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	<title>Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
	<lastBuildDate>Thu, 04 Jun 2026 15:02:37 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Science Arena</title>
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		<title>Revistas predatórias exploram pressão por publicação entre pesquisadores brasileiros</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/revistas-predatorias-exploram-pressao-por-publicacao-entre-pesquisadores-brasileiros/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#integridade científica]]></category>
		<category><![CDATA[#revisão por pares]]></category>
		<category><![CDATA[#revistas predatórias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo com mais de mil pesquisadores mostra como periódicos suspeitos se aproveitam da lógica do “publique ou pereça” para atrair submissões</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;Convite para publicar sua valiosa pesquisa em nossa revista internacional de alto impacto.&#8221; &#8220;Oportunidade de publicação rápida com aceitação garantida.&#8221; Mensagens como essas são recorrentes nas caixas de entrada dos e-mails de pesquisadores abordados por <strong>revistas predatórias</strong>, isto é, periódicos científicos que exploram a pressão por publicação para capturar manuscritos sem submetê-los à devida revisão por pares.</p>



<p>O conceito foi cunhado em 2010 pelo bibliotecário norte-americano Jeffrey Beall para descrever <strong>periódicos que priorizam o lucro sobre a integridade acadêmica</strong>. Na prática, essas publicações cobram taxas de processamento sem realizar revisão por pares, disseminam informações falsas sobre fator de impacto e indexação, e usam campanhas de e-mail agressivas para atrair submissões.&nbsp;</p>



<p>As consequências vão além do currículo de um pesquisador: estudos publicados em revistas predatórias podem <strong>contaminar a literatura científica</strong>, como exemplifica a circulação de pesquisas frágeis sobre o uso da cloroquina no tratamento da covid-19.</p>



<p>A lógica que alimenta esse mercado é o <strong>&#8220;publish or perish&#8221;</strong> (<a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/metricas-desempenho-academico-pressao-sofrimento-psiquico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publique ou pereça</a>): sem artigos publicados em periódicos acadêmicos, pesquisadores não avançam na carreira. </p>



<p>As revistas predatórias se aproveitam dessa estrutura ao oferecer acesso aberto, retorno rápido e pontuação no Qualis, roupagem científica que oculta processos editoriais deficientes ou inexistentes.</p>



<p><a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-026-05614-0#author-information" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um estudo publicado em abril de 2026 na revista <em>Scientometrics</em></a><em> </em>buscou mapear esse fenômeno de forma sistemática no Brasil. O trabalho, que seus autores descrevem como o mais abrangente já conduzido sobre o tema no país, avaliou a <strong>percepção de pesquisadores brasileiros sobre revistas predatórias</strong> a partir de três eixos:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Motivações para publicar nesses periódicos;</li>



<li>Padrão de conhecimento sobre o fenômeno por região;</li>



<li>Relação entre experiência internacional e preparo para identificar publicações suspeitas.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pressão para publicar e vulnerabilidade</strong></h2>



<p>Os autores coletaram <strong>3.067 respostas</strong>, das quais <strong>1.065 foram validadas</strong> após filtragem que verificou, via plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a existência de ao menos uma publicação formal registrada por respondente.</p>



<p>O principal achado foi o de que os <strong>pesquisadores que se sentem pressionados a publicar têm mais experiência com revistas predatórias</strong>.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Entre os 15,3% dos respondentes que afirmaram já ter tido contato com práticas predatórias, a percepção de pressão para publicar era significativamente maior do que entre os que nunca tiveram esse contato.</p></blockquote></figure>



<p>O estudo identificou diferenças importantes por estágio de carreira. Ao contrário do que se poderia esperar, <strong>pesquisadores seniores</strong> com título de doutorado demonstraram maior preocupação com o custo de publicação (15,1%) em comparação a mestrandos (10,3%) e graduandos (10,8%).&nbsp;</p>



<p>Os autores atribuem isso à estrutura de financiamento da pesquisa brasileira: doutores costumam ocupar cargos de liderança e são responsáveis por gerenciar orçamentos e pagar as taxas de processamento de artigos (APCs), enquanto estudantes focam na redação dos manuscritos.</p>



<p>Já a preocupação com métricas institucionais (Qualis e fator de impacto) foi uniformemente alta em todos os níveis de formação, superando 90% em cada estágio. Esse dado sugere que o <strong>sistema nacional de avaliação</strong> exerce uma força homogeneizadora sobre as prioridades estratégicas de pesquisadores em todos os momentos da carreira.</p>



<p>Por área de atuação, <strong>Engenharia</strong> (76% sem suporte institucional) e <strong>Linguística, Letras e Artes</strong> (78%) concentram a maior proporção de pesquisadores que relatam não receber orientação de sua comunidade acadêmica para identificar e evitar periódicos predatórios.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tipo de instituição e distribuição regional</strong></h2>



<p>Pesquisadores vinculados a <strong>instituições federais</strong> tendem a ter mais experiência com revistas predatórias do que os associados a instituições estaduais ou privadas. As municipais, embora representem amostra pequena no estudo, apresentaram o maior percentual de experiência com práticas predatórias (36%).</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O estudo não encontrou diferença significativa entre as regiões brasileiras, resultado que, segundo os autores, reflete um cenário acadêmico homogêneo moldado por diretrizes nacionais como as da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e do CNPq. </p></blockquote></figure>



<p>Outros fatores, como experiência acadêmica, área de atuação e tipo de instituição, parecem ter peso maior do que a localização geográfica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Experiência internacional e capacidade de seleção</strong></h2>



<p>A passagem por instituições estrangeiras faz diferença: pesquisadores com <strong>experiência internacional</strong> demonstraram mais preparo para selecionar periódicos adequados do que os sem essa vivência.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O tipo de experiência também importa: pesquisadores em programas de doutorado sanduíche foram os que relataram maior nível de consciência sobre práticas predatórias, atingindo 32% do total com experiência internacional.</p></blockquote></figure>



<p>Os autores destacam a importância de bolsas de intercâmbio e alertam que, mesmo com experiência internacional, alguns pesquisadores publicaram em revistas predatórias, indicando que a exposição ao exterior por si só não elimina a vulnerabilidade. É preciso que o conhecimento adquirido no exterior seja compartilhado com pares.</p>



<p>A análise textual das respostas abertas de pesquisadores que relataram experiência com práticas predatórias revelou os padrões mais frequentes de abordagem.&nbsp;</p>



<p>Os termos mais recorrentes foram &#8220;convites insistentes&#8221; e &#8220;e-mails recorrentes&#8221; de revistas desconhecidas, seguidos de referências a cobranças de taxas de processamento (APCs) e ao uso de métricas como o Qualis como argumento de captação.&nbsp;</p>



<p>Expressões como &#8220;necessidade de publicar&#8221; e &#8220;oportunidade de publicação&#8221; também apareceram com frequência, mostrando que a pressão institucional é explorada ativamente por esses periódicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que orienta a escolha de onde publicar</strong></h2>



<p>A análise de tópicos das respostas abertas sobre o processo de submissão de artigos (amostra de 819 participantes) identificou cinco temas dominantes na tomada de decisão editorial:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Velocidade do processo editorial: </strong>eficiência e agilidade de resposta são critérios decisivos na escolha do periódico, o que reflete a pressão por publicação rápida em sistemas de avaliação que monitoram produtividade.</li>



<li><strong>Custos e modelo de publicação: </strong>taxas de processamento e acesso aberto são preocupações estruturais, especialmente para pesquisadores fora de instituições com maior financiamento, o que pode levá-los a considerar periódicos alternativos, inclusive predatórios.</li>



<li><strong>Orientação de pares e mentores: </strong>decisões raramente são tomadas de forma isolada: orientadores, professores e colegas exercem forte influência na seleção de revistas — o que pode perpetuar práticas inadequadas se a comunidade não estiver informada.</li>



<li><strong>Reputação do periódico e do editor: </strong>pesquisadores associam grandes editoras a maior credibilidade, mas essa dependência de &#8216;marcas consagradas&#8217; pode ofuscar periódicos independentes legítimos.</li>



<li><strong>Alinhamento temático e fator de impacto: </strong>a coerência entre o tema do artigo e o escopo da revista, combinada com indicadores bibliométricos, emerge como critério recorrente — refletindo as duplas pressões da avaliação acadêmica e da relevância epistêmica.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como proteger pesquisadores de revistas predatórias</strong></h2>



<p>Os autores argumentam que as revistas predatórias exploram exatamente as lacunas que as instituições deixam abertas: falta de treinamento, ausência de políticas claras e métricas de avaliação que incentivam quantidade em detrimento de qualidade. Como contramedidas, recomendam:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Workshops sobre ética na publicação: </strong>treinamentos periódicos que ensinem pesquisadores a identificar sinais de alerta em convites e portais editoriais suspeitos.</li>



<li><strong>Diretrizes institucionais claras: </strong>políticas formais com listas de referência como o Directory of Open Access Journals (DOAJ) e o Scimago para orientar submissões.</li>



<li><strong>Disciplinas de ética científica na pós-graduação: </strong>inclusão de conteúdo sobre integridade na publicação como parte obrigatória dos programas de mestrado e doutorado.</li>



<li><strong>Revisão dos critérios de avaliação de produtividade: </strong>discussão sobre como métricas como o Qualis podem ser manipuladas e como sistemas alternativos de avaliação qualitativa reduzem esse incentivo perverso.</li>
</ul>
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		<title>Ciência de fronteira exige risco, mas Brasil ainda pune o fracasso</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/ciencia-de-fronteira-exige-risco-mas-brasil-ainda-pune-o-fracasso/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#financiamento]]></category>
		<category><![CDATA[#inovação]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Especialistas apontam que projetos realmente inovadores precisam de ambientes mais seguros para errar, recombinar conhecimentos e desafiar paradigmas</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <strong>fronteira do conhecimento</strong> é um alvo móvel. Aquilo que hoje não sabemos pode se tornar conhecido amanhã — sinal de que a ciência avançou. Mas, para isso acontecer, é necessário que o sistema de pesquisa aceite o risco e a falha, inerentes a qualquer processo que tenta algo genuinamente novo.</p>



<p>Uma das características centrais da ciência de fronteira é a <strong>recombinação</strong>, afirma Adriana Bin, doutora em política científica e tecnológica e pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Eu me refiro à combinação ou recombinação de coisas que já existiam no passado e que ainda não foram articuladas: diferentes teorias, diferentes metodologias, diferentes abordagens.”</p>



<p>Na ciência, geralmente quem delimita esse território é a própria<strong> comunidade científica</strong>. &#8220;Quem organiza e quem define o que é de fronteira é a própria comunidade, são os pares&#8221;, afirma Sérgio Salles-Filho, também pesquisador da Unicamp e estudioso da política científica.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O viés conservador da avaliação por pares</strong></h2>



<p>Esse mesmo grupo que delimita a fronteira é também quem avalia as propostas de pesquisa, o que pode ser um problema. &#8220;A questão não é bem aversão ao risco, mas mais um <strong>viés de conservadorismo</strong> que os pares tendem a adotar para propostas mais inovadoras&#8221;, diz Bin.&nbsp;</p>



<p>Avaliadores podem rejeitar propostas que <strong>desafiam paradigmas estabelecidos</strong>, especialmente quando essas propostas cruzam fronteiras disciplinares e escapam aos critérios de avaliação tradicionais e consagrados.</p>



<p>O resultado é um sistema cuja estrutura muitas vezes <strong>pune o risco</strong>. As métricas de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), principal órgão de avaliação da pós-graduação no Brasil, focam em resultados rápidos e impacto mensurável. Projetos com potencial inovador, mas com mais chances de insucesso, nem sempre encontram ambiente favorável à aprovação.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;A tolerância ao fracasso tem que fazer parte da rotina da agência ao resolver financiar uma pesquisa dessa natureza. Pode dar certo, mas pode ser que não dê certo. Hoje a gente não tem muito esse parâmetro nas agências de fomento brasileiras&#8221;, explica Bin.</p></blockquote></figure>



<p><strong>O sistema, porém, não é monolítico</strong>. Há frestas. Uma delas tem 518 metros de circunferência e fica em Campinas. O <strong>Sirius</strong>, um dos primeiros aceleradores de partículas de quarta geração em operação no mundo e o mais brilhante na sua faixa de energia, é operado pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, e representa um caso raro de infraestrutura científica de fronteira construída no Brasil.&nbsp;</p>



<p>Segundo Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, o projeto tornou-se possível porque estava em sua concepção a disposição para fazer o que ninguém havia feito antes no país. Isso exigiu desenvolver e inventar soluções ao longo do caminho, a custo de erros. O ponto central, para ele, é como o ambiente lida com esses percalços.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Você tem que ter um ambiente para que as pessoas queiram atingir a fronteira e se sintam seguras de que não serão penalizadas pelos erros&#8221;, diz José Roque, do CNPEM.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>As fronteiras específicas da saúde no Brasil</strong></h2>



<p>Na área da saúde, o desafio ganha uma camada adicional. &#8220;A saúde no Brasil tem fronteiras de conhecimento que são diferentes da saúde no resto do mundo&#8221;, observa Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (SECTICS) do Ministério da Saúde. Para ela, o país precisa responder tanto a desafios globais quanto a problemas específicos da sua população.</p>



<p>Em fase de estruturação na SECTICS, o <strong>programa de inovação radical em fármacos,</strong> denominação adotada pela própria secretária, prevê aportar recursos do Ministério da Saúde para financiar infraestrutura laboratorial em instituições de pesquisa voltadas ao desenvolvimento de novos medicamentos.&nbsp;</p>



<p>O CNPEM será o primeiro hub do programa, com investimento de R$ 67,4 milhões em infraestrutura e contratação de pessoal especializado. &#8220;Qual é a ideia do programa de inovação radical? É estimular justamente o desenvolvimento de novas moléculas que não existem. Isso é pesquisa de fronteira. É criar um medicamento completamente novo&#8221;, explica De Negri.</p>



<p>Outra iniciativa do ministério é o Programa Nacional de Genômica e Saúde Pública de Precisão – Genomas Brasil, criado em 2020 com a meta de sequenciar o genoma completo de 100 mil brasileiros até o final de 2026. Até fevereiro de 2025, 34.551 genomas já haviam sido completamente sequenciados.&nbsp;</p>



<p>Um dos estudos gerados pelo programa identificou, na população brasileira, <strong>8 milhões de variantes genéticas</strong> nunca relatadas em nenhum outro grupo populacional no mundo, resultado publicado na revista <em>Science</em> e argumento concreto de por que a fronteira do conhecimento local pode gerar impacto global.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;A saúde no Brasil tem fronteiras de conhecimento que são diferentes da saúde no resto do mundo&#8221;, explica De Negri, do Ministério da Saúde.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>IA e aceleração</strong></h2>



<p>A ciência de fronteira é, por definição, um alvo que se move. E, com a inteligência artificial (IA) acelerando a produção e a síntese do conhecimento, esse alvo se moverá cada vez mais rápido.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A IA na ciência é uma mudança muito importante do ponto de vista da competição, mas também de se identificar o que é fronteira&#8221;, afirma Salles-Filho. &#8220;O alvo móvel vai se mover cada vez mais rapidamente.&#8221;</p>



<p>O sistema científico brasileiro — suas agências, suas métricas, sua cultura institucional — foi desenhado para um ritmo diferente. Enquanto a fronteira avança em velocidade crescente, a ciência brasileira ainda opera com incentivos voltados ao que geralmente já é conhecido.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quatro entraves à ciência de fronteira no Brasil</strong></h2>



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                <h3>1. Conservadorismo da avaliação por pares</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Pesquisadores que avaliam propostas tendem a rejeitar abordagens que cruzam fronteiras disciplinares ou desafiam paradigmas consolidados, favorecendo o que já é aceito pelo campo.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>2. Métricas voltadas a resultados rápidos</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Os critérios da CAPES privilegiam publicações e impacto mensurável em curto prazo, desfavorecendo projetos com maior potencial inovador e maior risco de insucesso.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>3. Baixa tolerância institucional ao fracasso</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>As agências de fomento brasileiras não incorporam sistematicamente a possibilidade de fracasso como parte legítima do financiamento de pesquisa de alto risco.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>4. Escassez de infraestrutura de ponta</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Casos como o Sirius são raros no país. A ausência de equipamentos e ambientes de pesquisa adequados limita a capacidade de competir na fronteira do conhecimento global.</p>
            </dd>
        </div>

        
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		<title>Daraxonrasib: a história do remédio que demorou 44 anos para ser desenvolvido</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/daraxonrasib-a-historia-remedio-que-demorou-44-anos-para-ser-desenvolvido/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 21:11:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Indicada]]></category>
		<category><![CDATA[#câncer]]></category>
		<category><![CDATA[#ciência]]></category>
		<category><![CDATA[#Daraxonrasib]]></category>
		<category><![CDATA[#KRAS]]></category>
		<category><![CDATA[#oncologia]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisaclínica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Reportagem do The New York Times narra quatro décadas de pesquisa que culminaram no desenvolvimento do daraxonrasib, droga que dobrou a sobrevida de pacientes com tumor pancreático metastático</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE RECOMENDO?</strong></h2>



<p>Recomendo a reportagem<a href="https://www.nytimes.com/2026/05/12/health/pancreatic-cancer-daraxonrasib-kras.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> &#8220;How an &#8216;Impossible&#8217; Idea Led to a Pancreatic Cancer Breakthrough&#8221;</a>, publicada pelo <em>The New York Times</em> em 12 de maio de 2026 e assinada por Gina Kolata e Rebecca Robbins. Para escrevê-la, as jornalistas entrevistaram 27 cientistas, médicos e participantes de ensaios clínicos.</p>



<p>O texto reconstrói a história de uma descoberta que levou mais de quatro décadas para chegar ao paciente — e que por muito tempo foi declarada impossível.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>POR QUE ESTE TEXTO É RELEVANTE?</strong></h2>



<p>A reportagem do <em>Times</em> é jornalismo científico de fôlego: 27 fontes, linha do tempo de 44 anos e personagens que carregam o peso de apostas feitas contra o consenso. Kevan Shokat, da Universidade da Califórnia em San Francisco, passou cinco anos triando 500 moléculas atrás de uma fissura numa proteína que o campo inteiro havia descartado. Greg Verdine, de Harvard, foi buscar na natureza uma solução que a química convencional não conseguia imaginar. Ambos foram ignorados ou ridicularizados por pesquisadores &#8220;eminentes&#8221; — e continuaram.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Cada avanço levou a mais um descarte de dogma e à descoberta de que o que todo mundo assumia como verdade não era&#8221;, disse Adrienne Cox, da Universidade da Carolina do Norte</p></blockquote></figure>



<p>A reportagem também documenta o custo real de um consenso equivocado. A ideia de que a proteína KRAS era inacessível a fármacos não era uma posição marginal: era a posição dominante. Empresas saíram do campo. Financiamentos foram negados. A reportagem é um caso de estudo sobre os limites da autoridade científica e sobre o que se perde quando ela não é questionada.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE FAZ DESTE TEXTO UMA LEITURA IMPERDÍVEL?</strong></h2>



<p>Há dois momentos no texto que valem a leitura sozinhos.</p>



<p>O primeiro é o perfil de Rhea Caras, advogada aposentada diagnosticada em 2023 com câncer de pâncreas metastático e informada de que teria meses de vida. Dois anos depois, ela ainda toma seus comprimidos diariamente e planeja uma viagem ao Havaí com a família. &#8220;Tenho quase certeza de que não estaria viva sem essa droga&#8221;, ela diz. &#8220;Estou vivendo uma vida bastante boa, e não esperava isso.&#8221;</p>



<p>O segundo é Robert Weinberg. Em 1982, o cientista do MIT fez uma das descobertas seminais sobre o papel dos genes RAS no câncer. Em entrevista concedida este mês, aos 83 anos, ele comentou que levou 44 anos para que pacientes se beneficiassem de seu trabalho e que viveu para ver isso acontecer. &#8220;Teria sido bom se o Senhor tivesse nos mandado algo mais fácil de atacar&#8221;, ele disse. &#8220;Mas não foi o que aconteceu.&#8221;</p>
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		<item>
		<title>Câncer de pâncreas: remédio oral quase dobra sobrevida em ensaio clínico</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/cancer-de-pancreas-remedio-oral-quase-dobra-sobrevida-em-ensaio-clinico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 16:22:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#câncer]]></category>
		<category><![CDATA[#Daraxonrasib]]></category>
		<category><![CDATA[#pâncreas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dados apresentados na ASCO 2026 indicam que o daraxonrasib reduziu em 60% o risco de morte em pacientes com câncer de pâncreas metastático</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Apresentado nesta semana na sessão plenária da <a href="https://meetings.asco.org/meetings" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ASCO</a>, o principal congresso internacional de oncologia clínica, o daraxonrasib foi apontado como um dos resultados mais relevantes recentes no tratamento do câncer de pâncreas metastático. </p>



<p>Os <a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2605555" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dados finais do estudo RASolute 302</a>, um ensaio clínico randomizado de fase 3 com aproximadamente 500 pacientes, indicaram que o medicamento oral, tomado uma vez ao dia, quase dobrou a sobrevida mediana em comparação com a quimioterapia convencional em pacientes previamente tratados: 13,2 meses com daraxonrasib contra 6,6 a 6,7 meses com quimioterapia. </p>



<p>O estudo também registrou redução de 60% no risco de morte e maior tempo até a progressão da doença.</p>



<p>Esses resultados se somam a dados anteriores <a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2505783" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicados no início de maio de 2026 no New England Journal of Medicine</a> (NEJM), que já sugeriam que o daraxonrasib poderia frear o avanço do câncer de pâncreas, um dos tumores mais letais. </p>



<p>Em pacientes que já haviam recebido outros tratamentos, o tumor reduziu de tamanho em cerca de 1 a cada 3 casos, e a sobrevida mediana ultrapassou 13 meses — resultados acima do observado hoje nessa etapa da doença.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O medicamento atua contra mutações do gene KRAS, presentes em mais de 90% dos tumores pancreáticos e consideradas um dos principais motores biológicos da doença. </p></blockquote></figure>



<p>Essas mutações mantêm o sinal de crescimento celular permanentemente ativado, favorecendo a proliferação do câncer. Os inibidores desenvolvidos anteriormente cobriam apenas uma variante específica, a KRAS G12C, rara no câncer de pâncreas.</p>



<p>O daraxonrasib surge como resposta a essa limitação.&nbsp;</p>



<p>Em vez de esperar a proteína RAS entrar em estado inativo para bloqueá-la, ele usa uma segunda proteína, a ciclofilina A, para interceptar o sinal enquanto o RAS ainda está ativo.</p>



<p>Além disso, o composto cobre múltiplas variantes da mutação, incluindo KRAS G12D, G12V e G12R, que juntas respondem pela maior parte dos casos de câncer pancreático.</p>



<p>Para testar seu potencial, os pesquisadores conduziram um <a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2505783" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ensaio clínico com 168 pessoas</a> com câncer de pâncreas e mutação RAS que já haviam recebido ao menos uma terapia anterior. </p>



<p>O estudo combinou fases 1 e 2, usadas para avaliar segurança, dose ideal e sinais iniciais de eficácia. Entre as doses testadas, 300 mg apresentou os melhores resultados: cerca de 1 em cada 3 pacientes teve redução do tumor, e a sobrevida mediana passou de 13 meses após o início do tratamento.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Hoje, menos de 10% dos pacientes respondem ao segundo tratamento disponível para câncer de pâncreas avançado, e a sobrevida costuma ficar entre cinco e sete meses após seu início. O novo resultado, portanto, representa um avanço relevante num cenário em que as opções terapêuticas permanecem limitadas.</p></blockquote></figure>



<p>O câncer de pâncreas costuma ser diagnosticado tardiamente, muitas vezes quando a doença já se espalhou para outros órgãos.&nbsp;</p>



<p>No Brasil, o INCA (Instituto Nacional de Câncer) estima 13.240 casos novos por ano no triênio 2026–2028. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de pâncreas ocupa a nona posição entre os mais frequentes no país, com as maiores taxas de incidência na região Sul.</p>



<p>Contudo, 1 em cada 3 pacientes apresentou efeitos adversos graves, principalmente rash cutâneo e diarreia, embora nenhum tenha abandonado o tratamento por causa disso.&nbsp;</p>



<p>Além disso, o estudo foi relativamente pequeno, não teve grupo controle para comparação direta e recebeu financiamento da Revolution Medicines, fabricante do composto.</p>



<p>Mesmo preliminares, os resultados ajudam a consolidar uma nova geração de terapias voltadas ao KRAS, alvo considerado “indrogável” por décadas e hoje visto como uma das principais fronteiras no tratamento do câncer de pâncreas.</p>
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		<item>
		<title>Vocação, colaboração e família: o que motiva médicos a continuar ou abandonar a pesquisa</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/vocacao-colaboracao-e-familia-o-que-motiva-medicos-a-continuar-ou-abandonar-a-pesquisa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 19:01:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreiras]]></category>
		<category><![CDATA[#carreira-científica]]></category>
		<category><![CDATA[#doutorado]]></category>
		<category><![CDATA[#médicos-pesquisadores]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com metade dos especialistas doutores, a Holanda revela por que tão poucos continuam pesquisando e o que separa os que ficam dos que saem</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na Holanda, <strong>48%</strong> dos médicos especialistas têm <strong>doutorado,</strong> proporção muito acima da observada em países como os Estados Unidos, onde apenas <strong>4%</strong> dos médicos possuem o título, segundo levantamento da Associação Americana de Faculdades de Medicina (AAMC) de 2023.&nbsp;</p>



<p>Ainda assim, apenas um quarto desses médicos holandeses efetivamente manteve uma carreira que combina pesquisa e prática clínica, definida como dedicar ao menos 20% do tempo a cada uma das duas atividades. É o que revela <a href="https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371%2Fjournal.pone.0343064" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo publicado recentemente na revista <em>PLOS ONE</em></a>. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um retrato de quatorze anos</strong></h2>



<p>O estudo avaliou retrospectivamente todos os médicos holandeses que obtiveram o doutorado em <strong>2008</strong>. Em <strong>2022</strong>, catorze anos depois, os pesquisadores localizaram 479 médicos-doutores dessa coorte e conseguiram contatar 424 deles. Desse total, <strong>240</strong> responderam ao questionário, taxa de resposta de <strong>56,6%</strong>. A idade média no momento da pesquisa era de 48,7 anos, o que significa que os participantes tinham em média 34 anos quando concluíram o doutorado.</p>



<p>Na Holanda, há <strong>oito Centros Médicos Universitários</strong> (UMCs), cada um com média anual de cerca de <strong>200 doutoramentos</strong> em ciências médicas e biomédicas. Quase metade desses graduados são médicos. A maioria inicia o doutorado logo após a graduação em medicina, antes ou durante a residência, um caminho que, além da vocação científica, serve como credencial de acesso a programas de especialização mais competitivos.</p>



<p>Para entender as motivações envolvidas nessa trajetória, os pesquisadores aplicaram a <strong>teoria da autodeterminação</strong> (<strong>TDA</strong>), que distingue decisões guiadas por <strong>motivação autônoma</strong> (como curiosidade e interesse pessoal) daquelas movidas por recompensas externas, obrigação ou culpa, classificadas como <strong>motivação controlada</strong>. A TDA postula que a motivação autônoma leva a melhores resultados em termos de desempenho acadêmico, persistência e bem-estar.</p>



<p>Os participantes responderam a perguntas sobre formação, trajetória profissional, motivações para o doutorado, fatores que facilitaram ou dificultaram a continuidade na pesquisa e satisfação com a escolha. Os resultados mostraram que os respondentes eram movidos predominantemente por motivação autônoma, com mediana de <strong>3,88</strong> em escala Likert de 1 a 5, em contraste com a motivação controlada, cuja mediana foi de apenas <strong>2,00</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O funil da carreira científica</strong></h2>



<p>Os dados revelam um progressivo afunilamento entre a intenção declarada e a prática efetiva. Logo após o doutorado, <strong>82,8%</strong> dos respondentes planejavam continuar fazendo pesquisa. Na prática, <strong>73,6%</strong> de fato continuaram com alguma atividade científica, mas, desse grupo, <strong>32,9%</strong> dedicavam 5% ou menos do tempo à pesquisa, o equivalente a menos de três horas por semana. Ao aplicar o critério mais estrito da carreira médico-científica (ao menos 20% do tempo tanto em pesquisa quanto na clínica), apenas <strong>25,2%</strong> dos respondentes se qualificaram.</p>



<p>Ao todo, <strong>67,5%</strong> relataram envolvimento simultâneo em pesquisa e atendimento clínico, mas, para a maioria, a pesquisa ocupa uma fração marginal da jornada. Apenas <strong>3,5%</strong> dedicavam entre 50% e 80% do tempo à ciência, em adição a pelo menos 20% ao atendimento. Dos 60 médicos-cientistas identificados, <strong>78,3%</strong> trabalhavam em hospitais universitários.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>67,5% dos médicos com doutorado relataram envolvimento simultâneo em pesquisa e clínica, mas apenas 25,2% dedicavam tempo suficiente a ambas para serem considerados médicos-cientistas de fato.</p></blockquote></figure>



<p>A <strong>motivação autônoma</strong> foi o principal preditor de carreira médico-científica: médicos com escores mais altos nessa dimensão tinham <strong>quase quatro vezes</strong> mais chances de seguir nessa trajetória. Redes científicas e colaborações acadêmicas foram os fatores institucionais mais citados como incentivo à permanência na pesquisa.</p>



<p>A especialidade médica também se mostrou determinante: médicos de <strong>clínica médica</strong> tinham <strong>três a quatro vezes</strong> mais chances de seguir carreira médico-científica do que os de especialidades cirúrgicas. Vale notar que, entre os que fizeram o doutorado antes da especialização, <strong>55,1%</strong> admitiram que a possibilidade de conseguir vaga na residência influenciou a decisão, mas esse fator não se associou à permanência na pesquisa. A taxa de carreira médico-científica foi idêntica (<strong>23,2%</strong>) entre quem teve ou não essa motivação instrumental.</p>



<p>As principais barreiras foram a <strong>falta de tempo</strong> dedicado à pesquisa e o desejo de dedicar mais tempo à família ou ao parceiro. Não se trata apenas de financiamento ou infraestrutura: o equilíbrio entre vida profissional e pessoal pesa decisivamente, e os resultados foram similares entre homens e mulheres.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vantagens práticas do título de doutor na clínica</strong></h2>



<p>De 220 respondentes ativos na clínica, 152 (69%) relataram vantagens práticas decorrentes do doutorado. As mais citadas foram: aplicar <strong>medicina baseada em evidências</strong> (<strong>44%</strong> dos respondentes), desenvolver protocolos e diretrizes clínicas (<strong>41%</strong>) e melhorar o atendimento cotidiano (<strong>30%</strong>). Outros benefícios mencionados incluíram pensamento crítico, perseverança e capacidade de gerenciar situações complexas.</p>



<p>Apenas <strong>13,6%</strong> dos respondentes apontaram desvantagens. A principal foi a sobrecarga de conciliar doutorado, residência e vida familiar simultaneamente. A segunda foi financeira: a <strong>bolsa de pesquisa</strong> paga menos do que o trabalho clínico, atrasando a estabilidade econômica e os próprios respondentes reconheceram que esse déficit não foi inteiramente recuperado ao longo da carreira.</p>



<p>Quando perguntados se fariam o doutorado de novo, 223 respondentes (<strong>95,3%</strong>) disseram que sim. E <strong>46,1%</strong> consideraram improvável que ocupassem o mesmo cargo sem o título — seja por ser pré-requisito formal para tenure acadêmica, seja por abrir portas em centros universitários.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Mesmo diante das barreiras relatadas, 95,3% dos participantes afirmaram que fariam o doutorado novamente — e 46,1% avaliaram que sem o título não ocupariam o cargo que têm hoje.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Motivação autônoma além da pesquisa</strong></h2>



<p>O efeito da motivação autônoma vai além da carreira médico-científica. Dos respondentes, <strong>22,7%</strong> atingiram cargo acadêmico permanente (professor assistente, associado ou titular). Médicos com escores mais altos de motivação autônoma tinham <strong>2,57 vezes</strong> mais chance de alcançar tenure (OR 2,57; IC95% 1,23–5,39). O número de publicações também foi preditor relevante: dobrar a produção científica estava associado a aproximadamente <strong>3,7 vezes</strong> mais chance de cargo permanente.</p>



<p>Homens tenderam a chegar ao posto de professor titular com mais frequência (13 de 126 vs. 5 de 105 mulheres). O estudo relaciona essa diferença à maior produção bibliográfica masculina no período — mediana de <strong>21 artigos</strong> para homens contra <strong>14 para mulheres</strong> nos 14 anos após o doutorado. Os autores apontam que carreiras científicas mais curtas entre as mulheres, e não necessariamente ritmo de publicação menor, podem explicar parte da diferença.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O cenário brasileiro: lacunas de dados e de estrutura</strong></h2>



<p>No Brasil, não há levantamento equivalente sobre médicos-pesquisadores. Uma revisão sistemática publicada em 2022 na <strong>Revista Brasileira de Educação Médica</strong> encontrou que a maioria das escolas médicas do país não possuía programas estruturados de iniciação científica, embora cerca de <strong>60%</strong> dos estudantes declarassem intenção de seguir na pesquisa após a graduação.</p>



<p>Na prática, a combinação de docência e pesquisa aparecia como preferência de <strong>menos de 1,5%</strong> dos egressos, segundo a publicação <strong>&#8220;Demografia Médica no Brasil&#8221;</strong> de 2018. A distância entre a intenção declarada na graduação e a escolha efetiva de carreira aponta para um problema estrutural: a ausência de condições institucionais que tornem viável a permanência na ciência.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>No Brasil, menos de 1,5% dos egressos de medicina escolheu carreira de pesquisa e docência, dado que contrasta com os 60% que, ainda na graduação, declaravam intenção de seguir na ciência.</p></blockquote></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>Amazônia é foco de chamada internacional sobre bioinovação e negócios de impacto </title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/amazonia-e-foco-de-chamada-internacional-sobre-bioinovacao-e-negocios-de-impacto/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 16:27:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreiras]]></category>
		<category><![CDATA[#Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[#Bioeconomia]]></category>
		<category><![CDATA[#inovação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Iniciativa seleciona pesquisadores para desenvolver soluções em alimentos, cosméticos e materiais a partir da biodiversidade amazônica </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O&nbsp;Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (<a href="https://idesam.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Idesam</a>), organização não governamental (ONG) dedicada a ações de conservação ambiental, mitigação climática e inclusão socioeconômica,&nbsp;está com&nbsp;<strong>inscrições abertas</strong>&nbsp;para o&nbsp;<a href="https://chamadas.idesam.org/chamada/bioinovacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Desafio Bioinovação Amazônia</a>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A chamada é uma iniciativa internacional inédita que busca&nbsp;<strong>transformar o conhecimento científico sobre a biodiversidade amazônica em produtos e negócios</strong>&nbsp;de impacto global, capazes de gerar oportunidades para&nbsp;comunidades tradicionais e&nbsp;pessoas envolvidas&nbsp;em&nbsp;cadeias de valor.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A ação convoca especialistas em&nbsp;pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D)&nbsp;com atuação global e pesquisadores com experiência em biodiversidade amazônica para solucionarem&nbsp;seis&nbsp;desafios nos setores de alimentação, cosméticos e novos materiais&nbsp;verdes&nbsp;a partir do uso de matérias-primas como castanha-do-brasil, açaí, copaíba e&nbsp;borracha nativa.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O Desafio&nbsp;Bioinovação&nbsp;Amazônia&nbsp;tem apoio do Bezos Earth Fund e parceria da Penn&nbsp;State&nbsp;University&nbsp;(EUA), da Rede Terra do Meio e da&nbsp;Cooperacre.&nbsp;</p>



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</div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Gerar valor para as comunidades</strong></h2>



<p>“Este projeto representa exatamente o tipo de inovação que precisamos para o futuro da Amazônia”, afirma Paulo Simonetti, gerente de inovação aberta e ESG do&nbsp;Idesam. “Ou seja, uma inovação que&nbsp;mantém a floresta em pé ao mesmo tempo que gera valor para comunidades que vivem nela.”&nbsp;</p>



<p>De acordo com Simonetti, ao conectar ciência de ponta e conhecimento local, a iniciativa pretende criar um modelo de desenvolvimento a fim de transformar a biodiversidade em produtos inovadores, com&nbsp;alto valor agregado e impacto global.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Informações sobre a chamada</strong></h2>



<p>O programa é estruturado em quatro fases: seleção de talentos (online), formação de equipes e design da solução (online), imersão e validação (residência na Amazônia + online) e cerimônia de premiação final (presencial).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;A jornada completa prevê uma imersão de 15 dias na Amazônia (cerca de 10 dias em Manaus e&nbsp;cinco&nbsp;dias em comunidades rurais da região, dependendo do desafio), com todos os custos subsidiados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;São&nbsp;seis&nbsp;desafios que cobrem temas como:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Valorização de óleos amazônicos (andiroba, copaíba, buriti); </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Desenvolvimento de amidos funcionais de babaçu; </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Aproveitamento de resíduos do açaí; </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Inovação com óleos e manteigas amazônicas; </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Produção de biomateriais a partir da borracha nativa; </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Soluções de sanitização para a cadeia da castanha-do-brasil. </li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Perfis buscados</strong></h2>



<p>A iniciativa busca dois perfis complementares: </p>



<p><strong>(1) </strong>Profissionais inovadores com experiência comprovada em biodiversidade amazônica, residência ou atuação profissional na região e interesse em empreendedorismo ou licenciamento de tecnologia — exclusivamente para cidadãos brasileiros.</p>



<p><strong>(2)</strong> Especialistas em P&amp;D com experiência internacional nos setores de cosméticos, alimentos ou materiais de base biológica, disponíveis para mentoria presencial e remota ao longo do programa.</p>



<p>A chamada selecionará 25 especialistas em P&amp;D e 25 inovadores que formarão 25 equipes durante a chamada. Ao longo da jornada do programa, 10 equipes serão selecionadas para avançar para as fases seguintes, na qual receberão bolsas de estudo e suporte técnico para a validação da tecnologia e dos negócios.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ao final da jornada, uma banca avaliadora selecionará as&nbsp;três&nbsp;equipes vencedoras.&nbsp;</p>



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</div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Benefícios para os selecionados</strong></h2>



<p>Os 10 times selecionados para a fase de imersão recebem&nbsp;um pacote robusto de apoio:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Bolsas mensais para Inovadores de R$ 3.500 a R$ 7.500/mês por seis meses, conforme nível de formação; </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Grants para Especialistas em P&amp;D de US$ 650 a US$ 1.300/mês por seis meses; </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Fundo da validação de R$ 100 mil por equipe para insumos, reagentes e testes especializados; </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Suporte laboratorial do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA); </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Mentoria especializada em desenvolvimento de produtos, propriedade intelectual, mercado e bioeconomia amazônica; </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Passagens e hospedagem em Manaus custeadas para os membros de equipes selecionadas; </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Certificado de participação na “Residência Científica na Amazônia”, emitido pelo Idesam. </li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Premiação final</strong></h2>



<p><strong>1º Lugar:</strong>&nbsp;R$ 200 mil&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>2º Lugar:</strong>&nbsp;R$ 150 mil&nbsp;</p>



<p><strong>3º Lugar:&nbsp;</strong>R$ 100 mil&nbsp;</p>



<p>Os três times vencedores também se tornarão parceiros da&nbsp;Zôma, a geradora de negócios do&nbsp;Idesam&nbsp;dedicada à nova economia da floresta, e receberão suporte jurídico para adequação à Lei da Biodiversidade, acesso a redes de mercado e apoio estratégico contínuo para a criação do negócio.&nbsp;</p>



<p>IMPORTANTE: As inscrições podem ser feitas até o dia <strong>30 de junho</strong> pelo site <a href="https://chamadas.idesam.org/chamada/bioinovacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://chamadas.idesam.org/chamada/bioinovacao/</a>  </p>



<p>[Texto produzido com informações da&nbsp;<a href="https://abori.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Bori</a>]</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/amazonia-e-foco-de-chamada-internacional-sobre-bioinovacao-e-negocios-de-impacto/">Amazônia é foco de chamada internacional sobre bioinovação e negócios de impacto </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<item>
		<title>Leucemia causada por vírus transmitido na amamentação poderia ser prevenida com rastreamento materno</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/leucemia-causada-por-virus-transmitido-na-amamentacao-poderia-ser-prevenida-com-rastreamento-materno/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 15:45:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#câncer]]></category>
		<category><![CDATA[#leucemia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com incidência até 32 vezes maior entre imigrantes caribenhos e casos confundidos com outros linfomas, o ATLL é uma doença subestimada que o Japão já sabe como prevenir</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um estudo publicado em abril de 2026 na <a href="https://jamanetwork.com/journals/jamaoncology/fullarticle/2848245" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revista <em>JAMA Oncology</em></a> revelou que imigrantes oriundos do Caribe não hispânico apresentam incidência de <strong>leucemia/linfoma de células T em adultos</strong> (ATLL) cerca de <strong>32 vezes maior</strong> do que os nascidos nos EUA e no Canadá. É a maior análise de base populacional sobre o tema já realizada no país. A ATLL é um tipo raro e agressivo de câncer de sangue causado pelo vírus <strong>HTLV-1</strong>.</p>



<p>O estudo usou registros de <strong>todos os 50 estados americanos</strong>. Para identificar o papel do país de nascimento, foram selecionados <strong>13 estados</strong> com dados completos de origem dos pacientes. No total, foram identificados <strong>3.228 casos</strong> diagnosticados entre 2005 e 2022.</p>



<p>Entre caribenhos não hispânicos, a incidência chegou a <strong>14,1 novos casos por milhão de pessoas</strong> — próxima à de regiões historicamente endêmicas, como o Japão, a África subsaariana e partes da América do Sul. O pico foi registrado entre pessoas nascidas em Granada: <strong>33,7 por milhão</strong>. Entre os nascidos nos EUA e no Canadá, a taxa foi de apenas <strong>0,4 caso por milhão</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Disparidades raciais na sobrevida</strong></h2>



<p>A <strong>taxa de sobrevivência em cinco anos</strong> foi calculada para Nova York e Flórida, os únicos estados com dados completos de acompanhamento, e chegou, em média, a <strong>23,8%</strong>. A variação por etnia e origem é expressiva:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Brancos não hispânicos: 38,9%</li>



<li>Hispânicos: 26,1%</li>



<li>Negros não hispânicos nascidos nos EUA: 19,6%</li>



<li>Negros não hispânicos nascidos no Caribe: 14,5%</li>
</ul>



<p>A diferença não é só estatística. A análise mostrou que negros não hispânicos nascidos no Caribe têm <strong>mais que o dobro de risco</strong> de morrer especificamente de ATLL do que brancos não hispânicos, uma disparidade que persiste mesmo quando se levam em conta fatores como idade, sexo e forma de apresentação da doença.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Desde 2000, mais de 300 mil bebês nasceram de mães caribenhas somente na Flórida sem qualquer triagem sistemática para o HTLV-1, segundo os autores, a maior oportunidade perdida de prevenção primária de câncer no país.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vírus latente, câncer tardio</strong></h2>



<p>A ATLL quase sempre começa da mesma forma: um bebê infectado durante a amamentação por uma mãe portadora do vírus. O HTLV-1 invade as células de defesa do organismo e ali fica adormecido, silencioso, sem sintomas, por <strong>quatro a cinco décadas</strong>, acumulando danos que, em uma pequena fração dos casos, culminam no câncer. A doença se manifesta tipicamente entre os <strong>50 e os 60 anos de idade</strong>. Apenas <strong>2% a 5%</strong> dos infectados desenvolvem o ATLL.</p>



<p>Entre adultos, o vírus também pode ser transmitido por <strong>via sexual ou pelo sangue</strong>, da mesma forma que o HIV. O <strong>Centro para Controle e Prevenção de Doenças</strong> (CDC) dos EUA recomenda que, nos casos de infecção materna confirmada, a amamentação seja substituída por fórmulas lácteas. Um detalhe importante: o uso de PrEP e outras estratégias de prevenção do HIV <strong>não protegem contra o HTLV-1</strong>, o que torna o rastreamento das mães a única forma eficaz de cortar a cadeia de transmissão que origina o câncer.</p>



<p>Por se originar quase que exclusivamente da infecção na primeira infância, a ATLL é, segundo os autores, <strong>um dos poucos cânceres de sangue que é fundamentalmente evitável</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O problema oculto: erros de diagnóstico</strong></h2>



<p>A invisibilidade da doença tem uma segunda camada. A ATLL é frequentemente confundida com outros tipos de câncer de células T, em particular com o chamado <strong>PTCL-NOS</strong>, uma categoria usada quando os médicos não conseguem identificar um subtipo específico. O motivo é simples: o teste para HTLV-1 não é feito de rotina quando há suspeita de linfoma de células T, especialmente em pacientes de comunidades imigrantes.</p>



<p>Os pesquisadores estimaram o impacto dessa confusão. Realocando os casos provavelmente mal classificados para o diagnóstico correto, a incidência de ATLL entre caribenhos não hispânicos subiria de <strong>14,1 para 22,7 por milhão,</strong> nível comparável ao do sudoeste do Japão, a região historicamente mais afetada do mundo. Para pessoas nascidas em Granada, a taxa poderia chegar a <strong>59,0 por milhão</strong>, superando até o Japão.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Para os autores, trata-se de uma falha clínica corrigível: o teste para HTLV-1 deveria ser rotineiro em qualquer diagnóstico de linfoma de células T sem classificação definida, sobretudo em pacientes vindos de regiões endêmicas.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Japão como modelo de prevenção</strong></h2>



<p>O Japão é a prova de que é possível reduzir a doença. Por mais de três décadas, o país realizou o <strong>rastreamento de gestantes para o HTLV-1</strong> e orientou as mães infectadas a não amamentarem. Os resultados demoraram a aparecer, mas chegaram: a partir de <strong>2013</strong>, o número de novos casos de ATLL começou a cair em Kagoshima, uma das regiões mais afetadas do país.</p>



<p>Nos EUA, esse caminho ainda não foi percorrido. Os testes para o HTLV-1 são feitos apenas em doações de sangue, não nas gestantes. Os autores propõem uma alternativa prática: em vez de rastrear toda a população (custo-efetividade baixa, dada a prevalência geral baixa do vírus no país), concentrar o esforço nas <strong>mães nascidas em países do Caribe não hispânico</strong>, onde o risco é comprovadamente alto.</p>



<p>O momento é urgente. Os bebês infectados nas décadas de 1990 e 2010 <strong>estão chegando agora à faixa etária em que o ATLL se manifesta</strong>. Sem intervenção, a tendência é de alta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Brasil: endemia silenciosa</strong></h2>



<p>O Brasil realiza o teste do HTLV-1 em doadores de sangue e em gestantes, mas a cobertura é insuficiente. A doença provavelmente já é mais comum do que os números oficiais indicam, simplesmente porque <strong>poucos casos chegam a ser diagnosticados</strong>. Um resumo do Congresso Brasileiro de Hematologia de 2025, com dados do Hospital Universitário Gaffree e Guinle (HUGG/UNIRIO), encontrou apenas seis casos confirmados de ATLL em dez anos de atendimento em um ambulatório de referência no Rio de Janeiro. Todos os pacientes eram mulheres, com idade média de 58 anos, e morreram em média em <strong>13 meses</strong> após o diagnóstico, muito menos do que os 23,8% que sobrevivem por cinco anos nos EUA, onde ao menos o diagnóstico é feito.</p>



<p>A alta prevalência do vírus já foi verificada em <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S253113792500642X" target="_blank" rel="noreferrer noopener">regiões com grande proporção de pessoas negras</a>, como Salvador, o que se explica, em parte, pela origem africana de parcela dessa população: a <strong>África central e ocidental</strong> são regiões historicamente endêmicas do HTLV-1.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como o HTLV-1 causa o ATLL?</strong></h2>



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                <h3>1. Transmissão vertical (mãe-filho)</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>o principal mecanismo de infecção ocorre durante a amamentação: o bebê entra em contato com o leite materno de uma mãe portadora do vírus. É praticamente o único caminho que leva ao desenvolvimento do ATLL décadas depois.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
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                <h3>2. Infecção das células de defesa</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>o HTLV-1 invade um tipo específico de célula do sistema imunológico — as células T CD4+ — e passa a viver dentro delas permanentemente, sem causar sintomas imediatos.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
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                <h3>3. Décadas de silêncio</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>o vírus permanece adormecido por 40 a 60 anos, causando danos genéticos lentos e acumulativos às células infectadas. A pessoa não sabe que está infectada e não apresenta sintomas durante esse período.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
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                <h3>4. Desenvolvimento do câncer</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>em 2% a 5% dos infectados, os danos acumulados ao longo de décadas desencadeiam o câncer, geralmente entre os 50 e os 60 anos de idade. A forma mais grave, chamada linfomatosa, é a mais comum em populações caribenhas e africanas.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
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                <h3>5. Diagnóstico frequentemente errado</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>como o teste para HTLV-1 não é feito de rotina, médicos muitas vezes classificam o ATLL como outro tipo de linfoma de células T. Estima-se que cerca de um terço dos casos nos EUA não receba o diagnóstico correto.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>6. Transmissão entre adultos</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>além da via mãe-filho, o vírus pode ser transmitido por relações sexuais desprotegidas e transfusões de sangue sem triagem. Estratégias de prevenção do HIV — incluindo PrEP — não oferecem proteção contra o HTLV-1.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


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			</item>
		<item>
		<title>“O risco não é a IA, mas delegar à máquina o que é intelectual”, diz pesquisadora</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/o-risco-nao-e-a-ia-mas-delegar-a-maquina-o-que-e-intelectual-diz-pesquisadora/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/entrevistas/o-risco-nao-e-a-ia-mas-delegar-a-maquina-o-que-e-intelectual-diz-pesquisadora/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 19:48:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#ética]]></category>
		<category><![CDATA[#inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[#metodologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=8953</guid>

					<description><![CDATA[<p>Para Fernanda Scussel, ferramentas de inteligência artificial podem acelerar a pesquisa, mas exigem checagem rigorosa, bons prompts e clareza sobre autoria</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/o-risco-nao-e-a-ia-mas-delegar-a-maquina-o-que-e-intelectual-diz-pesquisadora/">“O risco não é a IA, mas delegar à máquina o que é intelectual”, diz pesquisadora</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“A inteligência artificial [IA] colocou luz sobre problemas fundamentais da comunidade acadêmica que já existiam, mas eram negligenciados”, afirma<strong> Fernanda Scussel</strong>. Doutora em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Scussel é a idealizadora do projeto “<a href="https://metodofernandascussel.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pesquisa na Prática</a>”, dedicado ao ensino de metodologia científica e ao <strong>uso responsável de tecnologias digitais na rotina acadêmica</strong>.</p>



<p>Com uma abordagem que recusa tanto o entusiasmo acrítico quanto o pânico tecnológico, ela posiciona a IA não como ameaça ao meio acadêmico, mas como espelho que revela o que sempre esteve lá: lacunas na formação metodológica, questões mal resolvidas de autoria e uma <strong>cultura que ainda trata a integridade científica como protocolo burocrático</strong>, não como valor.</p>



<p>A chegada de ferramentas de IA ao cotidiano da pesquisa levou órgãos como o <a href="https://www.gov.br/cnpq/pt-br/assuntos/noticias/cnpq-em-acao/cnpq-publica-portaria-que-institui-politica-de-integridade-na-atividade-cientifica" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)</strong></a> a publicarem portarias inéditas de regulamentação — sinal de que a prática já é realidade e exige diretrizes claras de governança. </p>



<p>Para Scussel, o maior risco não é a tecnologia em si, mas o pesquisador que delega à máquina tarefas que são, na essência, intelectuais.</p>



<p>Em entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, ela explica como selecionar ferramentas com critério, por que a validação cruzada é inegociável e o que separa o uso responsável da IA do simples uso inconsequente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – Quais são os maiores desafios práticos que os pesquisadores enfrentam para usar IA sem comprometer a qualidade do trabalho?</strong></h2>



<p><strong>Fernanda Scussel – </strong>A IA colocou luz sobre problemas fundamentais da comunidade acadêmica que já existiam, mas eram negligenciados, como as questões de autoria, autenticidade e a fragilidade no ensino de metodologia no Brasil.&nbsp;</p>



<p>O desafio não é apenas usar a ferramenta de forma ética, mas olhar para a cultura acadêmica como um todo.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Até porque existe hoje o que chamamos de “paradoxo da paralisia”: quanto mais ferramentas temos, mais paralisados os pesquisadores se sentem. </p></blockquote></figure>



<p>O foco precisa sair da tecnologia em si e voltar para o processo de pesquisa. Ou seja, a IA deve ser vista como uma ferramenta para etapas específicas, e não como uma solução mágica para escrever teses ou ler artigos por conta própria.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Muitos pesquisadores se sentem perdidos com a quantidade de ferramentas. Qual o seu critério para selecionar o que realmente é útil?</strong></h2>



<p>O critério principal é a adequação ao uso. O pesquisador deve primeiro definir o que precisa resolver e só então escolher a tecnologia. Outro ponto é o teste: recomendo explorar no máximo três ou quatro ferramentas e focar naquela com que se tem mais afinidade.&nbsp;</p>



<p>O bom resultado vem do proveito que se tira de uma ferramenta específica, pois o uso contínuo permite o aprendizado de máquina e o modelo passa a compreender melhor as necessidades do usuário.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais estratégias de validação são inegociáveis para garantir que uma ferramenta seja confiável?</strong></h2>



<p>Precisamos entender que as plataformas de IA são empresas e têm um “elemento bajulador” para promover engajamento, ou seja, elas querem te agradar.&nbsp;</p>



<p>Por isso, o pesquisador deve ter o seu próprio critério de validação. Uma estratégia crucial é o “cross check” (validação cruzada). Isso significa verificar se o que a IA afirma condiz com o que o autor do artigo realmente escreveu.&nbsp;</p>



<p>Outro erro fatal é delegar tarefas essenciais, como a leitura, à máquina. Use a IA para acelerar o processo, como ler um texto complexo, mas nunca deixe de ser o responsável intelectual pelo conteúdo.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Ter interesse genuíno pela sua pesquisa fará com que você não queira cortar caminhos que são fundamentais.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como você se mantém atualizada e consegue diferenciar o que é inovação real do que é apenas “hype”?</strong></h2>



<p>É preciso muito cuidado com o <em>hype</em>, que gera um ambiente ansiogênico. Se você já usa uma ferramenta que entrega resultados seguros e satisfatórios, não precisa migrar para a “novidade da semana” apenas por pressão.&nbsp;</p>



<p>Manter o foco em uma ferramenta ajuda no aprendizado de máquina que eu mencionei anteriormente, e ainda reduz a ansiedade de estar sempre atrás da próxima técnica.&nbsp;</p>



<p>Hoje eu testo muitas opções por ser professora, mas, para o pesquisador, o ideal é silenciar o ruído e se concentrar no que funciona para o seu processo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são os erros mais comuns no uso das ferramentas?</strong></h2>



<p>O primeiro é não saber fazer um prompt eficaz. É preciso saber “mandar” na IA, isto é, dar a ela contextos e limites.</p>



<p>O segundo é a ausência de interação: muitos copiam e colam a primeira resposta, o que gera textos genéricos e risco de plágio.&nbsp;</p>



<p>Por fim, há a falta de compreensão técnica, como ignorar a “janela de contexto”, o que leva a alucinações da máquina quando se insere informações demais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como estruturar um prompt eficaz para pesquisa científica</strong></h2>



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    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
        <div class="ac-item">
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                <h3>1. Defina o contexto</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Informe à ferramenta sua área de pesquisa, nível de formação e objetivo específico da tarefa.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>2. Estabeleça limites</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Indique o que você quer (e o que não quer) que a IA produza.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>3. Forneça exemplos</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Mostre o tipo de saída esperada, especialmente em tarefas de escrita ou análise.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>4. Controle a janela de contexto</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Evite inserir textos muito longos em uma única consulta para reduzir o risco de alucinações.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>5. Faça sempre checagem cruzada</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Verifique se as referências citadas pela IA condizem com o que os autores realmente escreveram.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são as maiores oportunidades que a IA oferece para democratizar a ciência brasileira hoje?</strong></h2>



<p>A IA praticamente eliminou a barreira do inglês, por exemplo, e esse, para mim, foi um grande ganho. Pesquisadores que não dominam o idioma agora podem compreender textos complexos e participar de aulas em pé de igualdade.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A tecnologia também facilita a inserção internacional da ciência brasileira, ajudando a adaptar a linguagem e tornar os artigos mais persuasivos para periódicos de alto impacto, o que acelera a publicação em veículos de prestígio.<br></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Para você, quais são os próximos passos dessa tecnologia?</strong></h2>



<p>Precisamos agora trabalhar na formação dos professores, para que eles estejam mais preparados e possam usar também nas suas práticas, ensinando o aluno a fazer corretamente.&nbsp;</p>



<p>É preciso falar sobre tudo isso com responsabilidades e sem tabu, pois é um tema que veio para ficar e, portanto, merece atenção e seriedade.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/o-risco-nao-e-a-ia-mas-delegar-a-maquina-o-que-e-intelectual-diz-pesquisadora/">“O risco não é a IA, mas delegar à máquina o que é intelectual”, diz pesquisadora</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<title>Falta de financiamento contínuo compromete carreira de médicos-cientistas no Brasil</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/falta-de-financiamento-continuo-compromete-carreira-de-medicos-cientistas-no-brasil/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/carreiras/falta-de-financiamento-continuo-compromete-carreira-de-medicos-cientistas-no-brasil/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 20:05:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreiras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dependência de editais curtos e incertos impede que profissionais com dupla atuação mantenham estabilidade e produção científica</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/falta-de-financiamento-continuo-compromete-carreira-de-medicos-cientistas-no-brasil/">Falta de financiamento contínuo compromete carreira de médicos-cientistas no Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao decidir desenvolver um projeto de pesquisa, muitos médicos-cientistas no Brasil encontram um obstáculo que antecede qualquer questão metodológica: <strong>de onde virá o dinheiro</strong>. E, pior, por quanto tempo.</p>



<p>A médica e pesquisadora Beatriz Barreto-Duarte, do Laboratório de Pesquisa Clínica e Translacional da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia, não descreve esse cenário apenas como entrevistada: ela o documenta como autora. Em artigo publicado na <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12017489/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revista <em>PLOS Global Public Health</em></a>, em coautoria com outros pesquisadores, Barreto-Duarte <strong>mapeou as dificuldades enfrentadas por médicos-cientistas</strong> em países de baixa e média renda — categoria na qual o Brasil se enquadra. </p>



<p>Entre os obstáculos identificados estão a formação longa e árdua, sistemas que valorizam a medicina baseada em prestígio em vez de evidências, e os desincentivos financeiros para quem opta pela carreira dupla. <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/carreira-de-medico-cientista-ainda-enfrenta-barreiras-no-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em entrevista ao Science Arena</a>, ela detalhou o problema.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Editais curtos, carreiras instáveis</strong></h2>



<p>No Brasil, muitos médicos-cientistas ainda dependem de <strong>editais de duração limitada</strong> e renovação incerta. Isso impede a estabilidade necessária para que estudos sejam conduzidos com a profundidade que exigem.</p>



<p>Para ela, a equação é direta: sem <strong>tempo protegido</strong> — isto é, períodos garantidos para a pesquisa, livres de outras demandas clínicas — não há como produzir ciência de qualidade de forma sustentada.</p>



<p>“É preciso reconhecer o médico-cientista como figura estratégica, com bolsas de transição e integração real entre universidades, hospitais e o Sistema Único de Saúde (SUS)”, pontuou.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Ciência de qualidade exige constância”, afirma.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como outros países resolveram o problema</strong></h2>



<p>Em contraste com o cenário brasileiro, Beatriz cita exemplos onde médicos-cientistas contão com <strong>suporte institucional sólido</strong>. No Reino Unido, o Instituto Nacional para Pesquisa em Saúde (NIHR) financia profissionais em diferentes estágios de carreira dentro do próprio sistema de saúde, mantendo a produção científica próxima das necessidades do paciente.</p>



<p>Bons exemplos também existem em países de baixa e média renda. A Rede Latino-Americana de Educação em Pesquisa em Saúde (LANEHR) foca na formação de lideranças regionais nos âmbitos da pesquisa e da medicina. Já o Consórcio para Treinamento Avançado em Pesquisa na África (CARTA) oferece a cientistas africanos mentorias, treinamentos e suporte institucional.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Iniciativas internacionais de apoio ao médico-cientista</strong></h2>



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                <h3>1. NIHR (Reino Unido)</h3>
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            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>O Instituto Nacional para Pesquisa em Saúde financia médicos em diferentes estágios de carreira dentro do próprio sistema público de saúde, mantendo a produção científica vinculada às necessidades do paciente.</p>
            </dd>
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                <h3>2. LANEHR</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>A Latin American Network for Education in Health Research é voltada para a formação de lideranças regionais na intersecção entre pesquisa e medicina, com foco em países de baixa e média renda.</p>
            </dd>
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                <h3>3. CARTA</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>O Consortium for Advanced Research Training in Africa oferece a cientistas africanos mentorias, treinamentos e suporte institucional, criando condições estruturais para a produção científica sustentável no continente.</p>
            </dd>
        </div>

        
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<p>“Quando o país cria estrutura, estabilidade e incentivo para que médicos permaneçam produzindo ciência dentro do sistema público, isso se torna custo-efetivo a médio e longo prazo”, defendeu Barreto-Duarte.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“O médico-cientista é quem transforma dados em impacto real, melhora diagnósticos, reduz custos e orienta políticas públicas. Precisamos mostrar esses resultados de forma clara e mensurável”, afirma a pesquisadora.</p></blockquote></figure>



<p>Para ler o conteúdo completo sobre as dificuldades na <strong>carreira de médicos-cientistas</strong> no Brasil, <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/carreira-de-medico-cientista-ainda-enfrenta-barreiras-no-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">acesse a entrevista com Beatriz Barreto-Duarte no Science Arena</a>.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/falta-de-financiamento-continuo-compromete-carreira-de-medicos-cientistas-no-brasil/">Falta de financiamento contínuo compromete carreira de médicos-cientistas no Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<item>
		<title>Mezzo-soprano e cientista: como Renata Prôa internacionalizou sua carreira na pesquisa </title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/mezzo-soprano-e-cientista-como-renata-proa-internacionalizou-sua-carreira-na-pesquisa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 19:35:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreiras]]></category>
		<category><![CDATA[#inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[#neurociência]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Doutoranda em Columbia e cientista de dados no Einstein, ela defende que jovens pesquisadores aprendam a comunicar melhor suas trajetórias </p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/mezzo-soprano-e-cientista-como-renata-proa-internacionalizou-sua-carreira-na-pesquisa/">Mezzo-soprano e cientista: como Renata Prôa internacionalizou sua carreira na pesquisa </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Você pode ser brilhante, mas se não souber comunicar sua trajetória, não chega lá.” A frase resume, em uma só linha, o princípio que <strong>Renata Prôa</strong> transformou em método. Aos 25 anos, ela é <strong>cientista de dados</strong> no Einstein Hospital Israelita e cursa um doutorado em neurociência teórica na Universidade Columbia, em Nova York — trajetória que incluiu, pelo caminho, um mestrado em saúde pública pela Universidade Harvard, também nos Estados Unidos, concluído após uma licença de um ano do doutorado.&nbsp;</p>



<p>Natural de São José dos Campos (SP) e formada em ciências moleculares pela Universidade de São Paulo (USP), Prôa também é mezzo-soprano pela Academia da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), onde ela começou a articular seus interesses por música e ciência.&nbsp;</p>



<p>No Einstein, Prôa tem se dedicado ao desenvolvimento de soluções para o <strong>Sistema Único de Saúde (SUS)</strong>: mais especificamente, <strong>algoritmos de triagem de doenças</strong> e modelos que cruzam <strong>dados climáticos e de saúde </strong>para prever impactos das mudanças ambientais em populações mais vulneráveis.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Nesta entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Prôa fala sobre seu processo de internacionalização acadêmica, os vieses dos dados em inteligência artificial (IA) e o que a academia ainda precisa fazer para se aproximar mais da população.&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os primeiros acordes</strong> </h2>



<p>Graduada em ciências moleculares pela USP, com passagem pelas áreas de matemática e neurociência, Prôa chegou ao Einstein Hospital Israelita ainda na graduação para estudar <strong>distonia</strong>, uma condição neurológica comum entre músicos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O encaixe entre as diferentes áreas do conhecimento não foi acidental: a pesquisadora queria, desde o início, explicar o cérebro por meio de <strong>modelos matemáticos</strong> — um impulso quase filosófico de traduzir emoções e percepções em equações.&nbsp;</p>



<p>A música nunca foi apenas pano de fundo nessa trajetória. Ao mesmo tempo em que se formava em ciências moleculares, Prôa atuava como cantora profissional e como mezzo-soprano na OSESP.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Foi observando uma orquestra na Alemanha que ela teve insights que seriam centrais em seus modelos matemáticos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Muitas das ideias que tive vieram de referências da arte. O artista tem uma disposição para questionar o óbvio que é essencial para a ciência”, afirma Prôa. </p></blockquote></figure>



<p>Foi também no Einstein onde ela encontrou um novo eixo de atuação: compreender o impacto direto da pesquisa científica na saúde pública. Trabalhando com neuroimagem e, depois, com inteligência artificial aplicada a imagens médicas, a jovem percebeu que poderia encurtar a distância entre pesquisa e vida real.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Eu me apaixonei por ver a ciência chegando nas pessoas”, conta.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Desde então, sua atuação se voltou ao desenvolvimento de <strong>soluções para o SUS</strong>, incluindo algoritmos para triagem de doenças e modelos que cruzam dados de clima e saúde para prever impactos das mudanças ambientais em populações vulneráveis.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Voos internacionais</strong> </h2>



<p>A internacionalização de Prôa não foi planejada desde a infância. Foi, segundo ela, fruto de uma busca ativa para entender o sistema acadêmico global.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em 2022, ingressou no doutorado em neurociência teórica na Universidade Columbia, em Nova York. Dois anos depois, ao completar o segundo ano — período em que o programa confere automaticamente um mestrado —, pediu uma licença de um ano para cursar um mestrado em saúde pública em Harvard. Concluiu a formação em maio de 2025 e retomou o doutorado em Columbia no semestre seguinte.&nbsp;</p>



<p>A decisão, à primeira vista pouco convencional, tem raiz em uma percepção que emergiu durante o próprio doutorado: ao trabalhar com projetos voltados ao Sistema Único de Saúde (SUS), Prôa percebeu que os resultados geravam impacto mais concreto e imediato do que a pesquisa em modelos matemáticos do cérebro — sua linha original.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O deslocamento não foi de área, mas de escala: do laboratório para o sistema de saúde. Para atuar nessa frente com o mesmo rigor técnico, avaliou que precisava de formação em saúde pública e gestão estratégica. Harvard entregou exatamente isso.&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A transição se reflete hoje no trabalho que desenvolve no Einstein, com projetos que cruzam inteligência artificial, clima e equidade no SUS. </p></blockquote></figure>



<p>Um ponto de virada foi, em 2021, ainda antes de ingressar no doutorado, a participação na Iniciativa Próxima, programa de mentoria da Universidade Yale (EUA) voltado a jovens cientistas na área de ciências biomédicas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Durante um ano, Prôa teve como mentor um doutorando em neurociência de Yale, que a acompanhou no processo de candidatura: do mapeamento do sistema acadêmico internacional ao desafio emocional de redigir o <em>personal statement</em>.&nbsp;</p>



<p>Em Columbia, ela se viu como a única de sua turma vinda de fora do circuito de elite das universidades americanas, o que reforçou sua motivação para participar de programas de mentoria voltados a outros estudantes.&nbsp;</p>



<p>Um dos maiores obstáculos foi a redação do <em>personal statement</em>, texto em que o candidato deve defender seu valor. A pesquisadora relata que precisou superar o que identifica como “cultura de humildade brasileira” e a <strong>síndrome do impostor,</strong> barreiras que dificultavam a autodefesa adequada de suas conquistas.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="1076" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/05/renata-proa-perfil.jpeg" alt="Mulher jovem de cabelos castanhos ondulados e vestido floral verde-claro, de perfil, com expressão contemplativa. Ao fundo, um quadro branco coberto de equações matemáticas escritas a vermelho e preto, e janelas amplas com arranha-céus ao fundo, sugerindo ambiente acadêmico em grande centro urbano. " class="wp-image-8933" style="width:755px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/05/renata-proa-perfil.jpeg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/05/renata-proa-perfil-800x717.jpeg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/05/renata-proa-perfil-400x359.jpeg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/05/renata-proa-perfil-768x689.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/05/renata-proa-perfil-150x135.jpeg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">&#8220;Muitas das ideias que tive vieram de referências da arte. O artista tem uma disposição para questionar o óbvio que é essencial para a ciência&#8221;, diz Renata Prôa, cientista de dados do Einstein Hospital Israelita e doutoranda na Universidade Columbia | Imagem: Arquivo pessoal </figcaption></figure>



<p>Essa dificuldade com a autodefesa, que ela reconhece como traço cultural, não individual, acabou se tornando matéria-prima para um trabalho de comunicação à parte.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><a href="https://mcas-proxyweb.mcas.ms/certificate-checker?login=false&amp;originalUrl=https%3A%2F%2Fwww.instagram.com.mcas.ms%2Frenataproa%2F%3FMcasTsid%3D15600&amp;McasCSRF=8317ffe833406ef5bee34a11c66d41b9314f263e6fae86dce8834dddb27fb9ce" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Com mais de 30 mil seguidores no Instagram</a>, Prôa passou a orientar jovens pesquisadores interessados em estudar no exterior, compartilhando o que aprendeu sobre candidaturas internacionais, interdisciplinaridade e carreira acadêmica.  </p>



<p>O movimento ganhou forma durante o mestrado em Harvard, quando atuou como comunicadora científica da instituição. O retorno tem sido especialmente positivo entre estudantes brasileiros sem acesso a redes de apoio estruturadas.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ciência sem pedestal</strong> </h2>



<p>Ao falar de inteligência artificial — tema central de sua atuação atual —, Prôa evita o entusiasmo acrítico. Para ela, a importância da tecnologia está menos na sofisticação técnica e mais nas perguntas que orientam seu uso.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em um país marcado por desigualdades, isso significa garantir que algoritmos de diagnóstico funcionem para diferentes perfis de pacientes.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“A IA é uma superferramenta de automatização. O risco está nos vieses dos dados”, avalia Prôa. </p></blockquote></figure>



<p>“Se você treina um modelo só com dados de um grupo, ele não vai funcionar para os outros”, afirma. Além disso, ela reforça que a academia precisa aprender a dialogar com a ponta, acolher dúvidas e abdicar do pedestal que afasta o conhecimento da população.&nbsp;</p>



<p>Para quem está começando, os conselhos são diretos: “Não tenha medo das suas dúvidas. Nenhuma pergunta é estúpida. E, talvez mais importante, reconheça que a ciência não é um caminho solitário nem linear. Não basta ter resultado. Existe comunicação, relações humanas, política. Ter uma rede de apoio faz toda a diferença.”&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como se candidatar a universidades internacionais</strong> </h2>



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                <h3>1. Domine o inglês, mas vá além</h3>
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                <p>O idioma é condição mínima. O verdadeiro desafio está em entender a cultura de candidatura de cada país, que varia significativamente em comparação ao processo brasileiro.</p>
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                <h3>2. Busque programas de mentoria</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Iniciativas como a Iniciativa Próxima oferecem orientação de pessoas que já passaram pelo processo. Redes de apoio estruturadas fazem diferença real, especialmente para quem vem de fora do circuito das universidades de elite.</p>
            </dd>
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        <div class="ac-item">
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                <h3>3. Invista no personal statement</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>O texto de candidatura exige autodefesa clara das próprias conquistas. Estudantes brasileiros frequentemente precisam superar a chamada “cultura de humildade” e a síndrome do impostor para apresentar sua trajetória com confiança.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
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                <h3>4. Construa uma trajetória interdisciplinar</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Universidades americanas valorizam perfis que transitam entre áreas. Uma formação em matemática aplicada à neurociência, por exemplo, pode ser um diferencial mais potente do que um currículo linear.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>5. Comunique sua ciência</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Saber fazer pesquisa não basta. É preciso saber contar o que se faz — para bancas, para financiadores e para o público amplo. A comunicação científica é parte da carreira, não um acessório.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


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                    $('.ac-conteudo').parent().removeClass('ac-aberto');
                    conteudo.slideDown(function() {
                        $('html,body').animate({
                            scrollTop: $(item).offset().top-150
                        }, 500);
                    });
                    item.addClass('ac-aberto');

                }

            });

        });

    });

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