias de forma persuasiva, com apoio de técnicas narrativas.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Os participantes criaram uma iniciativa de comunicação científica combinando redes sociais e oficinas para divulgar os resultados do estudo e promover parques mais seguros em Cuenca, <strong>em parceria com a comunidade</strong>, organizações de base e o poder público.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Resultados e avaliação</strong></h2>



<p>Os resultados indicam que a iniciativa foi bem recebida. Ao final das oficinas, nove dos 12 participantes avaliaram ter alcançado domínio intermediário das habilidades trabalhadas, e 97% consideraram as atividades úteis para desenvolver competências em divulgação científica.&nbsp;</p>



<p>O treinamento em redes sociais foi apontado como o mais proveitoso por 11 dos 12 pesquisadores, enquanto oito classificaram as técnicas de apresentação e produção de conteúdo como extremamente úteis. O exercício de autorreflexão antes do contato com os adolescentes também ampliou a consciência dos participantes sobre seus privilégios e formas de administrá-los.</p>



<p>Ao fim, os pesquisadores não só delinearam estratégias para apoiar os jovens e a comunidade de Cuenca, em parceria com organizações e autoridades locais. Eles também transformaram os achados do estudo em conteúdo para as redes sociais, destacando que parte da população evita parques públicos por questões de segurança.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>As oficinas abriram espaço para que os participantes desenvolvessem iniciativas de comunicação com os grupos pesquisados e atores comunitários, além de firmar novas parcerias. </p></blockquote></figure>



<p>A conclusão é de que fortalecer essas habilidades — sobretudo entre <strong>pesquisadores em início de carreira</strong> — pode ampliar o <a href="https://www.jcom.sissa.it/tag/public-engagement" target="_blank" rel="noreferrer noopener">engajamento público</a> e tornar mais eficazes as ações de comunicação científica, especialmente quando os pesquisadores incorporam o uso estratégico das redes sociais.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/oficinas-ensinam-pesquisadores-a-comunicar-ciencia-para-o-publico/">Oficinas ensinam pesquisadores a comunicar ciência para o público</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<title>Cortes de verbas nos EUA impulsionam programas internacionais de atração de talentos científicos</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/cortes-de-verbas-nos-eua-impulsionam-programas-internacionais-de-atracao-de-talentos-cientificos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 14:59:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#internacional]]></category>
		<category><![CDATA[#mobilidade científica]]></category>
		<category><![CDATA[#política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Iniciativas em países como Alemanha, França e Brasil ampliam apoio para pesquisadores em busca de ambientes mais estáveis</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 2018, Sevgi Kafali passou por uma mudança significativa: a pesquisadora turca deixou seu país natal para ingressar em um doutorado em bioengenharia e engenharia biomédica na UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles), nos Estados Unidos. A diferença cultural exigiu um período de adaptação, mas a UCLA era a instituição certa para aprofundar seus estudos em ressonância magnética — tema central de suas pesquisas.</p>



<p>Anos depois, Kafali se mudou novamente, desta vez motivada por um novo interesse: mesclar discussões sobre inteligência artificial com suas pesquisas de ressonância magnética.&nbsp;</p>



<p>Em dezembro de 2024, ela se estabeleceu na <strong>Alemanha</strong> para trabalhar com Daniel Rückert, professor com alinhamento acadêmico ao seu foco de investigação.</p>



<p>De início, a pesquisadora contou com financiamento do laboratório do professor Rückert. Isso mudou em julho de 2025, quando ela foi selecionada para uma bolsa da <strong>Fundação Alexander Humboldt</strong>, instituição alemã voltada ao <strong>financiamento de cientistas internacionais</strong> interessados em desenvolver pesquisas no país.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Alemanha lança programa para atrair talentos globais</strong></h2>



<p>A bolsa de Kafali é financiada pela <a href="https://www.global-minds-initiative.de/">Global Minds Initiative</a>, programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Espaço alemão criado para <strong>atrair talentos científicos à Alemanha</strong>. </p>



<p>A iniciativa opera por meio de instituições já consolidadas no país, entre elas a própria Fundação Alexander Humboldt, ampliando programas de financiamento já existentes. Somente em 2025, foram concedidos 156 bolsas e prêmios via Global Minds Initiative.</p>



<p>Em nota publicada na página do programa, o ministério alemão explica o contexto que motivou a iniciativa: &#8220;Particularmente tendo em vista a <strong>crescente pressão sobre a liberdade da ciência em muitos lugares</strong>, <strong>a Alemanha continua sendo um destino atraente para pesquisadores de todo o mundo em tempos de polarização global</strong>&#8220;.</p>



<p>Em entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, a própria Kafali reconhece a mudança de cenário.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Ao comparar o período quando eu estava fazendo meu doutorado, durante o <strong>primeiro governo Trump</strong>, com o atual, eu diria que os dois são muito diferentes. Agora as <strong>verbas federais foram cortadas ou suprimidas</strong>, mas não corríamos esse risco antigamente&#8221;, afirma a pesquisadora turca. </p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Europa mobiliza recursos e cria programas de acolhimento</strong></h2>



<p>A percepção de Kafali se reflete em uma tendência mais ampla. Desde 2025, diversas iniciativas surgiram com o objetivo de <strong>oferecer verbas e estrutura para cientistas que buscam ambientes mais estáveis</strong>.&nbsp;</p>



<p>A <strong>França</strong> é outro exemplo relevante. A Universidade Aix-Marseille, no sul do país, criou o programa <a href="https://www.univ-amu.fr/en/public/actualites/safe-place-science-aix-marseille-universite-ready-welcome-american-scientists" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Safe Place for Science</a>, voltado especificamente a <strong>cientistas norte-americanos com &#8220;</strong><a href="https://www.sciencearena.org/noticias/donald-trump-ciencia-tecnologia-negacionismo-eua/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">liberdade acadêmica ameaçada</a><strong>&#8220;</strong>. </p>



<p>Com orçamento de 15 milhões de euros, o programa recebeu 298 inscrições em sua primeira rodada, com 39 selecionados inicialmente.</p>



<p>Outros países também lançaram iniciativas similares nesse período:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://www.mpg.de/25034916/max-planck-transatlantic-program?c=2249" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Max Planck Transatlantic Program</a> — Alemanha</li>



<li><a href="https://www.oeaw.ac.at/en/news/25-new-scholarships-for-us-researchers-1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fundo Austríaco do Futuro</a> — Áustria</li>



<li><a href="https://france2030.agencerecherche.fr/ChooseFranceForScience-2025/accueil.php?lang=EN" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Choose France for Science</a> — França</li>



<li><a href="https://web.gencat.cat/en/generalitat/com-ens-organitzem/departaments/recerca-universitats/plans-estrategics/catalunya-talent-bridge" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Catalunya Talent Bridge</a> — Espanha</li>



<li><a href="https://www.forskningsradet.no/en/call-for-proposals/2025/recruitment-talented-researchers-norway/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Talented Researchers to Norway</a> — Noruega</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Demanda supera expectativas nas chamadas abertas</strong></h2>



<p>O volume de inscrições indica que pesquisadores estão ativamente buscando alternativas. Maria Mota, diretora do Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular (GIMM), em <strong>Portugal</strong>, vivenciou isso ao abrir uma chamada internacional na instituição que dirige.</p>



<p>&#8220;Foi a primeira vez que nós abrimos candidaturas internacionais para líderes de grupo. Quando ainda faltavam mais de dois meses para o deadline, nós já tínhamos 172 candidaturas, muito mais do que normalmente teríamos&#8221;, explicou Mota ao <strong>Science Arena</strong>.</p>



<p>A diretora também destaca que <strong>41% dos inscritos</strong> <strong>eram pessoas jovens residentes nos Estados Unidos</strong> — não necessariamente americanos, mas pesquisadores em fase de pós-doutorado que, em condições normais, provavelmente ficariam no país para liderar grupos de pesquisa.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Acho que, nas condições normais, muitos deles iriam ficar lá para assumir a liderança de um grupo de pesquisa, mas agora não conseguem fazer isso&#8221;, diz Mota.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Para mim, a União Europeia devia estar a dizer: &#8216;meus senhores, está a acontecer isto nos Estados Unidos, vamos pôr mais fundos aqui para grandes universidades europeias conseguirem atrair as melhores pessoas'&#8221;, sugere a diretora do Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular, em Portugal. </p></blockquote></figure>



<p>Em maio de 2025, Mota <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-025-01567-1">publicou artigo na revista Nature</a> defendendo uma ação conjunta e orquestrada entre instituições europeias para aproveitar a oportunidade. A posição se mantém: para ela, a União Europeia deveria agir de forma coordenada para ampliar o financiamento disponível nas principais universidades do bloco.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Brasil cria programas inéditos para repatriar e atrair pesquisadores</strong></h2>



<p>O <strong>Brasil</strong> também se posicionou diante desse cenário. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) lançou dois programas a partir de discussões iniciadas em meados de fevereiro de 2025, quando o segundo governo Trump começava a sinalizar cortes na ciência norte-americana.</p>



<p>&#8220;Nesse contexto, várias pessoas da FAPESP e das universidades estaduais paulistas viram o que estava acontecendo e falaram: &#8216;Olha, vai ter uma demanda grande e nós vamos começar a ter uma situação em que a gente pode <strong>atrair talentos</strong>, brasileiros ou não, que estão no exterior'&#8221;, relata Leandro Machado Colli, assessor da diretoria científica da FAPESP e professor de oncologia da Universidade de São Paulo (USP).</p>



<p>O primeiro programa, chamado <a href="https://fapesp.br/17523/call-for-proposals-international-thematic-grant-inthegra" target="_blank" rel="noreferrer noopener">InTheGra (International Thematic Grant)</a>, é inédito e <strong>voltado a cientistas com carreiras já estabelecidas no exterior</strong>. De cerca de 60 inscrições, 8 foram selecionadas. </p>



<p>Os beneficiários recebem bolsa de 24 meses equivalente ao salário de um professor titular no estado de São Paulo. A expectativa é que, ao longo desse período, o pesquisador obtenha vínculo com alguma instituição de ensino superior, garantindo continuidade a uma pesquisa prevista para durar 5 anos.</p>



<p>O segundo programa, <a href="https://fapesp.br/17470/call-for-proposals-fapesp-grant-for-international-researchers" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o Jovem Pesquisador Internacional</a>, é direcionado a <strong>cientistas em início de carreira fora do país</strong>. Com cerca de 120 inscrições, o programa prevê bolsas de 5 anos para aproximadamente 20 selecionados.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Não tenho dúvida que a situação de menos incentivo nos Estados Unidos nos facilitou em atrair e conseguir bons números desses programas&#8221;, diz Leandro Machado Colli, da FAPESP. </p></blockquote></figure>



<p>Em ambos os programas, ele explica, houve forte participação de brasileiros residentes no exterior, especialmente nos Estados Unidos, mas também de pesquisadores de outras nacionalidades, incluindo de <strong>países latino-americanos</strong>.</p>



<p>A nível nacional, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do governo federal, também acompanha o cenário.&nbsp;</p>



<p>Em nota enviada à reportagem, a instituição afirmou que situações como as atuais &#8220;tendem a influenciar decisões de carreira e de cooperação acadêmica&#8221;, criando oportunidades para solidificar ou ampliar conexões entre o Brasil e outros países.Dentro desse panorama se insere o <strong>Programa CAPES Global.Edu</strong>, instituído em março de 2025. O projeto incentiva a criação de redes entre instituições de ensino superior para fortalecer o protagonismo científico brasileiro no cenário internacional. <a href="https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/editais/14072025_Edital_2636183_SEI_2634820_Edital_N__13_2025.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Segundo o edital da primeira seleção</a>, mais de R$ 1 bilhão pode ser destinado ao financiamento do programa.</p>
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		<title>Redes sociais podem causar danos à saúde? Caso contra Meta e YouTube reacende debate</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/redes-sociais-podem-causar-danos-a-saude-caso-contra-meta-e-youtube-reacende-debate/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 20:04:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#mídia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[#tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadora compara impacto das big techs ao da indústria do tabaco e defende novo marco regulatório para proteger crianças e adolescentes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um júri de Los Angeles considerou a <strong>Meta</strong> — empresa controladora do Facebook, do Instagram e do WhatsApp — e o <strong>YouTube</strong> responsáveis por <strong>danos à saúde mental </strong>de uma jovem de 20 anos que alegou ter desenvolvido <strong>transtornos graves </strong>após anos de uso intenso das plataformas durante a infância.&nbsp;</p>



<p>O <a href="https://www.cnbc.com/2026/03/25/meta-youtube-los-angeles-california-verdict.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">veredicto</a> determinou o pagamento de <strong>US$ 6 milhões em indenização</strong>: US$ 3 milhões em danos compensatórios e US$ 3 milhões em danos punitivos, sendo 70% a cargo da Meta e 30% do YouTube, que é de propriedade do <strong>Google</strong>. </p>



<p>A decisão é tratada por especialistas como um possível <strong>ponto de inflexão para a indústria de tecnologia</strong>, com potencial de abrir caminho para novas ações judiciais da mesma natureza. O caso mobiliza os campos jurídico e tecnológico, e estimula ainda mais o debate científico sobre os limites da <strong>responsabilidade corporativa</strong> na área da saúde.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entenda o caso: Meta, YouTube e a saúde mental de adolescentes</strong></h2>



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    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
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                <h3>O que foi julgado?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Um júri de Los Angeles analisou ação movida por uma jovem de 20 anos que alega ter desenvolvido graves transtornos de saúde mental em decorrência do uso intenso de Instagram e YouTube durante a infância.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
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                <h3>Qual foi o veredicto? </h3>
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            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Os jurados consideraram Meta e YouTube responsáveis e determinaram o pagamento de US$ 3 milhões em indenização. A Meta arcará com 70% do valor; o YouTube, com os 30% restantes.</p>
            </dd>
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                <h3>Por que o caso é considerado um precedente?</h3>
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            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Decisões desse tipo são raras e podem abrir caminho para novas ações judiciais contra plataformas por danos psicológicos causados a usuários jovens.</p>
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        </div>

        
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                <h3>O que diz a ciência?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Pesquisadoras como Ilona Kickbusch argumentam que o modelo de negócios das plataformas, baseado na captura de atenção, é estruturalmente incompatível com a promoção da saúde, especialmente entre crianças e adolescentes.</p>
            </dd>
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                <h3>Qual é a comparação histórica acionada pelos especialistas?</h3>
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            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>O debate remete à trajetória regulatória da indústria do tabaco, que também operou por décadas sem responsabilização efetiva pelos danos que causava à saúde pública.</p>
            </dd>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Redes sociais como risco à saúde pública</strong></h2>



<p>O veredicto ecoa argumentos levantados em <a href="https://www.bmj.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo de opinião publicado em 7 de abril na revista <em>BMJ</em></a> pela pesquisadora Ilona Kickbusch, diretora do <a href="https://www.dthlab.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Digital Transformations for Health Lab</em></a> (DTH-Lab), da Universidade de Genebra, na Suíça. </p>



<p>No texto, Kickbusch argumenta que as práticas das grandes plataformas digitais configuram <strong>novos riscos à saúde</strong>, especialmente entre jovens, ao <strong>influenciar comportamentos</strong>, <strong>bem-estar mental</strong> e <strong>padrões de consumo</strong>.</p>



<p>Para a autora, o problema exige uma atualização das estratégias regulatórias e jurídicas — processo análogo ao que ocorreu, décadas atrás, com a <strong>indústria do tabaco</strong>.&nbsp;</p>



<p>A responsabilização judicial das empresas de tecnologia por impactos negativos à saúde marcaria, segundo ela, uma nova fase na relação entre saúde pública, regulação e poder corporativo.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Ver as grandes empresas de tecnologia começarem a ser responsabilizadas judicialmente por impactos negativos à saúde marca uma nova fase na relação entre saúde pública, regulação e poder corporativo&#8221;, escreveu Kickbusch, em artigo no BMJ.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma arquitetura projetada para manter o usuário conectado</strong></h2>



<p>Kickbusch chama atenção para o fato de que, diferentemente de outras indústrias historicamente associadas a riscos à saúde, as <strong>plataformas digitais operam em um ambiente ainda amplamente desregulado</strong>, em que os impactos negativos tendem a ser difusos, cumulativos e de difícil mensuração.</p>



<p>O modelo de negócios dessas empresas, baseado na captura de atenção e na maximização do tempo de uso, seria, segundo a pesquisadora, o núcleo do problema.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Mecanismos como notificações constantes, algoritmos de recomendação, reprodução automática de vídeos e sistemas de recompensa intermitente não seriam elementos neutros, mas componentes de uma arquitetura deliberadamente projetada para manter o usuário engajado. </p></blockquote></figure>



<p>No caso de crianças e adolescentes, essa engenharia pode amplificar vulnerabilidades já existentes.</p>



<p>A análise dialoga com dados que ajudam a dimensionar a exposição: <strong>adolescentes </strong>passam, em média, cerca de 2h30 por dia em redes sociais, segundo o <a href="https://worldhappiness.report/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>World Happiness Report</em></a>, produzido pela Organização das Nações Unidas (ONU).</p>



<p>O avanço de decisões judiciais como a de Los Angeles, nos EUA, indica uma mudança mais ampla de paradigma.&nbsp;</p>



<p>As plataformas digitais já fazem parte permanente do tecido social, mas seus impactos sobre a saúde pública deixam de ser tratados como efeitos colaterais inevitáveis e passam a ser reconhecidos como questões centrais de regulação, ética e responsabilidade corporativa.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/redes-sociais-podem-causar-danos-a-saude-caso-contra-meta-e-youtube-reacende-debate/">Redes sociais podem causar danos à saúde? Caso contra Meta e YouTube reacende debate</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<item>
		<title>Psyllium: por que ainda há lacunas sobre os efeitos dessa fibra no organismo?</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/psyllium-por-que-ainda-ha-lacunas-sobre-os-efeitos-dessa-fibra-no-organismo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 16:58:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#Anvisa]]></category>
		<category><![CDATA[#microbiota]]></category>
		<category><![CDATA[#psyllium]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=8547</guid>

					<description><![CDATA[<p>O composto é usado desde a Antiguidade e, hoje, pode ser encontrado na composição de suplementos alimentares</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/psyllium-por-que-ainda-ha-lacunas-sobre-os-efeitos-dessa-fibra-no-organismo/">Psyllium: por que ainda há lacunas sobre os efeitos dessa fibra no organismo?</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Diversos compostos são frequentemente estudados para o entendimento de seus efeitos no organismo. Muitas dessas análises têm como objetivo verificar as atuações de substâncias na saúde intestinal. E esse é justamente o caso do <strong>psyllium</strong>, fibra que fez parte de uma pesquisa publicada no periódico <em>Annual Review of Food Science and Technology</em>.</p>



<p>Esse composto tem origem na planta <em>Plantago ovata</em>, mais especificamente nas cascas de suas sementes. E não é de hoje que essa fibra é conhecida.</p>



<p>Na verdade, <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/psyllium-beneficios-saude-lacunas-de-pesquisa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">conforme explicamos nesta matéria</a>, o psyllium já era usado na Antiguidade. O composto atravessou séculos e hoje é bastante usado como suplemento alimentar. </p>



<p>Aliás, a própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o registro de produtos com essa fibra, desde que atendam às exigências regulatórias.</p>



<p>Por outro lado, o órgão também já chegou a suspender produtos com propagandas enganosas, as quais prometiam resultados milagrosos envolvendo a perda de peso.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Afinal, o psyllium é realmente benéfico à saúde?</strong></h2>



<p>Mesmo em meio ao uso medicinal há séculos, muitos pesquisadores ainda buscam se aprofundar na atuação do psyllium no corpo humano.</p>



<p>Para os autores do artigo publicado no <em>Annual Review of Food Science and Technology</em>, <strong>ainda há lacunas envolvendo o composto</strong>.&nbsp;</p>



<p>Isso porque os cientistas não encontraram tantos trabalhos científicos que comprovem os efeitos nocivos da fibra.</p>



<p>Eles também destacaram a necessidade de mais estudos sobre as propriedades físicas e químicas do psyllium, ainda mais para <strong>compreender se o consumo da fibra pode, realmente, prejudicar a absorção de cálcio no organismo</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mas há evidências concretas?</strong></h2>



<p><strong>Sim</strong>. Apesar da necessidade de análises mais aprofundadas, os pesquisadores destacaram alguns efeitos concretos no corpo humano.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Os benefícios englobam: redução do colesterol, controle de glicose, estabilização de emulsões e substituição do glúten. </p></blockquote></figure>



<p>A fibra também atua na <strong>saúde gastrointestinal</strong>, aliviando desconfortos como constipação crônica e, até mesmo, com a síndrome do intestino irritável.</p>



<p>Também foram identificados efeitos positivos no tratamento de câncer de cólon, por conta de suas propriedades antioxidantes. Algo que também chamou a atenção é que o composto pode ser usado para liberar substâncias bioativas.</p>



<p>Todos esses efeitos destacados e outros que foram observados pelos pesquisadores foram constatados após a realização de testes clínicos e pré-clínicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Análise aprofundada pode auxiliar o desenvolvimento de produtos</strong></h2>



<p>Uma pesquisa mais aprofundada sobre a modificação estrutural do psyllium pode até mesmo auxiliar o desenvolvimento de produtos farmacêuticos.</p>



<p>Isso porque a substância tem um grande potencial de uso, podendo ser ampliada na indústria alimentícia também.</p>



<p>Por isso, os pesquisadores reforçam a necessidade de estudos mais concretos sobre as respostas fisiológicas do psyllium e suas características enzimáticas.</p>



<p>Para ler mais sobre os benefícios e as lacunas da fibra conhecida como psyllium, <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/psyllium-beneficios-saude-lacunas-de-pesquisa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">veja o conteúdo completo nesta matéria do Science Arena</a>.</p>
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		<title>Hugo Aguilaniu: “A filantropia científica tem papel fundamental de incentivo ao risco&#8221;</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/hugo-aguilaniu-sem-filantropia-cientifica-o-brasil-renuncia-ao-risco/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 16:52:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#filantropia]]></category>
		<category><![CDATA[#fomento]]></category>
		<category><![CDATA[#risco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diretor do Instituto Serrapilheira avalia o sistema de fomento nacional e defende que incentivo ao risco na ciência produz descobertas revolucionárias</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/hugo-aguilaniu-sem-filantropia-cientifica-o-brasil-renuncia-ao-risco/">Hugo Aguilaniu: “A filantropia científica tem papel fundamental de incentivo ao risco&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;Dificultar a filantropia significa menos incentivo ao risco.&#8221; A frase é de <strong>Hugo Aguilaniu</strong>, diretor-presidente do <strong>Instituto Serrapilheira</strong>, primeira organização filantrópica do Brasil dedicada ao fomento da ciência básica — e resume o diagnóstico que ele faz do sistema de financiamento científico no país.</p>



<p>Nativo de Grenoble, na França, Aguilaniu é geneticista molecular formado na Suécia, com passagem pelo Instituto Salk, nos Estados Unidos. Em 2006, entrou para o Centre Nationale pour la Recherche Scientifique (CNRS, na França), onde se tornou diretor científico em 2011.</p>



<p>Aguilaniu chegou ao Brasil em 2017 para dirigir o Serrapilheira. Desde então, seleciona pesquisadores com ideias que, nas suas palavras, &#8220;precisam ser ousadas, mas não loucas&#8221;.</p>



<p>Para ele, o sistema brasileiro de apoio à ciência é robusto, mas ainda carece do ingrediente que historicamente produz descobertas revolucionárias: recursos privados dispostos a apostar no incerto, naquilo que pode não vingar.  </p>



<p>A consequência, avalia, pode ser a razão pela qual o Brasil ainda não tem um Prêmio Nobel.</p>



<p>Nesta entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Aguilaniu fala sobre risco, liberdade criativa e o que diria a si mesmo no início da carreira.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – Qual é sua avaliação do sistema de fomento à pesquisa no Brasil para pesquisadores em início de carreira?</strong></h2>



<p><strong>Hugo Aguilaniu</strong> <strong>– </strong>O sistema é robusto. Fundações estaduais de apoio à pesquisa junto com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) formam uma estrutura sólida.</p>



<p>Para quem está em formação, funciona bem: esse sistema dedica recursos a bolsas e permite mobilidade nacional e internacional. O problema surge quando o pesquisador se torna jovem professor.&nbsp;</p>



<p>Professores que começaram há dois anos, por exemplo, não costumam ter muitos mecanismos disponíveis para alavancar suas carreiras, saindo em desvantagem em relação a professores que estão estabelecidos há trinta anos.</p>



<p>Isso tem mudado, com instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) criando linhas para jovens pesquisadores. Tardiamente, mas está acontecendo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como canalizar as ideias de jovens pesquisadores?</strong></h2>



<p>Não sei se canalizar é o que queremos — queremos que “exploda”. Na matemática, a Medalha Fields só é concedida a pesquisadores com menos de 40 anos, por reconhecer esse como o período de maior criatividade. O sistema precisa financiar esses dois perfis.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>E quanto ao financiamento privado e ao risco?</strong></h2>



<p>O sistema brasileiro não promove o investimento privado. O coração da pesquisa deve ser público, mas a filantropia promove outros modos de pensar. É uma pena que não haja incentivo fiscal para isso.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A filantropia é a mais bem posicionada para assumir riscos — não gasta dinheiro público, mas recursos de quem aceita o risco conscientemente.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>Historicamente, ela contribui para financiar pesquisas verdadeiramente arriscadas. Dificultar a filantropia significa menos incentivo ao risco. O apoio a mais pesquisas arriscadas pode aumentar as chances de o Brasil fazer descobertas revolucionárias — e de ganhar um Nobel.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Isso passa por mudar as métricas de produtividade?</strong></h2>



<p>Sim. As métricas são antigas e muito quantitativas, e isso tem uma explicação histórica. O sistema tem cerca de 60 a 70 anos e, no início, precisava provar que produzia algo.</p>



<p>Funcionou: a produção científica cresceu. Agora, o Brasil precisa produzir melhor. A filantropia pode provocar o sistema com critérios mais audaciosos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como resolver o problema dos pós-doutores sem colocação?</strong></h2>



<p>São duas questões. A primeira é de escala: o Brasil forma muito mais gente do que o sistema universitário absorve. A segunda é de reconhecimento: uma pessoa com doutorado muitas vezes não tem perspectiva muito melhor do que alguém sem o título.&nbsp;</p>



<p>Na Alemanha, um doutor entra no setor privado em nível superior. Aqui falta esse reconhecimento — e falta informar os pesquisadores sobre outros caminhos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Quando perguntamos a jovens doutores o que querem ser, a resposta quase unânime é “professor universitário”. Quando perguntamos o que acontece se não conseguirem, a maioria não sabe.</p></blockquote></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1200" height="800" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/hugo-aguilaniu-02--1200x800.jpeg" alt="Homem branco de meia-idade, cabelos castanhos, vestindo camisa branca e crachá com cordão verde, segura microfone e gesticula com a mão direita durante apresentação. Ao fundo, telão com iluminação rosada e estrutura de palco com teto de palha." class="wp-image-8532" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/hugo-aguilaniu-02--1200x800.jpeg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/hugo-aguilaniu-02--800x533.jpeg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/hugo-aguilaniu-02--400x267.jpeg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/hugo-aguilaniu-02--768x512.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/hugo-aguilaniu-02--1536x1024.jpeg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/hugo-aguilaniu-02--2048x1365.jpeg 2048w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/hugo-aguilaniu-02--150x100.jpeg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/hugo-aguilaniu-02--1500x1000.jpeg 1500w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/hugo-aguilaniu-02--2000x1333.jpeg 2000w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">&#8220;A filantropia é a mais bem posicionada para assumir riscos&#8221;, afirma Hugo Aguilaniu, geneticista molecular e diretor-presidente do Instituto Serrapilheira | Imagem: Instituto Serrapilheira</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais os requisitos para conseguir financiamento para uma ideia ousada?</strong></h2>



<p>Só posso falar pelo Serrapilheira: buscamos ousadia conceitual, ou seja, projetos ousados, mas não “loucos”. Em todas as fases há tendência ao conservadorismo; nosso trabalho é resistir.&nbsp;</p>



<p>A ideia precisa ser muito boa, e o pesquisador precisa explicar por que fará algo que ninguém fez. O Brasil tem ativos subutilizados: o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) tem o Sirius, acelerador de partículas disponível para qualquer pesquisador brasileiro, e pouquíssimos o exploram.&nbsp;</p>



<p>Em breve terá acoplado um laboratório de biossegurança máxima — único no mundo. Dados preliminares escassos não são problema; ideia fraca, sim.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual conselho daria a si mesmo no início da carreira?</strong></h2>



<p>Duas coisas. Ler muito — ter cultura ampla sobre o campo teria me tornado mais criativo. Sempre tive a intuição de que as coisas mais interessantes estavam nas fronteiras entre campos; a cultura teria transformado essa intuição em algo mais potente.&nbsp;</p>



<p>E liberdade. Os alunos no Brasil dependem demais de um único orientador. Deveriam ser soberanos do próprio processo de formação, conhecer vários laboratórios e escolher o que querem fazer.&nbsp;</p>



<p>Dar essa liberdade desde cedo é a receita para o próximo grande resultado brasileiro — e começa antes do doutorado.</p>
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		<title>Tecnologia ajuda a identificar zonas de transmissão de malária no Brasil</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/tecnologia-ajuda-a-identificar-zonas-de-transmissao-de-malaria-no-brasil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 19:45:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#malária]]></category>
		<category><![CDATA[#tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[#vigilância]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por meio da análise de dados de localização provenientes de celulares de moradores de Manaus, pesquisadores conseguiram mapear áreas de risco com maior precisão e rapidez</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todos os anos, milhares de brasileiros ainda adoecem por <strong>malária</strong>, especialmente na região Norte. O desafio não reside apenas em tratar os pacientes, mas em <strong>impedir a transmissão da doença</strong>.</p>



<p>Uma vez que a condição é causada por protozoários <em>Plasmodium sp.</em>, que chegam ao corpo humano por meio da picada de fêmeas dos <strong>mosquitos </strong><strong><em>Anopheles sp</em></strong><em>.</em>, <strong>detectar a posição de seus criadouros aparece como uma estratégia central para interromper o ciclo da infecção</strong>. Na prática, porém, <strong>rastrear a circulação do parasita</strong> está longe de ser simples.&nbsp;</p>



<p>A vigilância tradicional depende da memória do paciente para relatar por onde circulou nas semanas anteriores ao diagnóstico. Além disso, os <strong>sistemas oficiais</strong> levam tempo para consolidar e <strong>disponibilizar os dados</strong>, o que pode atrasar intervenções em áreas críticas.&nbsp;</p>



<p>Foi diante de tal limitação que um grupo de pesquisadores decidiu inverter a lógica de busca dos criadouros. Em vez de perguntar por onde o infectado passou, eles recorreram ao próprio <strong>histórico digital de deslocamento registrado no celular do paciente</strong>.&nbsp;</p>



<p>Essa proposta deu origem ao <strong>Sickness Positioning System (SiPoS)</strong>, uma ferramenta capaz de <strong>apontar zonas de transmissão da malária</strong> com mais rapidez e precisão. Seus detalhes foram compartilhados em um artigo publicado em novembro de 2025 na <a href="https://dx.doi.org/10.31744/einstein_journal/2025AO1826" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revista <em>einstein</em></a>. </p>



<p>O projeto contou com a colaboração de cientistas do Einstein Hospital Israelita, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Universidade de São Paulo (USP), da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (SEMSA), da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), do Instituto de Pesquisa Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP) e do Institut Pasteur de São Paulo (IPSP).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Rastros digitais</strong></h2>



<p>A pesquisa foi conduzida em Manaus, onde pacientes diagnosticados com malária foram convidados a compartilhar, de forma voluntária e anônima, o histórico de localização armazenado em suas contas do Google.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Os dados foram extraídos por meio do Google Takeout, um serviço que permite ao próprio usuário baixar suas informações pessoais.</p></blockquote></figure>



<p>Mais de 800 pacientes foram abordados, dos quais 104 aceitaram participar e apresentaram registros com qualidade suficiente para condução da análise. De forma a garantir precisão dos dados, os pesquisadores descartaram pontos de GPS com erro superior a 50 metros.</p>



<p>A partir daí, entrou em cena a engenharia metodológica do sistema. Cada ponto de localização foi classificado conforme o momento em relação ao diagnóstico: período sintomático, fase provável de exposição – entre três e 30 dias antes da confirmação – e um intervalo mais remoto, utilizado como referência.&nbsp;</p>



<p>Essa segmentação considerou o tempo médio entre a picada do mosquito infectado e o aparecimento dos primeiros sintomas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Em seguida, foi aplicado um algoritmo para identificar os chamados “stay points”, os locais onde o paciente permaneceu por pelo menos 15 minutos dentro de um raio de 50 metros. </p></blockquote></figure>



<p>A lógica para essa seleção considera que a infecção exige uma permanência mínima no ambiente com presença do vetor, não havendo riscos de picadas durante deslocamentos rápidos.</p>



<p>Como o mosquito transmissor da malária tem maior atividade no período noturno, a análise também priorizou registros feitos entre 17h e 6h. Esses pontos de permanência foram então submetidos ao algoritmo DBSCAN, técnica de clusterização baseada em densidade.&nbsp;</p>



<p>Foram considerados potenciais hotspots os agrupamentos que reuniam ao menos três pacientes em um raio de até 500 metros.</p>



<p>O sistema identificou 56 clusters de possível transmissão em Manaus e arredores, com concentração relevante na zona sudoeste da cidade e na região de Tarumã.&nbsp;</p>



<p>Ao comparar os resultados com o Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (SIVEP), base oficial do país, os pesquisadores observaram que 97% dos pontos identificados estavam a uma distância de até um quilômetro de áreas já classificadas como prováveis locais de infecção.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vigilância mais ágil</strong></h2>



<p>Diferentemente dos métodos tradicionais, a nova ferramenta permite gerar análises espaciais quase em tempo real, a partir do momento em que o histórico é compartilhado.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Por isso, os autores defendem que o SiPoS pode ser uma estratégia viável, de baixo custo e potencialmente escalável para aprimorar a vigilância da malária, especialmente em regiões extensas e de difícil monitoramento como a Amazônia. </p></blockquote></figure>



<p>A equipe também vislumbra expandir o uso da ferramenta para outras doenças transmitidas por vetores, como dengue e chikungunya, além de investigar se o histórico de deslocamento pode ajudar a diferenciar reinfecção de recorrência em pacientes com episódios repetidos.</p>



<div style="height:15px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Referência</strong></h2>



<p>Silva BM, Giddaluru J, Cardozo LE, Martins FM, Antolini AP, Bargieri DY, et al. <strong>Smartphone-based retrospective analysis for malaria hotspot detection</strong>. einstein (São Paulo). 2025;23:eAO1826. <a href="https://dx.doi.org/10.31744/einstein_journal/2025AO1826" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://dx.doi.org/10.31744/einstein_journal/2025AO1826</a></p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/tecnologia-ajuda-a-identificar-zonas-de-transmissao-de-malaria-no-brasil/">Tecnologia ajuda a identificar zonas de transmissão de malária no Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>IA na ciência: como escolher e usar as melhores ferramentas na prática</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/live-como-escolher-e-usar-ferramentas-de-ia-na-pesquisa-cientifica/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/carreiras/live-como-escolher-e-usar-ferramentas-de-ia-na-pesquisa-cientifica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 18:11:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreiras]]></category>
		<category><![CDATA[#formação]]></category>
		<category><![CDATA[#inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[#tecnologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=8506</guid>

					<description><![CDATA[<p>Encontro virtual do Science Arena, em 30/04, discute como usar, de forma prática, ferramentas de IA em cada etapa da produção científica</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/live-como-escolher-e-usar-ferramentas-de-ia-na-pesquisa-cientifica/">IA na ciência: como escolher e usar as melhores ferramentas na prática</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O uso de <strong>inteligência artificial (IA) no processo de produção científica</strong> deixou de ser tendência para se tornar <a href="https://www.sciencearena.org/video/como-a-inteligencia-artificial-impacta-a-carreira-cientifica-science-arena-encontros-ep-1/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">parte do cotidiano de muitos pesquisadores</a> em diferentes áreas do conhecimento.</p>



<p>Diante da rápida multiplicação de ferramentas e possibilidades, uma pergunta tem se tornado cada vez mais comum: afinal, <strong>quais soluções usar e como utilizá-las de forma crítica e estratégica?</strong></p>



<p>Esse será o ponto de partida do próximo <strong>encontro virtual </strong>do <strong>Science Arena</strong>, que acontece no dia <strong>30 de abril</strong>, às <strong>18h30</strong>, e terá como convidado o médico <strong>João Brainer</strong>, pesquisador clínico do Einstein Hospital Israelita e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).</p>



<p>A live será realizada via <strong>Zoom</strong> mediante <strong>inscrição gratuita</strong>. </p>



<p>Haverá <strong>intérprete de Libras</strong> e os participantes poderão fazer perguntas por meio do chat.</p>



<div class="wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex">
<div class="wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-50"><a class="wp-block-button__link has-black-color has-vivid-green-cyan-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button" href="https://einstein.zoom.us/webinar/register/WN_U5RduJe3SIyKEnuRkUKMXg#/registration" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>INSCREVA-SE AGORA</strong></a></div>
</div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Guia prático sobre uso de IA na pesquisa</strong></h2>



<p>Com uma proposta prática, o encontro vai percorrer as <strong>diferentes etapas da produção de um artigo científico</strong> para mostrar como a IA pode ser incorporada no dia a dia da, desde a formulação da pergunta de pesquisa até a redação e divulgação dos resultados.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“A ideia do encontro virtual é oferecer aos participantes uma espécie de guia prático sobre como escolher ferramentas, para que servem e quais são seus limites”, explica João Brainer, do Einstein. </p></blockquote></figure>



<p>O pesquisador é criador de diversas plataformas digitais para modelos preditivos de complicações neurológicas, diagnóstico e classificação em neurologia.</p>



<p>Ao longo da live, serão discutidas aplicações concretas de IA em tarefas como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Revisão de literatura;</li>



<li>Organização de referências;</li>



<li>Estruturação de manuscritos</li>



<li>Análise de dados;</li>



<li>Escrita acadêmica.</li>
</ul>



<p>Ferramentas como <strong>Consensus</strong>, <strong>Elicit</strong>, <strong>SciSpace</strong>, <strong>Jenni Ai</strong> e <strong>NotebookLM</strong>, entre outras, devem aparecer como exemplos práticos de uso no cotidiano científico, especialmente em contextos de acesso aberto e amplo alcance.</p>



<div class="wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex">
<div class="wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-50"><a class="wp-block-button__link has-black-color has-vivid-green-cyan-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button" href="https://einstein.zoom.us/webinar/register/WN_U5RduJe3SIyKEnuRkUKMXg#/registration" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>INSCREVA-SE AGORA</strong></a></div>
</div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que não perder esta live?</strong></h2>



<p>Mais do que apresentar soluções, o encontro também pretende discutir um ponto central: o uso dessas tecnologias já é uma realidade consolidada — e ignorá-las pode significar perder eficiência no processo de pesquisa.</p>



<p>“Hoje é praticamente impossível um pesquisador não utilizar algum tipo de ferramenta de IA em alguma etapa do trabalho”, observa Brainer.</p>



<p>Nesse cenário, diz o pesquisador, o desafio não é mais decidir se a IA deve ou não ser utilizada, mas compreender <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/ciencia-esta-mais-rapida-mas-menos-rigorosa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">como utilizá-la com responsabilidade</a>.</p>



<p>O encontro virtual busca oferecer um panorama integrado e aplicado, especialmente útil para pesquisadores em início de carreira ou para aqueles que ainda se sentem perdidos diante da diversidade de ferramentas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Serviço</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p><strong>IA na ciência: como escolher e usar as melhores ferramentas na prática</strong><br><br>📅 30 de abril de 2026 (quinta-feira)<br>⏰ 18h30 às 19h30 (horário de Brasília)<br>📍  Transmissão online via Zoom</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Participantes:</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Bruno de Pierro</strong> (mediador): editor-chefe do Science Arena</li>



<li><strong>João Brainer</strong>: médico, pesquisador do Einstein Hospital Israelita e professor da Unifesp</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>INSCRIÇÕES GRATUITAS</strong></h2>



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		<title>&#8220;Sem dados, a renovação na ciência se torna um discurso&#8221;</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/sem-dados-a-renovacao-na-ciencia-se-torna-um-discurso/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/entrevistas/sem-dados-a-renovacao-na-ciencia-se-torna-um-discurso/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 20:13:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#cientometria]]></category>
		<category><![CDATA[#Indicadores]]></category>
		<category><![CDATA[#Plataforma Lattes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisador da UFABC mapeou a idade acadêmica de docentes em todo o país e identificou baixa renovação na base dos programas de pós-graduação</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;Sem dados, a renovação se torna um discurso. Com dados, ela pode se tornar uma estratégia.&#8221; A frase resume bem o que move Jesús P. Mena-Chalco, professor e pesquisador da Universidade Federal do ABC (UFABC) especializado em bibliometria e análise de dados acadêmicos.&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.linkedin.com/posts/jes%C3%BAs-p-mena-chalco-94b54137_os-ppgs-est%C3%A3o-envelhecendo-a-p%C3%B3s-gradua%C3%A7%C3%A3o-activity-7397849107182010368-waJ_/?utm_source=share&amp;utm_medium=member_android&amp;rcm=ACoAAAUCQ8kBUmr7zX2o3JZ03MFRP1QRSoL1YPA" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em levantamento recente baseado na Plataforma Lattes</a>, divulgado no seu perfil do Linkedin, Mena-Chalco mapeou, em escala nacional, a chamada <strong>idade acadêmica dos docentes vinculados aos programas de pós-graduação (PPGs) brasileiros</strong> — o tempo decorrido desde a primeira publicação científica de cada pesquisador.</p>



<p>Os resultados revelam um <strong>sistema maduro, mas pouco renovado na base</strong>: a idade acadêmica média dos docentes nos PPGs é de 27 anos; apenas 1% tem menos de uma década de carreira; e 17% já ultrapassam 35 anos de atividade.&nbsp;</p>



<p>Nos programas de maior prestígio — notas 6 e 7 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) —, a <strong>concentração de pesquisadores seniores</strong> é ainda mais acentuada.&nbsp;</p>



<p>Nesta entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Mena-Chalco discute o que esse retrato revela, os riscos no médio e longo prazo e o que seria necessário para planejar uma renovação efetiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – Como essa análise foi conduzida a partir da Plataforma Lattes e quais critérios metodológicos foram usados para mapear a idade acadêmica dos docentes vinculados aos programas de pós-graduação?</strong></h2>



<p><strong>Jesús P. Mena-Chalco – </strong>A pesquisa foi construída a partir de duas bases públicas e complementares. De um lado, utilizei os registros dos docentes vinculados aos programas de pós-graduação no Brasil, tal como aparecem nas bases associadas aos relatórios da CAPES e à plataforma Sucupira, considerando docentes permanentes, colaboradores e visitantes. Por outro lado, utilizei a Plataforma Lattes para recuperar a trajetória de publicação desses pesquisadores.&nbsp;</p>



<p>A partir disso, para cada docente listado em um PPG, fiz uma varredura em seu currículo Lattes e identifiquei o ano da sua primeira publicação formal. Considerei quatro tipos principais de produção: artigos em periódicos, artigos em eventos, capítulos de livros e livros, que são formas bastante representativas da trajetória acadêmica.&nbsp;</p>



<p>Com isso, foi possível estimar, para cada pesquisador, a chamada idade acadêmica, que é o tempo, em anos, desde sua primeira publicação até hoje.</p>



<p>É um trabalho em escala nacional, com um volume grande de dados. Esse tipo de análise não é tão comum justamente porque exige integração de bases e processamento em larga escala. O objetivo aqui não é olhar casos individuais, mas entender o sistema como um todo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que a idade acadêmica — medida a partir da primeira publicação — é mais reveladora para entender a dinâmica da pós-graduação brasileira do que a idade cronológica?</strong></h2>



<p>Essa é uma pergunta importante. A idade acadêmica importa porque, para entender a dinâmica da pós-graduação, muitas vezes ela é mais informativa do que a idade cronológica.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A idade cronológica diz quantos anos uma pessoa tem. Já a idade acadêmica diz há quanto tempo essa pessoa está inserida no sistema científico, publicando, orientando, construindo redes, acumulando experiência. </p></blockquote></figure>



<p>Como não temos, e nem deveríamos ter de forma aberta, a data de nascimento de todos os docentes, que é uma informação sensível, usamos a idade acadêmica como um proxy.&nbsp;</p>



<p>Isso é bastante comum em estudos cientométricos. Não é uma medida perfeita, claro, há exceções, trajetórias tardias, percursos não lineares, mas, no agregado, ela nos dá uma boa leitura da maturidade do sistema.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A pós-graduação brasileira é madura e isso é uma conquista. Mas os dados mostram que a base jovem é pequena e que uma parcela relevante dos docentes está em estágio avançado de trajetória.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A pesquisa mostra que a idade acadêmica média dos docentes em PPGs é de 27 anos, que apenas 1% tem menos de 10 anos de carreira e que 17% ultrapassam 35 anos. O que esse retrato revela sobre o estado atual da pós-graduação no Brasil?</strong></h2>



<p>Os resultados mostram um quadro interessante. A idade acadêmica média dos docentes nos PPGs brasileiros é de aproximadamente 27 anos. Isso indica um corpo científico bastante experiente. Ao mesmo tempo, quando olhamos a distribuição, vemos que apenas cerca de 1% dos docentes têm menos de 10 anos de idade acadêmica. Ou seja, a base jovem é bastante estreita.</p>



<p>Por outro lado, cerca de 17% já ultrapassam 35 anos de atividade científica, o que indica um grupo mais avançado na trajetória. Então temos um sistema que é, ao mesmo tempo, muito experiente e pouco renovado na base.&nbsp;</p>



<p>Isso não é um problema imediato, mas é um sinal importante. É um sistema maduro, consolidado, mas que precisa olhar com atenção para sua renovação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são os riscos concretos desse envelhecimento do corpo docente para a ciência brasileira nos próximos 5, 10 e 15 anos?</strong></h2>



<p>Os riscos não são necessariamente imediatos, mas aparecem quando pensamos no médio e longo prazo. Em um horizonte mais curto, talvez de cinco anos, o sistema continua funcionando, mas pode começar a haver mais pressão sobre um grupo de docentes que concentra orientação, liderança e articulação de projetos.&nbsp;</p>



<p>Em dez anos, isso pode começar a aparecer de forma mais clara, com dificuldades de reposição em algumas áreas, especialmente em programas menores ou menos centrais, e possível perda de continuidade em certas linhas de pesquisa.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Em quinze anos, se não houver renovação planejada, pode haver uma desaceleração mais estrutural, menor capacidade de orientação, menor diversidade de perfis e dificuldades de incorporar novas agendas. </p></blockquote></figure>



<p>Eu trataria isso com prudência. Não é uma previsão fechada, mas os dados indicam que esse é um cenário plausível se nada for feito.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="1200" height="954" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/jesus-mena-chalco.jpeg" alt="Homem jovem, cabelos escuros, óculos de armação fina, expressão tranquila, vestindo camisa listrada. Ao fundo, corredor de ambiente institucional." class="wp-image-8486" style="width:719px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/jesus-mena-chalco.jpeg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/jesus-mena-chalco-800x636.jpeg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/jesus-mena-chalco-400x318.jpeg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/jesus-mena-chalco-768x611.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/jesus-mena-chalco-150x119.jpeg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sem dados, a renovação se torna um discurso&#8221;, diz Jesús P. Mena-Chalco, professor e pesquisador da Universidade Federal do ABC (UFABC), especialista em bibliometria e análise de redes científicas | Imagem: Arquivo pessoal</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Que limites e vieses precisam ser considerados ao utilizar bases como a Plataforma Lattes para esse tipo de análise?</strong></h2>



<p>O primeiro ponto é que idade acadêmica não é idade cronológica. É um indicador de trajetória, não uma medida biográfica exata. O segundo ponto é que a Plataforma Lattes depende da atualização dos currículos. Pode haver variações na qualidade e completude dos dados. O terceiro é que essa é uma análise agregada. Não se trata de avaliar indivíduos, mas de entender o sistema.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que os programas de maior prestígio, especialmente aqueles com notas 6 e 7, concentram ainda mais pesquisadores seniores?</strong></h2>



<p>Isso é, em certa medida, esperado. Programas mais bem avaliados, com notas 6 e 7, são programas que se consolidaram ao longo do tempo. Eles foram construídos com base em trajetórias longas, produção consistente e inserção internacional.&nbsp;</p>



<p>Então é natural que concentrem mais pesquisadores seniores. Há um efeito de acúmulo. Esses programas atraem e mantêm pesquisadores experientes, e esses pesquisadores reforçam a posição do programa.</p>



<p>Isso não é um problema. Pelo contrário, é parte da explicação da excelência.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A questão é se, junto com essa consolidação, também há espaço para a entrada de novos docentes. Esse é o ponto mais importante.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Que políticas de renovação poderiam reverter esse quadro de envelhecimento dos programas de pós-graduação?</strong></h2>



<p>A principal ideia aqui é que a renovação precisa ser planejada. Não é algo que acontece automaticamente. Isso pode envolver ampliação de oportunidades para jovens doutores, modelos de incorporação gradual, políticas institucionais de sucessão e articulação entre universidades e agências de fomento. Mas, acima de tudo, envolve diagnóstico. Sem dados, a renovação se torna um discurso. Com dados, ela pode se tornar uma estratégia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>É possível pensar em modelos de transição que valorizem a experiência dos pesquisadores seniores sem bloquear a entrada de jovens doutores?</strong></h2>



<p>Sim, e eu diria que esse é o caminho mais adequado. A transição não deve ser uma substituição brusca, mas um processo planejado.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Pesquisadores seniores têm um papel fundamental na formação, na liderança, na memória institucional. O objetivo não é substituir, mas criar convivência entre gerações. </p></blockquote></figure>



<p>Isso pode envolver coorientação, grupos intergeracionais, sucessão gradual em linhas de pesquisa. Mas, novamente, isso não acontece sozinho. Precisa ser pensado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são hoje os principais desafios metodológicos da cienciometria no Brasil?</strong></h2>



<p>Se eu tivesse que destacar um ponto principal, diria que é a falta de integração entre bases de dados. Temos muita informação, mas ela está dispersa, em diferentes formatos e sistemas. Isso dificulta análises mais amplas. Também há desafios de padronização, atualização e qualidade dos dados. Então não é falta de dados, é falta de integração e estrutura.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual é o principal alerta que essa pesquisa deixa para o futuro da ciência brasileira?</strong></h2>



<p>A pós-graduação brasileira é madura e isso é uma conquista. Mas os dados mostram que a base jovem é pequena e que uma parcela relevante dos docentes está em estágio avançado de trajetória.</p>



<p>Então a pergunta não é se temos bons pesquisadores. Temos. A pergunta é se estamos preparando, com a mesma atenção, a próxima geração. Não é um problema imediato, mas é um sinal de que precisamos planejar melhor a renovação do sistema.</p>
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